S.T.A.L.K.E.R. Call of Pripyat [2009]

Após longos anos em produção STALKER Shadow of Chernobyl foi lançado em 2007, o jogo rapidamente ganhou uma enorme legião de fãs, especialmente no leste europeu e foi com naturalidade que surgiram expansões anos mais tarde. Em 2008 tivemos Clear Sky, uma prequela que desiludiu muita gente ao afastar-se da fórmula que tanto sucesso deu ao jogo original. A GSC tentou colocar a série no caminho certo com esta segunda expansão, Call of Pripyat.

De facto este Call of Pripyat está bem mais próximo do que era o Shadow of Chernobyl, no entanto adoptou algumas das boas ideias de Clear Sky como o sistema de upgrades e de artefactos. Desde logo esta é uma aventura muito mais solitária que Clear Sky, praticamente não há guerras de facções e não temos que nos aliar com nenhuma delas. O sistema de facções foi um dos aspectos que menos gostei em Clear Sky, para além de funcionar de forma errática, quebrava o sentimento de solidão, já que andávamos grande parte das vezes acompanhados por colegas. Está assim de volta a solidão que caracteriza Shadow of Chernobyl, grande parte do tempo não temos a ajuda de ninguém e sentimo-nos perdidos e indefesos. Não há qualquer área linear, como infelizmente aconteceu em Clear Sky, onde as ultimas horas eram nada mais de corredores através da cidade de Limansk. Em Call of Pripyat a Zone está dividida em 3 grandes áreas, todas elas open world, e não é reaproveitado nenhuma área dos jogos anteriores o que também é uma mais valia.

Alguns dos problemas que se pensavam crónicos em qualquer STALKER desapareceram quase por completo. Durante as 16 horas de jogo não tive UM ÚNICO crash o que é extraordinário para um STALKER, e os bugs embora estejam lá, quase nenhum é particularmente grave. Infelizmente outros problemas típicos da serie continuam lá. A escrita é muito má, principalmente nos diálogos, parece que foi elaborada por crianças fãs de “filmes de tiros”, e o voice acting é terrível! A sério… aposto tudo em como não são actores que dão voz às personagens, provavelmente foi feito pelos próprios developers ou amigos deles.

 

 

Os productions values são bem menores que em Shadow of Chernobyl, já não há vídeos CGI (que eram extraordinários no jogo original) agora as poucas sequências vídeo são feitas através dum slideshow (onde o voice over é diferente do que aparece nas legendas… enfim…). As animações das personagens são extremamente antiquadas, as “cut scenes” se assim se podem chamar são igualmente rudimentares (basicamente é uma camera a rodar em volta dos intervenientes) e o diálogo é em grande parte mostrado em texto, tenho a ideia que nos anteriores havia muito mais diálogo audio.

Visualmente é bonito, embora seja bem visível o peso da idade do motor de jogo. É certo que estão lá todos os efeitos da praxe e suporte para DirectX11, mas eles estão a correr em cima duma plataforma antiga e rudimentar. Mas mesmo assim ainda dá bem para disfarçar, se correr nos máximos ainda é dos jogos mais impressionantes no PC, pena eu ter jogado apenas em directx9 onde parece-me que muita coisa foi cortada em relação ao Clear Sky. A contrapartida é a performance que é muito melhor e mais estável.

Mas quase dá vontade de esquecer todos os aspectos menos conseguidos quando nos focamos no que o jogo faz (e sempre fez) bem. O ambiente é INACREDITÁVEL, é o jogo (aqui englobo todos os STALKERS) mais envolvente e imersivo que alguma vez joguei. É praticamente impossível de descrever o que é passar horas e horas na Zone… só experimentando. Estar perdido no meio do monte, às tantas da manhã, escuro (literalmente) como o breu, apenas iluminado por uma pequena e fraca lanterna, no meio de chuva torrencial com trovões medonhos e ouvir nas redondezas um grupo de mutantes… é indescritível e uma experiência que poucos jogos conseguem igualar. E tudo isto é gerado de forma aleatória. Não há quase nada scriptado propositadamente para o jogador, faz tudo parte do sistema de jogo onde há um ciclo noite/dia e um atmosférico, o que torna cada viagem numa incognita.

Outro aspecto fantástico da série é a jogabilidade. É um jogo difícil, que não perdoa erros e obriga o jogador a saber movimentar-se, a tomar conta do equipamento e a combater de forma eficaz. Porque se não nos adaptamos, morremos. É essa a dura filosofia da Zone. A progressão continua a desenrolar-se através de missões espalhadas pelo mapa como nos anteriores jogos, podemos seguir a narrativa principal, ou optar por missões secundárias, ou até mesmo ignorar por completo as missões e explorar a nosso belo prazer os perigos e as recompensas da Zone. É divertido ir apenas à procura de artefactos.

 

 

A história é bastante pobre, diria até que perde para o Clear Sky. Obviamente Shadow of Chernobyl é a história central, todas as expansões rodam em volta do que aconteceu com Strelok, no entanto aqui não há uma ligação tão forte como no Clear Sky. Quase parece uma história secundária digna dum spin off, não fosse o aparecimento já no finalzinho do jogo de Strelok, algo forçado, mais pareceu fan service e deu um desfecho um pouco insosso ao herói. Mas o grande problema é mesmo o desinteresse da história, pouco me importa a causa da queda dos helicópteros e tudo mais, não é cativante e só pela história não há qualquer razão e motivação em progredir.  No entanto lá pelo meio houve algumas partes que gostei, como quando temos de juntar uma equipa para entrar em Pripyat, muito à lá Mass Effect 2. Mas como um todo, falta a grandiosidade de Shadow of Chernobyl. Até o final do jogo foi um pouco anti-climático.

Para concluir, foi óptimo voltar à Zone pela 3ª vez, é um dos mundos videojogáveis que mais gosto de “habitar”, e acabou por ser uma experiência muito mais recompensadora que o Clear Sky, no entanto ainda não é desta que Shadow of Chernobyl é ultrapassado (embora em alguns pontos esteve lá perto, e obviamente a jogabilidade está melhorada e mais refinada). Resta agora esperar por uma sequela a sério de STALKER, já que este arco narrativo parece ter definitivamente terminado.

Positivo:
+ Ambiente da Zone
+ Jogabilidade melhorada
+ Novas áreas bastante extensas com muita coisa para explorar

Negativo:
Narrativa
Voice acting
Baixos production values

 

Sai do templ… do PixelHunt com:


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