Final Fantasy VII [1997]

Uma troca cultural com um amigo levou-me a entrar num mundo que desconhecia por completo. Nunca joguei um Final Fantasy. Nunca joguei um JRPG. Raramente jogo jogos japoneses. Entrar no aclamado Final Fantasy VII foi portanto uma experiência completamente nova para mim.

Antes de mais devo dizer que joguei a versão PC, ela tem alguns problemas em especial com o som e é necessário instalar alguns patches para o correr de forma aceitável. No final acabou por ser perfeitamente jogável, mas talvez aconselharia a jogar a versão PlayStation, nem que seja num emulador. No entanto a versão PC tem alguns mods interessantes que merecem ser explorados.

A primeira reacção que tive ao acabar foi “finalmente!”. Não que tenha sido um mau jogo ou que não me tenha divertido, longe disso, mas  ele é  enorme… é um jogo muito (demasiado) longo,  longo demais para o meu tempo livre. Mas felizmente foi bastante gratificante, passei bem o tempo e não tive grandes razões de queixa, excepção feita talvez aos SHHHhhhhhhuuuuu tantantan Batalha!… Como é possível algo tão básico ser tão frustrante? Falo é claro das batalhas aleatórias que povoam todo o jogo. É extremamente irritante não poder explorar em condições um mapa com medo de entrar em mais uma batalha, às vezes torna-se quase anedótico andar a tentar encontrar umas escadas ou uma porta no mapa e andar constantemente a ser “sugado” para mais um combate. É particularmente agoniante ir a caminho dos escassos save points (é impressão minha ou quase não há save points no 3º CD :D) e ser interrompido por mais um combate.

Mas se colocar isso de parte não tenho muitos mais aspectos aos quais tenha torcido o nariz. Sim, como disse o jogo é demasiado longo, 30 horas (nota: não fiz nenhuma side quest) é muita hora e muitas partes são completa palha que para ser sincero pouca importância ou impacto têm no desenrolar da história. Há algumas sequências que poderiam facilmente ser cortadas ou usadas como missões secundárias porque pouco mais fazem que quebrar o ritmo da narrativa, como a parte em que o Cloud vai salvar a Tifa e tem de se mascarar de mulher… i mean really? Ou a parte em qu… SHHHhhhhhhuuuuu tantantan Batalha! Deixem-me só voltar a falar das batalhas. Embora sejam irritantes, elas até  podem ser divertidas. Lembrem-se que nunca joguei um JRPG, por isso o sistema de combate era algo novo para mim, foi um longo processo de aprendizagem. Embora à primeira vista seja extremamente básico, há alguma estratégia envolvida, e mesmo sendo por turnos, o tempo é um factor importante.

A história é interessante, mesmo tendo uma mensagem ecológica um bocado barata e cliché por trás, centrada no planeta (que aqui é uma entidade quase divina) ameaçado pela acção humana. A história é suportada por uma escrita um pouco infantil mas que não destoa, por vezes entra quase num registo de conto infantil que não desgostei, ela desenvolve-se de forma agradável e raramente se torna aborrecida. Como o jogo é demasiado longo, a história por vezes reflecte-se disso mesmo em alguns pontos. O inicio é extremamente lento, após a morte da Aeris  (acho que não é spoiler… a morte dela é mais que conhecida de todos) o jogo perde um pouco o rumo (aliás o segundo acto é muito inconstante) mas a linha narrativa mantêm-se quase sempre recta, embora os muitos flashbacks por vezes desviem essa linha, no entanto alguns deles são muito interessantes e importantes para a trama.

Numa coisa tenho de tirar o chapéu a quem escreveu a história de Final Fantasy 7: eles têm tomates. Não têm medo de criar situações inesperadas. A morte da Aeris é mais que conhecida, mas há outros momentos “chocantes” que sinceramente apanharam-me de surpresa e que a meu ver tornam a  narrativa melhor do que realmente é, pelo menos tornam-na mais interessante. O primeiro acto é a meu ver o mais interessante e clássico e culmina na (muito bem montada e construída) morte da Aeris. O 2º acto é centrado na busca pela Huge Materia (que achei tremendamente secante e escusada) e na  busca da verdade do passado do Cloud (que é muito interessante) e na forma como o grupo reage a todas as adversidades que se abateram sobre eles. O 3º acto é fraco, e culmina no ridículo confronto final com o Sephiroth. Embora seja bastan…SHHHhhhhhhuuuuu tantantan Batalha!… Só para completar o que estava a dizer anteriormente sobre as batalhas. Elas têm uma pitada de estratégia que traz algum divertimento a algo que é demasiado frequente. As batalhas contra os bosses são particularmente gratificantes mesmo tendo um nível de dificuldade colossal. Em contraste, os milhentos combates de segundos que apenas requerem carregar num botão são uma completa perda de tempo.

As personagens são… aceitáveis. Gostei da Tifa e do Cloud, a Aeris, Barret e Cid são medianos e o resto não consegui estabelecer grande afecto. O Sephiroth (e o seu clone) é um bom vilão o seu build up é muito bom, ele demora horas a aparecer e o impacto que tem em todas as personagens está muito bem conseguido. Curiosamente a sua introdução num dos flasbacks do Cloud é peculiar porque mostra um Sephiroth minimamente amistoso. Obviamente cedo as coisas mudam. Mas sinto que depois da revelação do que realmente lhe aconteceu ele perdeu um pouco o gás (até porque a própria história muda um pouco) e no final o verdadeiro Sephiroth torna-se quase anedótico e caricaturado (levaram à letra a temática do anjo caído) perdendo todo o impacto que estabeleceu na primeira parte.

Gostei do Cloud. Ele tem defeitos e falhas e para mim isso é importante para um bom protagonista, aliás as partes em que o Cloud questiona as suas memórias e é completamente manipulado pelo Sephiroth são as melhores do jogo, tal como a sequência em que a Tifa ajuda-o a reconstruir as suas memórias. O que gosto na Tifa é a forma como espelha bem a máxima de que as aparências iludem. Se exteriormente ela parece seguir os estereótipos de personagens femininas em videojogos (aquelas mamas são colossais :D) no fundo ela é uma rapariga tímida, reservada, confusa e que busca a amor do Cloud (sim é uma lamechise, mas eu gosto :|). Curiosamente ela é o oposto da Aeris que aparentemente é uma miúda doce e inocente, mas na realidade é atiradiça, “reguila” e extrovertida. O resto do elenco passou despercebido, é certo que alguns têm backstories intere… SHHHhhhhhhuuuuu tantantan Batalha!…ainda sobre o sistema de combate, é pena que o jogo seja tão centrado no grinding, se inicialmente é possível seguir o jogo de forma directa e linear, mais cedo ou mais tarde isso vai-se reflectir em pouca experiência, items, magias… enfim acabei por ser carne para canhão e torna-se impossível progredir. No meu caso aconteceu no final do 2º CD onde vi-me impossibilitado de continuar depois de esbarrar contra o Diamond Weapon, logo tive de recorrer à batota. É triste, mas seria a única forma de acabar o jogo sem andar a fazer grinding.

Tenho também que louvar a música. Muito boa, icónica, nostálgica, sentimental, cativante. É pena que a versão PC tenha uma qualidade ranhosa em MIDI, mas felizmente é possível sacar versões com melhor qualidade para as substituir. É realmente um dos melhores aspectos do jogo, podem-na ouvir aqui se quiserem.

O mundo de jogo é enorme, e isso nem sempre é um aspecto positivo para mim, já que prefiro experiências lineares. Mas felizmente o jogo diz sempre qual o próximo destino e objectivo o que é optimo, aliás é raro ter ficado encalhado sem saber para onde ir ou o que fazer de seguida. É um testamento do bom level design e planeamento à volta do jogo. A forma de progre… SHHHhhhhhhuuuuu tantantan Batalha! Há uma coisa que não gostei muito nas batalhas. Os summons. É verdade que inicialmente são engraçados, mas mais para o final quando passam a ser essenciais e obrigatórios eles tornam-se extremamente aborrecidos e entram num registo tão over the top e ridículo que se torna embaraçoso, para além de que consomem muito tempo.

Isto já vai longo. Concluindo, Final Fantasy VII foi uma boa experiência, tem os seus pontos baixos e a meu ver a nostalgia à sua volta elevou-o a um patamar demasiado alto (para ser sincero não faço ideia como se porta em comparação com os outros Final Fantasy, se calhar é mesmo primus inter pares). Mas esta foi a minha primeira experiência dentro dum JRPG por isso é normal que muita coisa não seja bem do meu agrado. Goste-se ou não este é daqueles títulos obrigatórios para qualquer pessoa que quer conhecer mais a fundo os videojogos, mais não seja porque arrasta tanta gente à sua volta e como tal foi um privilégio poder finalmente descobri-lo. Mais vale tarde que nunca.

 

Positivo:
+ História
+ Os protagonistas
+ Música

Negativo:
-SHHHhhhhhhuuuuu tantantan Batalhas aleatórias!
-Elevado grau de dificuldade
– Muuiitttooo loonnggoooo

 

Sai do templ… do PixelHunt com:


Comments
2 Responses to “Final Fantasy VII [1997]”
  1. Experimenta jogar o FFIX e depois diz-me o que achas…
    Para mim o melhor FF é o FFX para a PS2. =D

  2. Rulyan Fernandes diz:

    Final Fantasy 7 tem todo esse misticismo por que na época que foi lançado os jogos não tinham tanta profundidade como é agora em alguns RPG’s e jogos de aventura\ação. Voce tem que ver com os olhos de uma pessoa de 1997 onde não se tinham tantos jogos realmente bons para fazer comparações. Para todos naquele ano o FF7 foi um salto e criou novos patamares de qualidade forçou as empresas a dar mais profundidade as personagens e as suas historias, o lançamento do jogo fez um impacto em toda a indústria do game novos padrões de qualidade tanto por parte de emersão na história mas como detalhes gráficos foi revista o que acarretou em avanços vistos hoje junto com outros games que também empurraram a indústria de jogos aos padrões de hoje.

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