Profondo Rosso [1975]

Mais uma pequena pausa, mas a maratona continua. E continua na década de 70, agora viajamos para Itália para descobrir o Giallo com Profondo Rosso.

O Giallo é basicamente um estilo literário e cinematográfico que surgiu na Itália, e que no fundo é uma mistura de thriller e suspense com elementos de terror (o sangue e gore são peças centrais). Dario Argento é um dos símbolos deste movimento.

O único filme que vi do Dario foi só mesmo o Suspiria, de que gostei bastante. Talvez por causa disso, o Profondo Rosso era um dos filmes da minha lista em que depositava mais expectativas. Posso dizer que foram superadas, gostei muito e em muitos aspectos achei-o melhor do que (me lembro) do Suspiria.

O que mais gostei no Suspiria era aquele ambiente único, aquela mistura de sonho, surrealismo com uma violência muito estilizada banhada naqueles jogos de luzes que davam ao filme uma personalidade muito própria. Surpreendentemente Profondo Rosso não vai pelo mesmo caminho, é até bastante diferente no tom que apresenta. Ele é acima de tudo um thriller de investigação (quem me conhece sabe que eu adoro uma boa história de crime policial) onde o protagonista passa todo o filme a seguir uma pista atrás da outra até ao climax final em que o assassino é descoberto.

Profondo Rosso tem menos aspectos de terror que Suspiria, é mais realista, não tem elementos sobrenaturais (o que para mim é uma mais valia, nunca fui fã do desfecho do Suspiria) e é muito mais negro e down to earth. Curiosamente também tem alguns momentos de boa comédia. Achei a história muito bem executada, a primeira revelação foi uma enorme desilusão porque me pareceu extremamente forçada e levantou alguns plot holes demasiado descarados, nessa altura pensei algo tipo “mas ele não podia ter morto a primeira vitima… era impossível…”.

Quando pensava que o filme ia acabar com aquilo o Marcus pára e pensa “mas ele não podia ter morto a primeira vitima… era impossível…”. Esse momento foi particularmente bom porque parecia que ele estava a seguir os meus pensamentos, e a partir daí a segunda e verdadeira revelação foi muito boa, e fez todo o sentido. Adorei o pormenor do quadro, só para tirar as dúvidas, voltei ao inicio do filme e de facto lá estava… bem à nossa frente. Muito bom.

A realização do Dario é óptima, bem ao seu estilo, muito recto, calculoso, clínico, frio, quase como se fosse um exercício matemático. Cada cena é filmada de forma quase mecanizada e muito planeada. Algumas cenas são geniais exercícios de suspense. A visita do assassino à casa do Marcus é absolutamente brilhante, um dos pontos altos do filme.

No entanto achei-o um pouco longo de mais, algumas cenas arrastaram-se sem grande necessidade. Por exemplo quando o Marcus escorrega e desce prédio abaixo. Temos que aguentar com toda a escalada… e como essa há outras que poderiam ser encurtadas.

A musica é boa e grita anos 70 por todos os lados, mas sinceramente acho que estraga algumas cenas de grande tensão. Noutras funciona melhor. Outro aspecto sonoro que me fez confusão são as dobragens. Quase tudo no filme é dobrado em pós-produção (no caso do David Hemmings é compreensível) o que dá um efeito muito barato.

Gostei, valeu bem a espera e só posso aconselhar. Acho que quem gostar duma boa história de crime e mistério clássico vai certamente gostar de Profondo Rosso. Amanhã é para rever o Dawn of the Dead.

Que trailer brutal, borrei-me todo:/

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