Tomb Raider: Underworld [2008]

Afinal foi mais rápido do que estava a planear, o jogo é bem mais curto do que me lembrava. Fica assim concluída a minha visita à trilogia Tomb Raider da Crystal Dynamics. Quem sabe se não farei algo semelhante no futuro para alguns jogos da Core (talvez o pequeno arco narrativo de The Last Revelation – Chronicles – Angel of Darkness).

Já sabem, para não me repetir sobre alguns aspectos do jogo podem ler as criticas ao Legend e ao Anniversary, a base é a mesma, por isso alguns aspecto mantêm-se inalterados. Underworld é uma sequela directa do Legend, embora vá buscar alguns elementos da narrativa do Anniversary, mas o remake funciona mesmo apenas como um suporte. Na critica ao Legend referi que não tinha gostado muito da história do Underworld como continuação, e de facto senti o mesmo desta vez. Acho que não abordaram bem alguns assuntos do primeiro jogo, achei a narrativa do Legend mais coesa (embora esteja longe de ser brilhante).

Não desgostei da viagem à mitologia nórdica e o titulo do jogo é bem representativo da sua experiência. Todos os níveis centram-se à volta do submundo, seja ele Helheim, Valhalla, Xibalba ou a cave da mansão da Lara. É o tema central da trama e estamos constantemente a descer rumo ao desconhecido. Também o tom e ambiente é muito mais sério e negro que Legend, e tudo isto é suportado por uma escrita muito mais cuidada. Mas como disse, por vezes é difícil fazer a ligação entre Legend e Underworld. Não seria óptimo terem explorado o paradoxo temporal de que a Lara e a sua mãe viveram no momento crucial quando ela desapareceu? Afinal de contas a sua mãe estava a ver a Lara adulta no futuro do outro lado. Infelizmente isto nem foi abordado, e a meu ver daria um momento… “Lostiano” com potencial. Infelizmente a história tem algumas partes mais patetas e que a meu ver falharam. Trazer o doppelganger e a Natla não resultou lá muito bem e a Amanda continua terrível.

O grande melhoramento em relação aos jogos anteriores é o aspecto visual. Os gráficos são muito bons, na minha opinião é um dos jogos mais subvalorizados nesta área, pelo menos em jogos de 2008. As animações também sofreram uma grande melhoria, foram captadas através de motion capture e estão 5 estrelas. Nunca foi tão bom ver a Lara mover-se, muito realista. As animações acabam por ter algumas falhas num aspecto em que os jogos da Crystal sempre estiveram aquém, a collision detection piorou em Underworld e como tal algumas animações acabam por falhar e comportam-se de forma pouco natural. Underworld usa um novo motor de jogo e como tal é bem evidente alguns pequenos problemas técnicos típicos da infância dum motor de jogo.

Underworld segue mais o caminho do Anniversary e é bastante óbvio que a Crystal ouviu os fãs. Muitos aspectos negativos foram corrigidos e/ou retirados. O combate praticamente saiu de cena, a ênfase está quase toda nos puzzles e plataformas, já não há QTE (quick time events), Zip e Allistair (bendito doppelganger!) já não falam com Lara no terreno, e já não temos as ajudas áudio que havia em Legend, ou melhor ainda há, mas são opcionais, os níveis são muito mais longos, complexos e há mais exploração. É um jogo que recuperou o espírito Tomb Raider em comparação com o Legend, e só por isso merece uma salva de palmas.

Como disse no primeiro paragrafo, agora que sabia o que tinha de fazer o jogo foi bem curto. 10 horas para um segundo playthrough é  pouco e da mesma forma que critiquei as 5 horas do Legend, também terei de o fazer aqui, no entanto já se aproxima dum valor aceitável, algo próximo das 15 horas do Anniversary.

De resto não tenho muito mais para dizer, poderia falar dos pequenos melhoramentos, como novos movimentos, controlos mais refinados (em especial debaixo de água) mas isso acabam por ser apenas pormenores, ou dos problemas já entranhados em qualquer Tomb Raider como a maldita camera. Fica só a ideia de que Underworld deveria ter tido mais uns meses de trabalho e aperfeiçoamento, por vezes dá a sensação que foi demasiado apressado e o resultado final não foi tão polido como poderia ter sido. E fica também a ideia de que a série estava a começar a cometer alguns erros do passado, ou seja, um jogo por ano nunca é bom e nunca abona a favor da qualidade dum jogo. Aconteceu com a Core e estava a começar a acontecer com a Crystal. Felizmente decidiram fazer uma pausa mais extensa para o próximo capitulo, que ao que tudo indica começará um novo arco narrativo.

Concluindo, foi bom regressar a esta trilogia. Mostra que a transição entre developers, embora não tenha sido pacífica, a meu ver foi uma boa decisão. Aos poucos a Crystal Dynamics começa a entender o enorme legado que tem em mãos e a arrogância normal dos primeiros tempos começa a ser substituída por respeito e reverencia a 15 anos de história.

Positivo:
+ Gráficos
+ A quase completa ausência de combate
+ Mais uma etapa no aperfeiçoamento da formula Tomb Raider por parte da Crystal

Negativo:
– Qualidade da história é muito inconstante
– Alguns problemas técnicos fruto do novo motor de jogo
– Um Tomb Raider deveria ser mais longo

 

Sai do templ… do PixelHunt com:


Comments
One Response to “Tomb Raider: Underworld [2008]”
  1. Joao Mealha diz:

    Faz antes dos primeiros 3 Tomb Raiders que foram os únicos que joguei.

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