Casino Royale [2006]

Como o tempo passa a correr! Falo não só da maratona que está a acabar, mas também do Casino Royale que mesmo sendo um dos 007 mais longos, acaba num piscar de olhos.

Como já tenho vindo a dizer há bastante tempo, eu gosto muito do Casino Royale, por isso vou tentar focar-me um pouco mais nos aspectos menos positivos já que os positivos já todos nós conhecemos. Acho que a primeira coisa que salta à vista é a forma como demora a arrancar. A primeira hora (literalmente porque Montenegro começa mesmo na primeira hora de filme) é de longe a pior do filme e salvo algumas sequências nas Bahamas (para além da brilhante introdução) o filme é composto por duas enormes e excessivas cenas de acção que a meu ver consomem muito tempo que faria falta para outras partes da história. A sequência no aeroporto é particularmente representativa do que estou a dizer. É só quando chegamos a Montenegro que o filme realmente levanta voo e nunca mais desce, a partir desse ponto é quase perfeito. Bastava retirar uns 15 minutos das duas longas sequências de acção e aproveitar esse tempo para aprofundar algumas questões como a relação entre o James e a Vesper (relação essa que sofre um salto a meu ver demasiado grande após a cena da tortura) que iria melhorar bastante a história e a forma como ela flui.

Bem, acho que é só mesmo isso, o resto dos defeitos são mais nitpicking que outra coisa. O que me faz gostar a sério do filme é a forma como quebra tão radicalmente com o passado recente (nenhum dos anteriores reboots o fez desta forma) mas curiosamente consegue recriar um ambiente muito próximo dos primeiros filmes, transformando-o mais num filme de espionagem como nos bons velhos tempos e menos num de acção. Para além disso é composto por uma (larga) série de cenas memoráveis das quais destaco a introdução, a perseguição de parkour (embora como disse seja um pouco longa de mais) o primeiro encontro entre o James e a Vesper, a cena do chuveiro, do envenenamento, a tortura… chega a uma altura em que vem tudo encarrilhado e ficamos de tal forma colados que quando damos por isso já passou outra hora e o filme já está a acabar.

O Daniel Craig tem aqui uma estreia como Bond de sonho. O que gosto no seu Bond é a forma como a sua personagem tem defeitos, é impulsivo, egocêntrico, inexperiente e acima de tudo falha, e muito. Há uma cena que gosto muito e que mostra bem as suas fragilidades, quando ele perde tudo na mesa de poker, os seus aspectos menos positivos vêm todos ao de cima, surpresa por alguém ter levado a melhor, agressividade com a Vesper e o barman, impulsividade ao achar que a agressividade é a única saída quando parte em busca do Le Chiffre de faca em punho. Nenhum outro Bond faria isto. Para além disso tem algo que nenhum outro Bond tinha, é humano e como tal demonstra particularidades que todos nós temos. Ele usa uma máscara fria, mecânica e inexpressiva por cima duma personalidade que na realidade é afável e movida pela emoção e que só com a Vesper a conseguimos ver. Por muito bom que o Brosnan fosse (e era, eu acho-o um óptimo Bond) a sua personagem nunca atingiu algo próximo disto. É verdade que este é um Bond em inicio de carreira e coma tal mais inexperiente, mas não deixa de ser uma personagem mais rica e complexa que qualquer outro Bond.

Quase que podia dizer o mesmo em relação à Eva Green e à sua Vesper. Se calhar ela teve a vida facilitada porque à excepção de uma ou duas Bond Girls, nenhuma teve uma personagem tão rica que permitisse brilhar como a Eva teve. E a Eva (olha outra francesa… que surpresa…) é duma beleza hipnótica, aquele olhar…

Só uma pequena palavra também para  o Le Chiffre, mesmo não sendo o vilão principal (até é, mas ele acaba por ser apenas um peão no tabuleiro) consegue ter uma presença bastante intimidadora, não em termos físicos mas principalmente pelo seu comportamento e pelo olhar gélido. É o melhor vilão Bond desde…. há muito tempo.

Isto já vai longo. Amanhã termina de vez a minha maratona com o Quantum of Solace (vai haver ainda um especial nos próximos dias). Acho que me vai fazer bem revê-lo porque da única vez que o vi, no cinema, saí um pouco desiludido (embora tenha consciência que é um bom filme) talvez ao vê-lo uma segunda vez, já sem aquelas enormes expectativas o consiga desfrutar melhor.

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