Tomb Raider: Anniversary [2007]

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Esta ultima semana fiquei com vontade de voltar a jogar Tomb Raider, é algo que me acontece de tempos a tempos, é mais forte do que eu. Como tinha jogado o Tomb Raider II há poucos meses, decidi voltar aos capítulos mais recentes, mais precisamente à trilogia da Crystal Dynamics, ou seja o Legend (2006), Anniversary (2007) e o Underworld (2008).

Preferi joga-los não por ordem de lançamento, mas por ordem cronológica em termos narrativos. O Legend saiu antes do Anniversary, mas os acontecimentos deste são anteriores ao retratados na prequela. Confuso? É o que dá fazerem remakes a meio duma história, já que o Legend e o Underworld são os únicos jogos verdadeiramente interligados entre si, mesmo que partes deste Anniversary venham a surgir no derradeiro capitulo. Mas falarei disso na minha critica ao Underworld.

Como disse, Tomb Raider: Anniversary é um remake para festejar o 10º aniversário do clássico. Originalmente o remake estava a ser desenvolvido pela Core (criadores da série) para a PSP, mas com o fim da Core Design o projecto passou para as mãos da Crystal Dynamics que estava em estado de graça depois do sucesso critico e comercial do Tomb Raider Legend.

Mas vamos ao que interessa, que tal se porta este remake em relação ao clássico de 1996? Desde logo é visível e notório que visualmente esta versão é muito superior. É normal, 10 anos nesta industria é uma eternidade. Ainda para mais o jogo original, embora fosse um portento técnico na sua altura, é um exemplo perfeito de jogos que envelheceram muito mal, pertence à família dos primeiros jogos 3D que rapidamente ficaram desactualizados. É certo que ainda tem um charme nostálgico, especialmente para os fãs, mas é só mesmo isso, nostalgia. O Anniversary também não é dos exemplos mais brilhantes mesmo quando saiu. Foi lançado numa altura de transição entre gerações de consolas, e os visuais dignos de PS2 (no PC, porque a versão Xbox 360 tem alguns aspectos da chamada “nova geração”) reflectem bem isso, no entanto não deixam de ser bonitos e têm uma direcção artística muito bem conseguida, usando muita inspiração dos locais icónicos do jogo original.

Os controlos lentos e pesados do clássico (embora fossem eficazes) foram substituídos por algo menos rígido, no entanto falta-lhe a precisão que os Tomb Raider da Core Design tinham. Fazer saltos nos jogos clássicos era quase um exercício matemático na medida em que o mundo estava dividido em formas geométricas, e preparar saltos requeria uma exactidão que tem muito menos importância aqui. Para além disso há alguns problemas na detecção da Lara com o mundo de jogo, levando por vezes a momentos de pura frustração porque ela não reconhece os locais para se agarrar.

O combate é sem duvidas um dos aspectos menos conseguidos em comparação com o original. É trapalhão e falta-lhe a o sistema intuitivo que o clássico tinha, no entanto felizmente já é possível usar o rato (embora desta vez me tenha aventurado com um gamepad, pela primeira vez na minha longa história de Tomb Raider) para disparar, o que sempre foi uma das limitações mais absurdas dos jogos da Core. Foi introduzido um sistema chamado adrenaline shot, que basicamente funciona como “one shot kill bullet time”. É complicado apanhar o jeito ao inicio, mas depois de o dominar torna as coisas bem mais fáceis, mais não seja porque torna os combates mais curtos.

O level design e a forma de progressão é o aspecto que mais divide os fãs. Eu falei um pouco como funcionava no original na minha retrospectiva, e compreendo o porquê da mudança (que começou no Legend). Para uma nova geração, a forma de progressão no clássico é tremendamente maçadora e frustrante, sad but true, e como tal, a forma como a Crystal Dynamics desenhou os níveis é muito mais confortável e amiga para novos jogadores. O cerne da progressão não se baseia na descoberta do caminho, mas sim nos reflexos necessários para transpor esse mesmo caminho, agora muito mais visível e óbvio. É muito menos desafiante, mas para dizer a verdade não desgosto completamente, e aqui foi bem mais melhorado em relação ao Legend. De resto, embora tenha sido cortado algumas partes do jogo original, os níveis são bastante fieis e muito mais realistas (embora isso não seja algo necessariamente positivo por vezes) que no clássico, é notório que a Crystal Dynamics tentou dar algum sentido e lógica ao níveis labirinticos do Tomb Raider.

A camera como acontece em todos os Tomb Raider é problemática, alguns saltos tornam-se verdadeiros saltos de fé com a camera a apontar para o rabo da Lara em vez do objectivo. Outro aspecto ao qual torci o nariz é a chuva de QTE (quick time events) que insistem em aparecer. Para mim os  QTE são um dos maiores cancros nos jogos hoje em dia, e a meu ver só estragam a experiência.

A história está praticamente inalterada, no entanto Toby Gard (um dos criadores do jogo original e participou no remake) rescreveu algumas partes, principalmente para dar uma faceta mais humana e emocional à Lara (no seguimento do que foi feito em Legend). O resultado, no entanto, nem sempre é o melhor. O voice over da Keeley Hawes (ela é a protagonista de Ashes to Ashes) está brilhante e felizmente os momentos de tagarelice entre Lara os os seus amigos de Legend estão completamente ausentes em Anniversary. Também ausente estão alguns gadgets de Legend como o PDA, lanterna e afins. Faz sentido porque Anniversary passa-se antes deLegend e como é óbvio o original não os tinha

Depois de terminado o jogo é desbloqueado uma série de prendas como artworks, banda sonora, bios, níveis modelos de teste e o melhor, comentários áudio dos developers que a meu ver é algo que todos os jogos deveriam ter.

Isto já vai longo, alguns aspectos falarei nos próximos jogos, o Legend é tão curtinho que nos próximos dias já o terei acabado. All in all Anniversary é uma excelente homenagem e tributo ao original (embora não seja tão bom) que mescla, a meu ver, com sucesso o novo e o antigo. Os fãs mais raivosos irão dizer que é uma afronta, mas… o original continua aí para todos jogarem, ele não desapareceu. Ah e digo já mesmo antes das próximas criticas, que Anniversary é o melhor Tomb Raider da Crystal Dynamics, e o melhor pós-Last Revelation de 1999.

Positivo:
+ É uma enorme melhoria em relação ao Legend.
+ Alguns níveis foram bastante melhorados…

Negativo:
– … outros níveis foram bastante cortados.
– Camera
– QTE

Sai do templ… do PixelHunt com:


Comments
7 Responses to “Tomb Raider: Anniversary [2007]”
  1. Com isto, fiquei eu com vontade de voltar a jogar este jogo… Acho que vou voltar a instala-lo😛

    Se calhar, até sigo a tua proposta e jogo estes três últimos títulos, já que o Legend passo-o em hora e meia, por isso não me rouba muito tempo, mas o Anniversary é qualquer coisa de fantástico😛

    E concordo, o original envelheceu muito mal. Tentei lá voltar, semanas antes do lançamento do Anniversary, mas infelizmente não conseguia voltar a habituar-me aos controlos. Se calhar foi por ter jogado o original na Saturn quando saiu, ou então não sei, só sei que acho mais frustrante jogar o original do que estas novas incursões (a nível de controlos!).

    Anyway, gostei de ler🙂

  2. Ah outra a coisa: eu amei a história do Legend/Underworld. Ambos os jogos tinham os seus defeitos é certo, há quem os tolere mais que outros, mas a história foi simplesmente fantástica. A Lara estava cheia de força e adorava ter visto isso no grande ecrã com a grande Jolie😛

  3. Humm… falarei da história mais aprofundadamente nas próximas criticas. Não desgostei, alias no Legend achei-a bastante boa e intrigante, mas a meu ver não foi muito bem continuada no Underworld. Achei-a até meio pateta em alguns pontos (mitologia nórdica, martelo do Thor, regresso do doppelganger, etc). Mas é de louvar haver um história num Tomb Raider, algo que anteriormente era quase inexistente.

    Mas estou convencido que o próximo jogo, que vai recomeçar tudo de novo, irá ser ainda melhor neste aspecto.

    Ah e sim, gosto desta Lara mais humanizada, realista e com sentimentos (e com excelente voice acting). Embora também não desgoste da antiga Lara, que era basicamente uma caricatura exagerada, mas que encaixava muito bem no espírito dos antigos Tomb Raider’s.

  4. Por acaso estou num misto de emoções relativamente a este novo recomeço. Por um lado estou completamente entusiasmado com a nova proposta. Lara perdida numa ilha, onde tem de sobreviver, dá a ideia de ser algo open world (é? não sei se isso já foi falado sequer). Mas por outro, parece que estão a ir por um caminho algo perigoso que pode falhar redondamente…

    Lá teremos de esperar para ver, mas espero que em termos de história venha a ser bem boa🙂

  5. Eu estou entusiasmado, mesmo não sabendo quase nada sobre ele. Acho que a anterior trilogia foi bem executada e terminou de forma aceitável. Mas é importante que eles arrisquem e tentem fazer coisas novas, porque o Underworld, mesmo sendo bom, já acusava algum desgaste. E todos sabemos que foi isso que afundou a série no inicio da década.

    Uma franshise deste estilo, que não tem fim à vista e que daqui a 10 anos ainda estará cá tem de saber ser dinâmica. Isto não é tipo um Uncharted que foi projectado como uma trilogia, e que pode (e deve) manter as mesmas bases e mecânicas.

    Mas lá está, ainda pouco se sabe sobre o novo Tomb Raider (quer dizer o novo vai ser aquele jogo arcade isometrico). Nem se sabe se será uma prequela ou reboot.

  6. Sim, lá isso é verdade. Se não dinamizam a franchise, acabam de certeza por cair nos mesmos erros do passado, mas essa renovação pode também ser um dos problemas, mas vamos acreditar que não (e do pouco que se sabe, é aliciante).

    Ah e o novo Tomb Raider que falas não é Tomb Raider😛 Pelo que eles dizem o jogo não está inserido em nada da saga Tomb Raider, daí até só se chamar Lara Croft and something something lol

  7. Filipe Croft diz:

    Um bom jogo,mas o clássico de 96 é insuperável !!! um dos melhores games da história !!!

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