Once Upon a Time in America – Era Uma Vez na América [1984]

Terceiro filme de temática gangster (embora este seja mais que isso). Agora a escolha recaiu no Once Upon a Time in America do Sergio Leone.

Estava um pouco relutante, principalmente por causa das quase 4 horas de filme, mas acabei por vê-lo em duas partes, uma ontem de noite, o resto hoje de tarde e… uau! A sério… uau! Poucos filmes causaram-me um impacto tão grande nos últimos tempos (só me lembro do Inception), nas horas seguintes ao visionamento estive a trabalhar e até agora ainda não me saiu da cabeça. Se tivesse mais tempo e se não fosse tão longo acho que o revia agora mesmo.

O filme é um enorme épico à moda antiga, com elevados pruduction values, uma lindíssima banda sonora (do Morricone), uma esmagadora atenção ao detalhe e uma história que se expande por três períodos distintos durante meio século, sim its that big! É daqueles filmes que dificilmente seriam feitos hoje em dia. A narrativa segue um intrincado plano de flashbacks entre os três períodos temporais (anos 20, anos 30 e 1968) que surgem de forma desordenada. Pelo que estive a pesquisar parece que o filme foi retalhado de forma selvática para a exibição nos EUA, onde para além de cortarem muito filme colocaram-no por ordem cronológica! Impensável! Mas por acaso até gostava de ver essa versão, apenas como curiosidade.

Não me vou alongar muito porque o objectivo destes textos é serem o mais breves possíveis, mas queria apenas destacar a minúcia do argumento. As personagens são tão realistas e credíveis (um contraste com as do The Untouchables que falei ontem) e a forma como são moldadas pelo meio e principalmente pelo tempo acho que está genial. É mostrada a forma como os gangsters nascem, ou seja nas ruas, no meio da pobreza, e todos os personagens  e as relações entre eles (amizade, traição, violência) são frutos das adversidades da vida. Isso é visível no grupo de protagonistas em especial no Noodles, interpretado pelo Robert De Niro.

A cena da violação é uma das mais importantes do filme e espelha bem a dualidade da personagem. Para além de ser uma cena brutal, chocante e inesperada (é o protagonista o violador), a forma como vem precedida por um momento tão terno torna aquele momento quase surreal. Nessa altura não sabemos bem o que pensar do Noodles, mas sem querer desculpar qualquer violador (longe disso), é um pouco compreensível (não é mas sigam o meu raciocínio) o porquê de ele ter feito o que fez. Ele cresceu num ambiente complicado, os momentos afectivos íntimos foram mínimos, e a única família eram os amigos da rua, e os gangsters da zona, e pior, quase metade da sua curta vida foi passada dentro duma prisão. É inegável que o Noodles amava a Deborah, e é isso que torna a cena mais chocante e triste, por ela e por ele, porque aquela é a imagem da pessoa que ele é, uma criação do mundo em que cresceu ao qual ele em parte não é responsável. É quase como houvesse dois Noodles, o real e o que ele quer ser. Mal sai do carro ele é invadido pelo arrependimento e sentimento de culpa.

Eu dou muita importância a personagens, especialmente protagonistas, que não caem em extremos e vão além da superficialidade. O Noodles é humano e como humano que é, falha, erra e tem o seu lado negro para além das suas virtudes. Dá um maior realismo ao filme e ao contrario do que possa parecer torna mais fácil criar uma ligação com a personagem.

Pelo que tenho lido, à teorias que apontam parte do filme como um sonho… é possível, mas pessoalmente prefiro ver as coisas de forma mais linear, pelo menos tiro mais prazer assim. Uma questão para quem souber. A versão correcta do filme tem 229 minutos, no entanto aqui na caixa do DVD vem indicado 220 minutos. Será que esta é outra versão um pouco mais curta? Se for eu quero ver os outros 9 minutos 😦

Antes de começar esta pequena retrospectiva tinha colocado uma regra de só ver filmes que ainda não tinha visto, mas nos próximos vou abrir uma excepção. Pelo que tenho lido o Mafia 2 partilha muitas semelhanças com o Goodfellas, logo irei revê-lo de seguida. E depois vou para o Godfather (se revejo só o primeiro ou a trilogia ainda não decidi) mais para recordar “como se porta” depois de ter visto o Once Upon a Time in America, porque hoje acho o filme do Sergio Leone superior, preciso de refrescar a memória e rever o filme do Coppola.

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