Portal [2007]

Esta nova campanha viral da Valve à volta do Portal e o recente anúncio da sua sequela abriu-me o apetite para voltar às instalações da Aperture Science pela milionésima vez. Aproveitei para ver o novo final e completar o novo achievement. Portal é um jogo que caminha para os 3 anos de idade, como é que o tempo tratou a obra-prima da Valve?

Chega a ser um pouco redundante fazer uma critica ao Portal, é um dos melhor jogos de sempre e qualquer pessoa com olhos na cara sabe que estamos perante uma divindade videojogável. É como se fosse agora fazer uma critica ao Citizen Kane (não, não estou a dizer que o Portal é o Citizen Kane dos videojogos, isso fica a cargo de outras pessoas).

Para quem não conhece (shame on you) Portal é um jogo de puzzles na primeira pessoa (first-person puzzler?) onde encarnamos o papel de Chell, uma mulher do qual nada se sabe. Chell começa o jogo dentro duma cela e vai sendo aos poucos submetida a testes onde terá de domar a tecnologia de portais para solucionar os diversos puzzles. Para o fazer Chell tem à sua disposição a Portal Gun, que tal como o nome indica é uma arma que dispara portais.Ao longo do percurso uma voz acompanha o jogador, essa voz é uma IA de nome Glados

Portal é um jogo curto, um jogador normal acaba a história em 3-5 horas. Seria portanto necessário uma elevada dose de intensidade para compensar a curta duração da experiência. No entanto Portal não é particularmente intenso, não há combate e grande parte do tempo é passado a resolver puzzles. Mas há uma coisa que a Valve é mestre e que faz muito bem em Portal, o ritmo. O jogador nunca fica saturado e cansado porque está constantemente a levar com novas e diferentes experiências. A 1ª hora de jogo é basicamente um enorme tutorial, puzzles muito básicos que ensinam como manipular o espaço com os portais. Quando o jogador começa a ficar cansado, o jogo molda-se, são apresentados puzzles muito mais desafiantes e a história começa a desenvolver-se um pouco com algumas pistas espalhadas pelas instalações de Aperture Science. Largos minutos depois quando os puzzles começam a ficar mais frustrantes o jogo volta a transformar-se para uma ultima hora espectacular. Portal é um jogo polivalente e dinâmico, que sabe moldar-se de acordo com o jogador.

Quem se interessa minimamente por videojogos sabe que muita coisa de Portal transpirou para a cultura popular e chegaram a tornar-se internet memes que rapidamente atingiram elevados níveis de saturação e cansaço. A expressão “The cake is a lie”, o Companion Cube, a canção Still Alive… enfim uma série de coisas que andaram e andam nas bocas de todos os que jogaram Portal. Este fenómeno é em grande parte responsabilidade da equipa de escrita, nomeadamente Erik Wolpaw e Chet Faliszek (antigamente escreviam para o Old Man Murray). O humor negro e a forma como a escrita se envolve directamente com o espaço e acção ajudaram a elevar Portal de um excelente jogo com interessantes mecânicas, para um produto fortemente ligado à Pop Culture e à Web Culture.

Mas obviamente nada seria possível sem o já mítico grupo de estudantes contratados pela Valve depois de Gabe e companhia terem ficado impressionados com o seu projecto escolar, de nome Narbacular Drop. Narbacular Drop era um pequeno jogo que usava uma ideia semelhante a Portal, ou seja usava uma mecânica focada em portais.Esse pequeno grupo (cuja cara mais conhecida é a Kim Swift que actualmente já não está na Valve) trouxe a ideia base, ideia essa que os génios da Valve expandiram para algo muito maior e ambicioso.

Inicialmente a jogabilidade pode ser confusa (não é todos os dias que se pode moldar o espaço através de portais) mas rapidamente se torna invisível e instintiva, graças ao cuidado planeamento no level design através dos já referidos tutoriais. Visualmente Portal é bastante austero e limpo onde predomina o branco e o preto. O motor source (usa a versão Orange Box) dá bem conta do recado, até porque é um estilo visual que não necessita de grandes poderios técnicos.

Não vejo bem como se pode seguir depois do final de Portal, mas tenho toda a fé na Valve em não fazer mais do mesmo e arriscar algo novo, aliás como deu para ver no Half-Life 2. Estas recentes actualizações trouxeram um novo achievement e um novo final de jogo. O achievement consiste em encontrar 26 rádios e alinha-los um a um nos locais correctos para captar mensagens encriptadas em código morse. O novo final é mínimo, mas acrescenta 5 segundos que podem mudar o rumo na sequela.

E então, Portal continua uma obra-prima três anos depois? Obviamente que sim, ainda mais que em 2007, já que este tempo depois ninguém seguiu o rumo iniciado por Portal (Twin Sector tentou), continuou quase tudo no mesmo lamaçal de sempre, e isso dá ainda mais valor a Portal.

Positivo:
+ Novas e revolucionárias mecânicas
+ Escrita
+ Ritmo de jogo

Negativo:
Curta duração?
Demasiados puzzles acessíveis, apenas um par deles são realmente desafiantes

Sai do templ… do PixelHunt com:


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