Dead Rising 2 [2010]

Aviso desde já que não terminei o jogo, deixei-o a meio. Logo quem achar que o resto do texto se torna irrelevante por isso, podem parar por aqui.

Como sabem só jogo no PC, e embora não haja grande coisa exclusiva às consolas que me desperte o interesse, o Dead Rising original, para a Xbox 360 era uma das excepções. A ideia de ter um centro comercial carregado de zombies para matar com qualquer objecto era muito aliciante, era basicamente um Dawn of the Dead em formato jogo. How cool is that!? Fiquei obviamente contente com o anuncio da sequela para o PC, era a oportunidade de descobrir uma das poucas razões para comprar uma Xbox.

O inicio do jogo é óptimo, é a realização perfeita da ideia que tinha. Zombies, zombies e mais zombies. Dezenas deles, centenas! Fiquei sinceramente surpreendido com a quantidade de mortos-vivos que o jogo consegue renderizar ao mesmo tempo, coloca o Left4Dead num canto. Mas o sorriso que estava estampado na minha cara aos poucos começou a desaparecer e a dar lugar a desapontamento.

O grande problema de Dead Rising 2 é precisamente o seu maior aliciante. O objectivo do jogo é matar zombies. Ok eu sabia isso, e era por isso mesmo que o queria jogar, mas depois do efeito novidade terminar… tornou-se num espectáculo de repetição, aborrecimento e frustração. Dead Rising 2 (imagino que o jogo original seja idêntico) nasceu por causa duma boa ideia mas não conseguiu construir para além disso. Qualquer fã do género sonha em recriar os acontecimentos de Dawn of the Dead, onde os protagonistas fechados num centro comercial limpam os corredores de zombies e brincam com todos os produtos e materiais disponíveis num centro comercial (no jogo temos também um complexo de casinos). O pessoal da Capcom obviamente sonhava com o mesmo e decidiram fazer um jogo que centrasse precisamente nisso, só que o resto da estrutura do jogo não é suficientemente forte e sólida para aguentar uma premissa tão simples como essa.

Como disse no primeiro parágrafo não acabei o jogo, no final do 1º dia de jogo (são 4 se não me engano) já estava saturado, mas dei mais uma oportunidade para ver se as coisas evoluíam. O jogo melhorou mas a base  manteve-se estagnada e só me consegui arrastar até ao 3º dia, depois simplesmente desisti. Ou os últimos dias de jogo introduziram novas e refrescantes mecânicas de jogo tornando Dead Rising 2 num jogo completamente diferente, ou pouco me engano e o resto seria o mesmo calvário para mim.

Obviamente reconheço que os aspectos de que não gostei podem não ser necessariamente defeitos, mas aspectos intencionais por parte dos developers, porque há uma legião de fãs que obviamente as apoia. Provavelmente o jogo pede ao jogador que entre num estado de espírito e jogue duma forma que simplesmente não é a minha, eu sou fã de jogos que pedem o mesmo e dos quais faço parte do grupo contrario.

Digo isto porque vou falar bastante mal de Dead Rising 2. Foi um dos piores jogos que joguei em 2010 (verdade seja dita também não joguei muitos) e certamente a maior desilusão. Fiquei boquiaberto como é que este era um dos jogos que me faziam equacionar (não que alguma vez o tenha feito de forma séria) a compra duma consola, imaginem o meu arrependimento se eu o tivesse feito! Será que os outros que estão no mesmo saco serão desilusões como esta?

Pois bem, por onde começar? O sistema de saves. Não é nada de muito extraordinário, o jogador só pode salvar nas várias casas de banho de Fortune City. Estão a jogar há uma hora, entraram numa boss battle e esqueceram-se de gravar? Morreram, foderam-se! Toca a repetir toda a hora de jogo. Sim, perderam uma hora do vosso precioso tempo livre para nada!  Nem sequer há save points… Estamos na NES nos anos 80 ou no PC em 2010? F5 quick save, F6 quick load, thank you very much! Deveria ser algo mandatório para jogos no PC. Sim, eu sei que é tudo uma questão de gostos, há quem prefira assim… mas eu não :p

Os zombies devem ser aliens mascarados de humanos em decomposição porque o sangue deles tem que ser ácido. Todos os objectos que podem servir como armas têm um número limitado de uso. Tipo aguentam sei lá… 20 mortes e destroem-se. Objectos mais frágeis até é compreensível, mas cenas de ferro e aço não. Ok, se não tivessem um tempo de vida limitado todos usariam o mesmo objecto o jogo todo e tornaria-se demasiado fácil, mas é chato e há certamente melhores formas de implementar isto.

Para além de todo o jogo ser muito repetitivo, porque basicamente a história consiste em ir de ponto A para B dentro do tempo limite e repetir ad infinitum, as missões secundárias não têm o mínimo pingo de criatividade. São basicamente escort missions onde o objectivo é salvar sobreviventes. O resultado final é quase sempre frustração por causa da IA, houve um caso particularmente frustrante que era uma velhota só descia as escadas rolantes pelo sentido contrario, logo não saía do mesmo sitio. Após vários minutos de tentativas, desisti e ofereci-a como comida de zombies. Todas as missões principais ou secundárias têm um tempo limite. Aliás o jogo em si tem tempo limite. É especialmente engraçado ter que “re-jogar” um capitulo inteiro porque não o terminei a tempo. Dead Rising 2 adora fazer perder tempo ao jogador.

A história é muito simples e muito pateta com muitos momentos cómicos nonsense. Até gosto do tom da narrativa, mas por vezes misturam momentos sérios que definitivamente não encaixam bem no resto do jogo. Falo em especial da narrativa à volta da filha do protagonista. Mas de resto Dead Rising 2 leva-se muito pouco a sério e ainda bem.

Mas nem tudo é mau. O port é excelente, corre bastante bem no meu PC, os controlos são bastante pesados e lentos mas raramente chegam a incomodar. E depois é a premissa básica que como já disse tem muito potencial. A liberdade é enorme e o protagonista pode pegar em quase tudo no mundo e inclusive juntar diferentes objectos para criar uma arma ainda mais destruidora que nos dá mais experiência. Sim porque Dead Rising 2 tem um sistema de experiência ao estilo dos RPG, quanto mais mortes e pessoas salvarmos mais o protagonista sobe de nível. Outro aspecto engraçado é que também quase todos os produtos como vestuário, calçado, penteados, etc podem ser usados e diversões e serviços podem ser usufruídos.

Se calhar Dead Rising 2 é um bom jogo (e nem falei do multiplayer e do co-op, leaderboards e outros aspectos que não me cativam), para quem gosta das suas mecânicas certamente é. Eu pessoalmente achei-o uma desilusão e um produto pouco cativante que depois dos primeiros minutos pouco ou nada mostrou de novo para me manter agarrado.

Positivo:
+ Muitos zombies e muitas formas de os matar
+ Bom port, como já é habitual por parte da Capcom

Negativo:
– Perde todo o gás depois da 1ª hora
– Pouco acrescenta à ideia original
– Repetitivo, repetitivo, repetitivo

 

Sai do templ… do PixelHunt com:


Comments
One Response to “Dead Rising 2 [2010]”
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  1. […] acontecesse? Óbvio que não. Consigo ver alguma defesa em casos como Dead Island ou Dead Rising, mas mesmo assim as suas fundações são centradas na ideia de que é um jogo e como tal deve […]



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