F1 2010 [2010]

Finalmente a licença da F1 saiu das mãos da Sony, e oito anos depois voltamos a ter um jogo de F1 oficial no PC. Será que me consegue fazer esquecer os dissabores da Mclaren na vida real?

Já houve tempos em que a Codemasters era uma das minhas editoras favoritas. Era o tempo do TOCA e do magistral Colin Mcrae Rally, estes foram dos primeiros jogos que conseguiram introduzir elementos realistas num jogo mais comercial acabando por quebrar um pouco as disparidades do mercado. Ou havia jogos arcada como Sega Rally e Screamer ou simulações puras como Grand Prix 2 e os simuladores da Papyrus.

Desde então essa mistura de estilos tornou-se norma. E ao mesmo tempo, os jogos da Codemasters vieram aos poucos a cair a pique. A série Race Driver, a série Dirt e Grid foram jogos extremamente populares mas pessoalmente achei-os terríveis, especialmente o Grid. Foi com alguma relutância que soube que a licença da Formula 1 tinha passado para as suas mãos. Será que vinha aí um Grid mascarado de F1?

O maior salto qualitativo de F1 2010 em relação ao Grid é a IA, ou melhor a forma como os carros adversários se comportam, porque parece que a IA em si tem graves problemas, mas já lá vamos. É uma diferença abismal, longe estão os adversários kamikaze que se enfaixavam no nosso carro curva sim, curva sim do Grid. Embora tenha alguns problemas como a dificuldade em dobrar o jogador e a incapacidade de fazer certas curvas sem abrandar em demasia, normalmente as corridas correm sempre bem, sem grandes acidentes e as defesas e contra ataques durante as ultrapassagens estão bastante boas. A contrapartida que referi inicialmente é a forma como a Codemasters programou a IA. Basicamente durante a corrida, o jogo não simula os carros adversários, a cada carro é atribuído um tempo aleatório e o jogo coloca-os em pista de acordo com esse tempo. A olho nu pode parecer que tudo corre as mil maravilhas, mas quando se começa a ver as disparidades entre os tempos e a posição em pista é quando o caldo se entorna. Depois de se saber desta “batota” torna-se difícil levar o jogo a sério. O mais grave é que isto não é um bug, mas sim uma decisão da Codemasters.

Mas quem conseguir colocar isso de parte, F1 2010 pode ser muito gratificante. O ponto forte do jogo é sem dúvida o sistema climatérico dinâmico. Uma corrida pode começar seca e a meio cair um temporal, cabendo ao jogador adaptar-se às condições da pista. E quando ela fica completamente alagada o jogo transfigura-se para uma experiência quase única. Desde o Grand Prix 4 em 2002 que não via um sistema climatérico tão bom como este, bem melhor que os da Simbin por exemplo.

Graficamente, tal como se espera do motor de jogo EGO, é irrepreensível, no entanto não muito bem optimizado. Corre bem pior que o Dirt 2 sem que a melhoria gráfica o justifique (o Dirt 2 continua a ser mais bonito). Sim, corre mal no meu PC e sou obrigado a baixar os detalhes para níveis mínimos e para uma resolução sub HD. Fica uma mescla de pixels e aliasing, mas o fundamental para mim num simulador são os frames por segundo. Mas num PC decente esperem visuais muito acima da média, embora ainda prevaleça a péssima tonalidade desaturada sépia e o típico orgasmo de bloom já típica nos jogos da Codemasters.Esperem também por algumas deficiências de modelagem, quer seja de algumas pistas como dos carros que estão desactualizados. São os carros que começaram a época, nem sequer actualizaram os espelhos retrovisores que foram alterados no inicio da época por deliberação da FIA.

Tal como é habitual na produtora britânica, a condução é uma mescla entre simulação e arcada, sendo que aqui a prevalência recai mais no realismo (pelo menos em comparação com o Grid). Embora os carros tenham aderência a mais (o que explica a possibilidade de fazer tempos que esmagam os reais) e perdoem os pequenos erros do jogador, há uma óbvia atenção à forma como os F1 se comportam. É necessário dosear o acelerador (especialmente nos carros mais fracos) porque a possibilidade de derrapar e perder aderência é bem real, especialmente quando se tenta puxar o carro ao máximo para encontrar aqueles décimos. Se na condução tem uma faceta de simulação nos danos nem por isso. Os danos exteriores são bastante irrealistas. A destruição física é anedótica (e não afecta a performance dos adversários) e basicamente não existe falhas mecânicas, nem de motor, nem caixa nem quase nada. A excepção são os furos de pneus, que curiosamente são demasiado frequentes.

As regras não estão todas presentes (não há safety car, voltas de aquecimento, etc) e a forma como as penalizações são atribuídas simplesmente não funciona. O jogador é sempre o penalizado em toques e colisões mesmo que não tenha o mínimo de culpa e a forma como o jogo anula voltas (em time trial) por cortar curvas é demasiado rígida.

Para além do desporto em si, F1 2010 tenta recriar o espectáculo à sua volta e o estilo de vida dum piloto. É possível “andar” pelo paddock (faz parte do já habitual sistema de menus dos jogos da Codemasters) podemos fazer entrevistas, conferências de imprensa, falar com a manager e por aí fora. Tudo isto pouco mais é que uma gimmick, mas não deixa de ser diferente e original.

Há no entanto claros problemas com o jogo. O numero de bugs é preocupante sendo que alguns deles são gravíssimos como o que obriga o jogador a esperar por todo o pelotão nas boxes, deitando por terra todo o esforço do jogador. Também estranho é a disparidade do nível da IA entre a corrida e a qualificação. Se a corrida é desafiante q.b. nos níveis superiores de dificuldade, a qualificação é quase sempre demasiado fácil, já que os tempos da IA são quase sempre muito baixos.

Tal como na F1 real, é impossível uma equipa completamente nova ganhar corridas no primeiro ano, é necessário crescer com o tempo e ganhar experiência. F1 2010 é um bom inicio de franchise (esperem lançamentos anuais à lá FIFA), há aqui muito potencial e certamente à terceira ou quarta incursão a Codemasters deverá conseguir ter um excelente jogo de F1. Para já temos um jogo carregado de bugs que quando tudo corre bem pode ser excelente e gratificante, no entanto nem sempre tudo corre bem.

Positivo:
+ Gráficos
+ Condução divertida

Negativo:
– Está ainda muito verde
– Bugs, bugs, bugs
– Ausência de realismo em alguns aspectos
– Má optimização no PC

 

Sai do templ… do PixelHunt com:


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