Mass Effect 2 [2010]

Mass Effect, lançado em 2007 pela Bioware é um jogo curioso. Foi mal tratado pelos RPG gamers fundamentalistas e passou um pouco ao lado dos malucos por tiros e explosões. Uns achavam que os elementos RPG eram escassos e demasiado básicos, os outros achavam que o jogo tinha muito paleio e pouca acção. No entanto conseguiu conquistar um espaço entre estes dois grupos e teve o sucesso merecido. No entanto, Mass Effect é um jogo com um vasto leque de defeitos. A performance na Xbox360 é miserável, o combate é tosco, o inventário uma bodega, os controlos do Mako deixam muito a desejar (no PC nem tanto), as missões secundárias repetitivas. Como é que teve o sucesso que teve?

A Bioware pode ter muitos defeitos, mas ninguém pode negar que sabe contar uma boa história e sabe criar um universo de jogo credível e cativante. E a meu ver foi mesmo isso que salvou Mass Effect. A jornada do(a) Comandante Shepard cativou milhares de jogadores, e deixou-os naturalmente a salivar pela sequela. E aí está ela, dois anos depois. Mas vamos directos ao assunto:

Mass Effect 2 é melhor que Mass Effect?
– Sim, em termos técnicos e mecânicos é um jogo superior em quase todos os aspectos.
– E a história, é melhor?
– Não.
– Oh diabo! Então não é a história o melhor aspecto dos Mass Effects?
– Sim, mas Mass Effect era um jogo razoável com uma excelente história, Mass Effect 2 é um bom jogo com uma boa história.
– Desculpa Berto, mas estou confuso…
– Ha, ha, eu compreendo-te, segue-me.

É bem evidente que a Bioware ouviu os fãs e críticos e listou um a um os problemas do primeiro jogo (mencionei alguns em cima). Fez algo interessante e até um pouco arriscado, mudou, melhorou e retirou muita coisa que não funcionava. Retirou o loot, o inventário, o Mako, a exploração in loco dos planetas em busca de minerais, combate dependente da experiência, variedade de armas e armaduras e por aí adiante. É muita coisa que foi embora. O jogo ficou mais básico e simples? Sim, ficou. No entanto a verdade é que os períodos entre diálogos deixaram de se tornar empecilhos, Mass Effect 2 é um jogo mais suave, directo e agradável de se jogar. E mais divertido, porque o combate foi o aspecto mais melhorado em relação ao original, funcionando agora como um Gears of War.


O resultado final é que Mass Effect 2 deixou de ser um RPG, para se tornar num shooter. E ainda bem! Mass Effect nunca soube se queria ser carne ou peixe, agora finalmente decidiu-se: É um shooter, o shooter com melhor narrativa pós-Half-Life 2. Simple as that.

É essa falta de concorrência num género povoado por mediocridade narrativa que eleva Mass Effect 2 a um elevado patamar. A qualidade da escrita, o desenvolvimento das personagens, o acting, a forma como tudo se conjuga no ultimo acto são provas do talento da Bioware. Gostava de focar um pouco nas personagens deste segundo capitulo. É impressionante o salto qualitativo entre estas novas personagens e as do primeiro capitulo. Até repetentes como a Tali e Garrus que no primeiro jogo estavam… lá, aqui explodem e brilham de tal forma que criamos inevitavelmente um forte laço de amizade e companheirismo, e um medo de os perder no assalto final. Esse medo e a incerteza do destino de todos eles (qualquer um deles pode morrer, até o(a) próprio Shepard, no final do jogo) é um sinónimo da qualidade da escrita e dos personagens criados pelo Bioware.

Mas antes disseste que a história deste jogo é pior! Pois disse, porque… é. A verdade é que é uma história diferente. O Mass Effect era uma epopeia galáctica onde um herói salva o dia. O Mass Effect 2 é um episódio pessoal e intimista dum grupo de pessoas. Mas o que torna a história deste jogo inferior é o simples facto que pouco ou nada avança em relação ao final do jogo original. O final do Mass Effect 2 é um regresso à casa partida do Monopoly. Ficamos a conhecer alguns aspectos novos e interessantes, mas isso não é o suficiente para uma sequela, isso é informação que podia ser dada noutros meios como livros, comics e spin-offs, ou então em missões secundárias do jogo. Um dos resultados é um ritmo inconstante que vai contra o sentimento de urgência que o jogo tenta transmitir. Mas isto não significa que seja uma má história, apenas esperava mais.

Então mas o jogo não tem mais defeitos?


Houve coisas que não gostei. A banda sonora mudou dum registo “Blade Runneresco” muito 80’s sintetizado, para coros e instrumentais apenas ouvidos em 99,9% de todos os jogo e filmes actuais. Boring. A prospecção planetária faz-se agora através dum mini-jogo. Boring. O sistema de hacking é também um mini-jogo, insultuosamente fácil e demasiado frequente. Boring. O boss final parece que caiu no jogo errado, é pateta e retardado. As missões principais são boas, mas nunca atingem o nível do ultimo acto do Mass Effect (Virmire-Ilos-Citadel), no entanto as missões de lealdade (cada personagem tem a sua) são bastante boas e variadas.

Concluindo, se Mass Effect era um jogo movido pela história e pelo mundo de jogo, Mass Effect 2 é movido pelas personagens. É diferente e não deve sofrer por isso. Pode não ter a alma e o coração do primeiro capitulo, mas tornou a experiência mais refinada.

Positivo:
+ Missões de lealdade
+ Personagens
+ Escrita

Negativo:
História não leva a lado nenhum
Boss final ridículo
Muito mini-jogo secante

Sai do templ… do PixelHunt com:


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Editei a crítica porque decidi comprar os 3 DLC mais relevantes e jogar também o que foi oferecido meses depois do lançamento do jogo, o Firewalker Pack.

Firewalker Pack– Este DLC é grátis e o seu conteúdo reflecte bem isso. São 5 pequenas missões que pouco mais servem como tutorial para o novo veiculo do jogo, o Hammerhead, uma espécie de hovercraft que substitui o Mako do primeiro jogo (que eu gostei e muitos odiaram). O Hammerhead é interessante porque permite muitas sequências de plataformas que eu gosto. É grátis por isso toca a sacar, dar-vos-à meia horita de novas mini-missões e uma ajuda para controlar o Hammerhead que será importante no próximo DLC, o Overlord.

Overlord – Primeiro DLC pago e que vem no seguimento do Firewalker Pack. É essencial saber utilizar o Hammerhead porque ele tem um papel preponderante neste DLC. Como DLC pago que é podem esperar uma mini história, interessante q.b. centrada numa IA que se rebela e ameaça infectar todos os aparelhos computorizados com um vírus. Certas partes assemelha-se a outras histórias de IA loucas como System Shock 2 e Portal, mas o final revela um twist bastante interessante e surpreendentemente emotivo. São cerca de 2/3 horas de jogo, com 4 zonas distintas, cada uma delas ligadas por sequências com o Hammerhead. Um DLC mediano, é caro mas tem os seus momentos

Kasumi’s Stolen Memory – Segundo DLC, desta vez centrado num companheiro à semelhança do DLC do Zaeed que vinha origem com o jogo. Os companheiros e as suas backstories são o ponto mais forte da narrativa do Mass Effect 2, como tal esperava bastante deste DLC. Mas também estava à espera duma personagem menos desenvolvida, precisamente à semelhança do Zaeed, e de facto é o que acontece com a Kasumi. A missão em si começa de forma engraçada, não há combate e temos de operar undercover dentro duma festa de ladrões da alta sociedade. Esta sequência tem algumas influências típicas duma aventura gráfica (super simplificada como é óbvio) e é diferente do que o jogo nos habituou. Infelizmente a segunda parte é same old, same old, com muito combate e acaba por perder o gás. O resultado é mais um DLC mediano, tem o bónus de introduzir mais uma personagem, mas a parte jogável em si é bastante curtinha (uma, duas  horitas) portanto… é caro tendo em conta o conteúdo.

Lair of the Shadow Broker – Este foi o último DLC lançado, o mais caro e segundo as críticas o melhor. As duas primeiras afirmações são verdadeiras porque são um facto, a terceira felizmente também é verdadeira. Lair of the Shadow Broker é um excelente DLC, com uma duração perto das 3 horas e com uma missão de altíssimo nível, das melhores que o jogo pode oferecer. É particularmente interessante para quem gostou da personagem da Liara no primeiro jogo e para quem romanceou com ela, já que permite “colocar os pontos nos i’s” na relação entre ela e o Shepard, algo que desagradou a muita gente no Mass Effect 2. É também interessante porque dá-nos luz sobre a organização secreta do Shadow Broker que até agora pouco se sabia. Há alguns novos elementos de gameplay introduzidos neste DLC como a possibilidade de controlar um dos carros voadores em Illium, durante uma perseguição muito inspirada no Ataque dos Clones. Bom DLC, é mais caro, mas vale o preço.

Arrival – O ultimo DLC para o Mass Effect 2, e claramente um dos mais importantes, pelo menos em termos narrativos. Shepard recebe um pedido de ajuda do almirante Hackett por causa duma agente desaparecida em território dos batarian. Ela descobriu  provas de que a invasão dos Reapers está para muito breve e planeia destruir o relay por onde eles vão entrar. No entanto, a destruição desse relay através dum asteróide vai custar a vida de muitos batarians inocentes. O final da história liga-se aos acontecimentos que virão no Mass Effect 3, e este Arrival deve ser jogado apenas por isso, porque de resto é bastante medíocre, composto praticamente apenas por combate repetitivo e corredores lineares.

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