Repulsion – Repulsa [1965]

Um Hat-Trick de excelentes filme, depois de Les Diaboliques e The Haunting, mais um filme que adorei. Repulsion foi o  primeiro filme em inglês do Roman Polanski.

Repulsion é assustador, não tanto pelas cenas de susto (embora algumas delas como o breve vislumbre dum homem no espelho me tenha assustado) ou pelo excelente trabalho sonoro, ou pelas mortes, ou pelos pesadelos de violação da protagonista, Carol (que imagino que assustará mais as mulheres) mas pela Carol em si. É assustador ver o quão fundo uma pessoa pode descer no vazio da loucura da sua doença mental e é angustiante ver e não poder fazer nada.

Sim é um filme e tal, mas achei o percurso destrutivo dela muito perturbador. É desde logo visível nos primeiros minutos que algo não está bem com ela. Tem tiques nervosos , um olhar vazio,  obsessões e tenta evitar os homens a todo o custo. Para além disso é extremamente reservada e um pouco infantil. Quando a certo ponto a sua irmã decide viajar deixando-a sozinha em casa é impossível não ficar preocupado e pensar “isto vai dar problemas”.

E de facto imediatamente Carole começa a entrar numa espiral de loucura e é particularmente angustiante ver o seu estado a deteriorar-se cada vez mais. Ela é uma mulher extremamente doente em termos psicológicos, é obsessiva-compulsiva, esquizofrénica, reprimida sexualmente e sente repulsa dos homens e do sexo. Todas as noites ela tem visões dum homem a entrar no seu quarto e a viola-la, e toda a casa se transforma durante as alucinações, com enormes rachas e mãos que surgem das paredes para a apanhar. Aquele apartamento torna-se num mundo surreal alimentado pela loucura da Carol. Com o passar do tempo ela deixa de sair de casa, deixa de se tratar e ignora o espaço à sua volta (visível pelo coelho e as batatas a apodrecer na sala) e regride cada vez mais para um estado mais infantil e quase primitivo, sempre obcecada pela sua fixação pelo sexo.

Não sei se a origem da sua obsessão e repulsa de deva exclusivamente à repressão sexual ou por algum episódio passado. A cena final (muito boa e muito creepy) onde se foca a fotografia de familia dá a entender que ela poderá ter sido violada pelo pai (vamos supor que era o pai) em criança. Seria uma boa explicação do seu comportamento psicótico tão centrado na violação, sexo e repulsa.

A grande Catherine Deneuve era muito, muito bonita em nova (e em velha, ela é daquelas mulheres intemporais que é sempre lindíssima). A Carol tem um tipo de beleza muito particular o que explica a atracção que exerce em todos os homens do filme. Para além da beleza, a Catherine tem uma óptima interpretação, com muito poucos diálogos, mas conseguiu passar muito bem aquele olhar perdido no vazio. Também queria destacar a excelente cinematografia e a utilização do som. É cada vez mais óbvio, agora que ando a ver tantos filmes de terror, que o som é uma das partes mais importante para criar um ambiente e uma atmosfera de terror.

Este filme simboliza bem uma mudança que por esta altura se começava a ver no género. Antigamente os filmes de terror centravam-se quase todos em locais fantásticos, distantes e com poucas semelhanças com o nosso dia-a-dia. Era uma forma de escape, a pessoa ia ao cinema assustar-se com locais e pessoas irreais. A certa altura o terror começou a deslocar-se para locais que todos conhecemos, um pais como o nosso, uma cidade como a nossa, um prédio como o nosso e um apartamento que também podia ser o nosso. Foi uma forma de tornar o medo mais pessoal e mais presente fora das salas de cinema.

Gostei muito do filme, é um excelente exemplo de bom terror psicológico, algo que o Polanski viria a repetir mais tarde com o Rosemary’s Baby e o  The Tenant. Aliás a estes três filmes costumam chamar de a “trilogia do apartamento”.

Como disse no parágrafo introdutório vou numa sequência de três excelentes filmes, e o melhor de tudo é que vão ser quatro, porque o próximo é um dos meus favoritos, O Exorcista.

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