Krew elfów – Blood of Elves

Mais um capitulo da saga The Witcher, depois do delicioso The Last Wish que basicamente era uma colectânea de meia dúzia de pequenos contos centrados em Geralt. Blood of Elves é o primeiro romance  (de cinco) da saga Witcher.

Antes de mais alguns pontos importantes. Primeiro, não há versão portuguesa (nem PT nem BR) logo tive de ir para a inglesa, aliás como fiz com o The last Wish, são boas versões, nada a apontar. Segundo, há outra colectânea de contos à semelhança de The Last Wish chamada Miecz Przeznaczenia (The Sword of Destiny) que infelizmente não está traduzida para inglês e só soube da sua existencia quando já ia a meio do Blood of Elves. Há uma versão espanhola, não é o ideal mas terá de servir e será o livro que irei ler de seguida. Estou a dar muita importância a este livro porque introduz algumas personagens muito importantes em Blood of Elves.

Agora sim, que tal este Blood of Elves? Devo dizer que é muito bom! The last Wish em comparação é muito mais superficial e leve mas mais charmoso, basicamente uma introdução ao universo e às suas características centrais.

O que mais gostei em Blood of Elves é a forma como aprofunda e de que maneira as personagens mais secundárias quer seja do livro anterior quer seja dos jogos. Falo em especial da Triss, adorei-a aqui, a sua personagem é muito mais complexa e profunda do que a pin up dos jogos. É especialmente triste ver a forma obsessiva com que ela se entrega ao Geralt mesmo sabendo que nunca terá o seu amor. Acaba por ser muito interessante ver esta situação dentro dos jogos porque a amnésia do Geralt permitiu à Triss conquistar o amor dele, sendo que a forma como ela irá lidar com a iminente recuperação amnésica dele nos jogos será super interessante.

A Yennefer que é uma das personagens mais importantes ausente dos jogos, volta a ter um papel de destaque à semelhança do ultimo conto do The Last Wish. Ela não é uma personagem fácil de gostar ao primeiro contacto, é fria, antipática e arrogante, mas para lá desta camada esconde-se uma mulher cheia de cicatrizes e necessidades. Aliás é por isso mesmo que ela e o Geralt não conseguem desligar-se um do outro.

Um aspecto que me surpreendeu é que embora Geralt seja o protagonista, ele partilha esse protagonismo em quase todos os capítulos quer seja com Triss, Yennefer mas especialmente com a jovem Ciri. E que excelente personagem que ela é, não vou revelar muito o seu papel, quem só conhece os jogos (e mesmo o The Last Wish) não sabe quem ela é (ela é apresentada no tal The Sword of Destiny) mas digo-vos que é uma pequena lufada de ar fresco e cheira-me que ela será a grande protagonista da saga dos cinco livros. E é uma evidente inspiração para a personagem do Alvin no primeiro jogo.

A história em si é excelente mas nota-se que é a primeira parte duma saga, mas tem um final satisfatório. A atmosfera tão única fruto da visão do Sapkowki está lá e visitamos muitos locais e personagens que foram falados nos jogos.

De resto, a estrutura narrativa é muito cinemática, muito visual, mais do que no primeiro livro, a escrita continua a ser bastante leve e acessível, muitos jogos e duelos com diálogos. Tem menos acção do que se esperaria (o Geralt está mais calmo) e muito humor negro e deliciosos jogos políticos que são tão centrais na saga.

Tem um arranque lento, mas no segundo capitulo as coisas entram num excelente ritmo. Mais que aconselhado para os fãs deste universo. Agora toca a desenferrujar o meu miserável espanhol para o próximo livro.

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