The Exorcist – O Exorcista [1973]

Saltamos quase dez anos para a década de 70 e para o primeiro filme a cores da minha lista. Este é também o primeiro filme que eu já tinha visto (excluindo o Freaks) e um dos meus favoritos. Falo é claro d’O Exorcista.

Excluindo as vezes em miúdo, o visionamento que me lembro melhor, e um dos mais recentes foi durante o relançamento nos cinemas da versão Director’s Cut em 2000. Vi-o no cinema e posteriormente em DVD e foi uma experiência muito diferente da que me lembrava. Em criança via o filme simplesmente como uma coisa assustadora, mas vendo-o em adulto a minha percepção mudou por completo. A principal conclusão a tirar não é tanto o medo que o filme provoca, mas a realização que mesmo sem essa vertente, O Exorcista é um excelente filme.

Acho que o principal trunfo é como me faz acreditar que as situações ridículas retratadas pareçam plausíveis. Eu sou completamente Ateu e não acredito em nada minimamente sobrenatural, logo situações em que demónios se apoderam duma criança, cabeças a girar e padres a fazerem exorcismos são muito difíceis de levar a sério, e então num filme como este, que se leva extremamente a sério é uma receita para o desastre… ou para a chacota. Mas a genialidade do filme é que consegue fazer isso mesmo, é filmado de forma tão realista que mesmo as situações mais absurdas se transformam em algo extremamente sério e plausível.

Há alguns pontos que são importantíssimos para conseguir criar a excelente atmosfera que tem. Um deles é um facto que referi na critica ao Repulsion. É o terror no nosso dia-a-dia, na nossa casa, num ambiente familiar. Isso é essencial para aqueles momentos em que estamos sozinhos em casa e pensamos duas vezes quando temos de passar pelo corredor escuro. Outro ponto é a vitima da possessão ser uma criança. Todos nós ficamos desarmados quando uma criança se vê envolvida em situações fora do normal, e ainda mais quando é a personificação duma ameaça tão perigosa.

O ritmo do filme é muito bom, a forma como constrói o ambiente durante a primeira hora, como praticamente anestesia o espectador atirando-lhe pequenas migalhas de tensão para o manter preparado é magistral. Cada uma dessas “migalhas” mostra a constante evolução da Regan e cada migalha vai-se tornando maior e mais perturbadora. Por fim durante a fase final o filme dá tudo o que tem, obrigando o espectador a reagir e a aguentar a viagem.

O elenco é óptimo, em especial a pequena Linda Blair que tendo em conta a idade e o que teve de fazer é realmente impressionante. A música é hipnótica, a fotografia e a realização do Friedkin são a cereja no topo do bolo deste grande clássico. Goste-se ou não do filme (e há muita gente que não gosta) é inegável que é um dos essenciais do género.

Cheguei então a meio da maratona, vou no 10º filme de 20 e o próximo é outro clássico, The Texas Chainsaw Massacre.


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