Prince of Persia [2008]

Esta vai ser a semana Prince of Persia aqui no PixelHunt, já que esta 5ª feira estreia o filme Principe da Persia: As Areias do Tempo (lulz, em português fica estranho 😀). Para começar porque não falar sobre o Prince of Persia de 2008? Sim tem o mesmo nome do original, pode ser confuso para alguns, mas esta nova incursão não tem nada a ver com os anteriores.

A série já passou por varias fases. Sands of Time foi o primeiro reboot, (Prince of Persia 3D era tecnicamente uma sequela dos originais de Jordan Mechner) correu bastante bem e a trilogia fechou de forma competente no Two Thrones. A Ubisoft não querendo por de parte a franchise (e os milhões) decidiu fazer novo reboot, e o resultado é este Prince of Persia.

A história é completamente nova e afasta-se da do jogo original e da trilogia Sands of Time, e ainda bem! Se fosse para contar as mesmas histórias de novo mais valia não terem seguido em frente. A narrativa centra-se à volta dum viajante que se perde numa tempestade no deserto e encontra-se com uma mulher chamada Elika. Elika é nada mais nada menos que a princesa daquela terra e luta contra uma força maléfica divinal (Ahriman) que ameaça destruir o seu mundo. Para o combater, Elika e o herói precisam de derrotar quatro lacaios de Ahriman de modo a limpar quatro zonas férteis da sua influência. É uma história que demora a arrancar mas que aos poucos acaba por se tornar cativante, no entanto nunca atinge o nível da história de The Sands of Time.

Se a história é competente, a escrita que a suporta nem por isso, a sua qualidade é muito inconstante e grande parte das vezes mais parece saída duma vulgar série adolescente, especialmente na interacção entre o príncipe e Elika. No entanto com o passar das horas, eles acabam por nos conquistar aos poucos. Grande parte da narrativa é opcional, ou seja só há interacção verbal entre ambos ao carregar numa tecla. Isto permite ao jogador ignorar grande parte dos diálogos (e toda a história secundária de suporte) se assim desejar. Não é aconselhável, mas sempre é uma opção para o jogador.

A primeira coisa que salta à vista são os fantásticos visuais e a brilhante direcção artística. São de cortar a respiração e do melhor que já tive a oportunidade de jogar, dignos duma pintura e que de certeza que irão envelhecer graciosamente. Quem diria que o motor de jogo de Assassins Creed poderia resultar neste orgasmo visual! É realmente de cortar a respiração.

Para além do visual e da história que a meu ver são os pontos mais fortes do jogo, tudo o resto grita: potencial desperdiçado! Prince of Persia está povoado de pequenas más decisões que afundam um jogo que poderia ter sido brilhante mas que assim resultou em algo mediano.

Desde logo a jogabilidade a meu ver foi mal executada, embora a ideia por detrás fosse boa. Ao contrário dos anteriores Prince of Persia, onde as secções de plataforma requeriam planeamento e cuidado, levando a um rtmo mais pausado, aqui tentaram-no fazer mais rápido e dinâmico. O resultado é misto. Se em algumas sequências mais longas pode ser gratificante ultrapassar todos os obstáculos numa única e elegante tentativa, a verdade é que o nível de dificuldade e complexidade baixou tremendamente. A base do plataforming não está na execução mas apenas no tempo de reacção, visto que só requer carregar nas teclas certas nos momentos certos. A verdade é que é uma grande e camuflada sequência de QTE (quick time events) que como sabem abomino.

O combate mais uma vez partiu duma boa ideia, em vez de se lutar contra grupos de inimigos ao mesmo tempo transformando o jogo quase num hack n slash, eles seriam bem mais tácticos e apenas centrados em duelos singulares. Óptimo! Para mim é muito melhor. Mas mais uma vez a execução falhou, e mais uma vez a base centra-se à volta do tempo de reacção, ou seja mais QTE.

A trilogia Sands of Time rodava à volta da manipulação temporal, que permitia ao jogador evitar as mortes durante uma série de tentativas por causa da adaga do tempo. E tecnicamente o príncipe nunca morria, já que o jogo era apenas a história que ele estava a relatar. Este novo Prince of Persia também dá imortalidade ao jogador, no entanto consegue arranjar uma diferente explicação. Sempre que o herói morre, Elika através dos seus poderes mágicos resgata-o sempre. Pode parecer barato e batoteiro, mas a verdade é que funciona basicamente como quick loads instantâneos, e dentro da história faz o seu sentido.

Por fim outra decisão estranha que estragou a experiência é a obrigatoriedade de fazer backtrackings monumentais para recolher pequenas bolas de energia. Faz sentido dentro da história, mas quebra e de que forma o ritmo de jogo. É no entanto perfeito para todos os viciados em achievements, dos quais não faço parte.

De resto, e como disse, são as pequenas escolhas na jogabilidade que acabam por cortar as asas a um jogo que tinha tudo para voar bem alto. Assim este novo Prince of Persia limita-se a ser um jogo mediano com bons momentos. Só um pequeno aparte, o final foi muito bom e arriscado, tiro-lhes o chapéu por isso, e acabou por fechar o jogo em alta.

Positivo:
+ Direcção artística sublime
+ O final é muito bom

Negativo:
– Demasiada ênfase nos QTE
– Nível de dificuldade baixíssimo

 

Sai do templ… do PixelHunt com:


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