Metro 2033 [2010]

Foi com algum ânimo que tomei conhecimento deste Metro 2033, cujo falatório indicava que estava a ser produzido por diversos elementos que tinham criado o S.T.A.L.K.E.R. original. Ainda para mais, visualmente parecia impecável, com um ambiente pós-apocalíptico muito interessante e é adaptado do livro homónimo de Dmitry Glukhovsky.

Sendo um jogo russo é normal que tenha partido inicialmente um pouco de pé atrás. Os jogos feitos nos países do antigo pacto de Varsóvia têm uma fama muito peculiar. São normalmente vistos como lufadas de ar fresco numa industria em crescente estagnação, mas ao mesmo tempo são inundados por inúmeros problemas técnicos. A série S.T.A.L.K.E.R. é extremamente atmosférica e imersiva mas é flagelada por inúmeros bugs, Cryostasis tem mecânicas originais baseadas em viagens temporais através de memórias mas é extremamente mal optimizado. The Witcher é uma fantástica experiência role-play com uma óptima narrativa mas precisou duma versão especial para resolver inúmeros problemas entre os quais o tempo abusivo de loadings.

No entanto foi com alguma surpresa que vi este Metro 2033 como um exemplo completamente oposto ao típico jogo de leste. Tecnicamente Metro 2033 é muito bom, não tive um único bug, é relativamente leve (claro que em directx 11 com tudo nos limites engasga qualquer PC mediano) com fantásticos visuais e extremamente estável. Foi uma óptima surpresa. Mas há o reverso da medalha,  ele falha onde eu estaria à espera de algo especial, ou seja o jogo em si e a história.

Eu não tenho nada contra jogos lineares com muito scripting, aliás os Half-Life’s que são o apogeu de scripting são os meus jogos favoritos, mas em Metro 2033 nunca temos a ilusão de liberdade que a Valve (e a Infinity Ward por exemplo) tão bem conseguem fazer. Sinto que estou a ser passeado por uma trela tal é o controle no ritmo de jogo e nos nossos movimentos. Uma grande parte do jogo é composta por sequências não jogáveis e por zonas em que praticamente não temos liberdade para explorar, já que temos de seguir em frente quase sem pausas. Falo das viagens em comboios e nas sequências onde somos guiados por colegas. Mesmo as zonas mais abertas onde podemos abordar situações de diferentes formas são demasiado artificiais e restringidas.

O inicio é bastante prometedor, mas ao longo do jogo é visível que os developers ficam sem grandes ideias  e não conseguem variar o gameplay. Sabem como a Valve atira-nos constantemente novas mecânicas para que o jogador não caia na apatia e se aborreça? Conseguir isso num jogo linear é importantíssimo, no entanto a 4A Games não consegue fazer isso, passamos todo o jogo a fazer sempre as mesmas coisas, ir de ponto A a ponto B com um pouco de combate no meio. E o combate é o grande calcanhar de aquiles de Metro 2033. Completamente desinspirado, inimigos genéricos e sem imaginação, tudo isto brindado com uma IA muito problemática.

Visualmente é muito bonito, mesmo em definições mais baixas e é suportado por um motor de jogo muito prometedor, tendo em conta que é uma criação interna da 4A Games. Os interiores são muito detalhados, os exteriores não abundam muito por isso é complicado compara-lo por exemplo com o Xray Engine da série S.T.A.L.K.E.R., mas seria interessante ver o jogo da GSC com este motor que é muito mais estável e flexível. O ambiente e atmosfera é sublime, há algo no pessoal de leste que conseguem representar mundos pós-apocalípticos de forma tão intensa e cativante.

Metro 2033 tem algumas boas ideias mas que infelizmente ou são mal implementadas ou pouco exploradas. Usar balas como moeda é interessante, mas a meu ver não tem grande utilidade porque não há grandes razões para gastar dinheiro (ou seja balas) em compras, até porque não há muitos postos de vendas na 2ª metade do jogo. A mecânica de stealth é interessante mas são raras as zonas onde podemos utiliza-las. A bateria carregadora da lanterna é uma boa ideia mas esbarra na vida infinita da luz (seria mais interessante se a luz apagasse com o tempo). O sistema de uso de máscara e controlo do oxigénio foi bem implementado e dá uma nova variedade ao gameplay.

A história não é muito interessante nem muito clara (se bem que joguei em russo com legendas em inglês, isso pode ter ajudado a me sentir perdido de vez em quando) e sentia-me obrigado a seguir em frente só porque sim. Os NPC são completamente genéricos e não fixei o nome de quase nenhum deles. Acredito que o livro seja muito bom (parece que é muito popular na Rússia), mas isso, a meu ver, não passou para o jogo.

O nível final é bastante bom, reminiscente da citadel do Half-Life 2, e acontece algo (que não irei revelar) que foi uma enorme surpresa e uma lufada de ar fresco, era bem bom que tivesse havido sequências semelhantes ao longo do jogo. Fez-me lembrar um pouco o final do Penumbra: Black Plague com um bocadinho de Xen. Quando o jogo conseguiu mudar um bocadinho de registo é logo quando acaba… pena.

Metro 2033 não é um mau jogo, mas também não é bom. Tem bastante potencial, mas a meu ver ficou-se a meio caminho. Um aviso, há muita gente a comprará-lo com o S.T.A.L.K.E.R.. Esqueçam. Segue uma filosofia de jogo completamente oposta. Bem, mas no fim de contas foi uma experiencia interessante e valerá a pena comprá-lo quando estiver em saldos.

Positivo:
+ Ambiente fantástico e imersivo
+ Gráficos bastante bons

Negativo:
– Combate com muitas deficiências
– Level design muito desinspirado
– IA muito pobre
– Demasiado scripting e pouca liberdade

 

Sai do templ… do PixelHunt com:


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