Tales of Monkey Island [2009]

Agora que acabei o Monkey Island 2 aproveito e despacho já o ultimo jogo da saga, o recente Tales of Monkey Island da Telltale. E como é da Telltale, é obviamente um jogo episódico, por isso vou jogando um a um e vou actualizando esta minha review enquanto os acabo.

Antes de mais vou já despachar a parte técnica. Da Telltale só tive a oportunidade de jogar a primeira temporada do Sam & Max. É um jogo que gostei, mas que a meu ver tinha alguns problemas em especial nas estruturas repetitivas da progressão narrativa. Seguia quase sempre o mesmo template o que por vezes tornava-o repetitivo e previsível. Felizmente o Tales não segue essa fórmula o que é bom. Os controlos que eram perfeitos no Sam & Max (point & click tradicional) sofreram um enorme retrocesso. Para controlar o Guybrush temos de arrasta-lo com o rato o que é extremamente desconfortável, ou controlamos com o teclado, usando o rato ao mesmo tempo para clicar no jogo. Esta é a melhor forma de jogar, embora não seja tão funcional como um tradicional point & click, é bem melhor que a usada no Escape from Monkey Island por exemplo. Visualmente… humm… não sei. A direcção artística é ok, mas os gráficos poderiam ser um pouco mais puxados. É o mesmo motor de jogo do Sam & Max e vê-se bem. Algumas animações também deixam algo a desejar, mas de forma geral escapa.

Episódio 1: The Launch of the Screaming Narwhal

O primeiro episódio não começa muito bem. Arranca a meio duma cena importante (cujas consequências se arrastam durante todo o episódio) e não nos é explicado como os três protagonistas chegaram aquela situação. Depois dessa sequência Guybrush chega à ilha de Flotsam que será o palco do resto do episódio. Toda a história do episódio soa a filler e pouco se desenvolve já que grande parte dela serve apenas para basicamente voltar ao ponto partida, ou seja voltar ao ponto onde deixamos a Elaine e o LeChuck. Há no entanto algumas excepções, a Voodoo Lady dá algumas deixas para o que vai acontecer no futuro e talvez mais importante a mão do Guybrush fica possuída ao estilo de Evil Dead, que é o mecanismo narrativo que faz mover a história em frente neste episódio (e calculo, no resto da temporada).

A escrita é mediana, não a achei particularmente inspirada, há algumas piadas que falham o alvo e é suportada por um elenco de secundários bastante discretos, apenas se safa o Winslow que é descaradamente o actor que dá voz ao Bosco no Sam & Max. Por falar em vozes, estão boas, ao nível do que a série nos vem habituando, mas fiquei triste pela voz do LeChuck ter mudado.

Os puzzles são na sua maioria bem acessíveis e lógicos, mas bastante desinspirados em especial os passados no labirinto da selva (o ultimo puzzle da selva é particularmente chato). mas para ser sincero prefiro puzzles deste estilo do que as insanidades de alguns dos anteriores jogos da série.

De qualquer forma foi um primeiro episódio agradável, com a duração certa e fiquei com vontade de seguir a história depois do mini cliffhanger. No entanto dá um pouco a sensação que é um jogo de 2ª linha, todos os aspectos são apenas ok e competentes, mas não se evidência em nada.

Episódio 2: The Siege of Spinner Cay

Este 2º episódio inicia-se exactamente no momento onde o 1º episódio terminou. Pode parecer uma observação óbvia, mas comparando com a forma como os episódios do Sam & Max se interligavam este é um enorme passo em frente. Se nos jogos da dupla policial dava sempre a sensação que estávamos a jogar cinco jogos distintos, aqui parece que é apenas um grande jogo, e a meu ver é assim que um jogo episódico deve funcionar.

E este episódio é melhor que o anterior? Nem por isso… está ao mesmo nível.  Os pontos fortes e fracos mantêm-se inalterados, felizmente a história anda em frente e há uma maior progressão narrativa. A sequência inicial é boa, a final mediana, mas a parte intermédia foi um pouquinho aborrecida com a sua tradicional e cliché sequência de busca de três artefactos. Soou muito a filler cuja única finalidade é apenas a extensão da duração do episódio até a história arrancar de novo.

Há algumas partes que gostei como a lição sobre puzzles que o Guybrush dá ao LeChuck, o triângulo (parece que vai progredir para um quadrado) meio romântico entre o Guybrush, Elaine, LeChuck e uma nova personagem a caçadora de piratas, Morgan LeFlay. As piadas são mais certeiras neste episódio e alguns diálogos conseguiram-me arrancar um sorriso. Notei algumas melhorias no motor de jogo, como o depth of field que não vi no primeiro episódio, de resto permanece tudo mais ou menos na mesma.

Agora que estou quase a chegar a meio do jogo posso dizer que está a ser divertido, é um jogo competente e que encaixa bem no tom da série.

Episódio 3: Lair of the Leviathan

Ah! Finalmente um excelente episódio, de longe o melhor até agora. Gostei do ritmo e da forma como não depende de fillers aborrecidos para estender a duração episódio. Raramente estive muito tempo a fazer a mesma coisa, os objectivos e mecânicas estavam sempre a mudar de forma a não causar fatiga, para além disso é mais linear e restrito o que para mim é bem melhor.

Toda a parte intermédia onde conquistamos a confiança da tripulação foi divertida e deu a sensação de que era realmente necessária e servia a um propósito (o que não aconteceu na busca pelas relíquias no episódio anterior que foi uma seca). Ajudou o facto de quase todos os personagens secundários estarem muito bem caracterizados. O grande Murray está de regresso, e está excelente (ele tornou os créditos finais hilariantes) e gostei da química entre o Guybrush e a Morgan.

O Pirate fece-off proporcionou alguns momentos de puro riso, o puzzle final onde dialogamos com… não quero estragar a experiência, segue a formula dos duelos de insultos dos anteriores Monkey Island, mas com um twist. A duração pereceu-me mais curta… ou se calhar estava-me a divertir mais e acabou por passar num piscar de olhos, o nível de dificuldade dos puzzles é bastante reduzida, excepção feita a um par deles que tive de ir procurar a solução.

All in all, bom episódio, vamos esperar que o nível de qualidade se mantenha  neste nível nos dois últimos capítulos.

Episódio 4: The Trial and Execution of Guybrush Threepwood

O que dizer deste 4º episódio? Posso dizer que fiquei dividido, tem aspectos bastante positivos e outros que nem por isso. Primeiro de tudo, lembram-se de no segundo parágrafo ter dito que o Tales of Monkey Island não seguia o template repetitivo dos episódios do Sam & Max? Esqueçam. Quer dizer, realmente não segue, mas segue o seu próprio template igualmente repetitivo…

Nos 4 episódios a sua estrutura passou sempre por encontrar 3 ou mais objectos para avançar com a história. No primeiro eram as notícias para o jornal, no segundo as relíquias, no terceiro a conquista da confiança da tripulação e agora chegaram ao ponto de fazer o mesmo em dois pontos distintos do jogo. Depois do terceiro episódio estava com esperanças que as coisas mudassem, mas é agora claro que vai ser assim até ao fim. É chato e isso reflectiu-se um pouco na forma como abordei este episódio, achei-o aborrecido sempre que não havia história.

Não sei o que se passou na cabeça do pessoal da Telltale, mas a dificuldade dos puzzles subiu em flecha neste episódio, alguns puzzles foram extremamente difíceis e desmotivadores. Este é obviamente um ponto positivo para quem quer maior dificuldade nos puzzles (é bem reminiscente dos anteriores jogos da série) mas para mim nem por isso, até porque eram obstáculos para o desenrolar da narrativa.

Sim, porque a história avança de forma vertiginosa neste episódio como nunca antes no jogo. Está carregado de twists, revelações, choques e momentos memoráveis. Consegue criar uma ligação emocional do jogador com as personagens duma forma que raramente aconteceu nesta série, e isso é surpreendente. Em termos narrativos este foi o melhor episódio até agora e um óptimo seguimento ao excelente 3º episódio, só é pena que a parte jogável não esteja ao mesmo nível.

Stan está de volta (infelizmente sem o mesmo actor), Earl Boen parece-me que voltou a dar voz ao LeChuck (pelo menos não é o actor dos primeiros episódios) e a Elaine esteve fantástica como pirata melévola e adorei a sua cat fight com a Morgan. Achei a escrita bastante boa, parece outro jogo comparado com os dois primeiros episódios neste aspecto.

Estou a gostar bastante da história , acho que a Telltale conseguiu dar algo que não tinha visto antes num Monkey Island. Vamos ver o que reserva o próximo e derradeiro episódio.

Episódio 5: The Rise of the Pirate God

Finalmente terminei o jogo! Este derradeiro episódio foi competente mas inferior aos dois anteriores. Para ser sincero achei a continuação do cliffhanger anterior uma desilusão. A crossroad e todas as trocas entre mundos não foi tão interessante como poderia parecer à primeira vista. No entanto até gostei da “viagem” do Guybrush muito semelhante à que o LeChuck viveu no inicio da série.

Para além da história não ter estado à altura, achei os puzzles demasiado semelhantes aos já vistos nos outros episódios, e acabaram por ser aborrecidos. Acho que foi o episódio mais longo dos cinco, há ali claramente algumas sequências que estão a mais e só servem para aumentar a duração do episódio e para ser sincero para o final já estava aborrecido e pensava para mim “isto nunca mais acaba?”. Mas pronto, fatiga à parte, acabou por ser um desfecho sólido para um bom jogo.

Tales of Monkey Island é de longe o mais emocional e cinemático dos cinco Monkey Island (fica à consideração de cada um se isso é ou não algo positivo) a qualidade da escrita varia bastante de episódio para episodio, mas acaba por estar a um bom nível. Como um todo Tales of Monkey Island consegue ser a terceira melhor entrada da série apenas batido pelos dois originais, vale portanto a pena.

Sai do templ… do PixelHunt com:


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