Uncharted: Drake’s Fortune [2007]

Cometi a loucura de comprar uma PS3, como tal, está na altura de jogar alguns jogos que por uma ou outra razão não vieram parar à plataforma superior da master race, o PC. O primeiro da lista é a série Uncharted.

Como fã da série Tomb Raider que sou, foi bastante irritante nos últimos anos ouvir pessoal a deitar abaixo a Lara e as suas aventuras por causa dum novo jogo chamado Uncharted. Diziam as más línguas que era um Tomb Raider da nova geração que a tornavam numa relíquia do passado. Não dava para ter uma conversa sobre Tomb Raider sem ter que vir a porcaria do Uncharted à baila. Obviamente ganhei um ódio de estimação pela série da Naughty Dog mesmo sem nunca ter jogado. Como podem compreender, foi complicado partir para o jogo de forma imparcial e sem uma mentalidade super exigente e crítica.

Outros dizia-me que ambas as séries são muito diferentes e não dá para as comparar. “Óptimo!” pensei eu. O problema é que a primeira hora é EXACTAMENTE como um Tomb Raider! Pior ainda… é MELHOR que grande parte dos Tomb Raider! Por esta altura fiquei em estado de choque (vá, pronto estou a exagerar) “tinham razão! isto é um novo Tomb Raider! O que é que andei a perder!” Depois cheguei a uma arena onde apareceram dezenas de inimigos que parecem esponjas a comer balas, e repeti a mesma batalha centenas de vezes ao longo do jogo. Nesse momento sorri e pensei “Everything went better than expected, Tomb Raider continua rei!🙂 “

Obviamente estou a brincar e a exagerar, não vou crucificar o jogo só porque se apoia tanto em combate repetitivo, ele tem aspectos positivos que conseguem balancear as coisas. Mas como um todo, Uncharted é menos jogo que poderia ter sido e é mais desinspirado do que merecia. Tenho consciência de que provavelmente estou a pedir ao jogo mais do que ele quer ser, como tal, poderei vir a ser um bocado injusto com ele.

Uncharted é um jogo de acção, ao estilo dum Gears of War. Sim tem elementos de aventura que lhe fazem muito bem, mas no fundo é um Gears of War passado numa ilha luxuriante. Ele tinha potencial para ser um novo Tomb Raider ou Prince of Persia, mas não quis ser, and that’s ok, nada de mal com isso. Mas como fã de jogos de aventura, acho que só fazia bem à Naughty Dog fazer de Uncharted algo mais que um jogo de acção.

Uma das artes do bom game design é nunca deixar que o jogador se canse e se aborreça. Para conseguir isso o jogo deve saber mudar de objectivos, cenários (não falo em termos visuais, mas  sim na parte prática) e mecânicas de forma constante. É sempre refrescante quando somos abordados por um desafio completamente distinto após uma tarefa que nos deu trabalho. Os grandes jogos fazem isso (vejam os jogos da Valve) Uncharted infelizmente não consegue fazer a tempo inteiro. O jogo apoia-se quase exclusivamente na mesma mecânica, uma pequena arena com locais para nos protegermos e duas ondas de dezenas de soldados aparecem. O combate não mau, o problema é que acabam por torna-lo em algo maçador ao repeti-lo ad nauseum, o jogador raramente é recompensado depois de mais uma arena. Chega uma altura em que se torna extremamente previsível e repetitivo. Os puzzles e a exploração ajudam a tirar o sabor azedo da boca, mas são muito raros, acessíveis e/ou simplesmente não funcionam. No entanto, tenho que realçar que os últimos níveis do jogo conseguem fazer este balanço de forma bastante eficaz.

Uncharted é extremamente linear ao mesmo tempo que nos dá a ilusão de que não é. Isso é óptimo, no entanto esbarra com o lado explorador que o jogo quer ser mas não consegue. Um Tomb Raider apresenta-nos um cenário como se fosse um pequeno playground, podemos ir para quase todo o lado nesse nível. Em Uncharted basta desviar do corredor  para encontramos paredes invisíveis ou mesmo a morte mesmo que a queda seja de poucos metros. Houve uma sequência que me irritou profundamente, Nathan estava numa plataforma e sem querer cai para a água lá em baixo onde tinha passado na mota de água minutos antes. O jogo não aceita que o jogador se desvie do caminho por isso… morri. Um jogo que quer ter exploração não pode fazer isto.

Se na exploração o jogo falha, nas partes cinemáticas ele brilha. As actuações dos actores virtuais, o voice acting e a forma como as cenas estão montadas é sublime. A ajudar encontramos dois protagonistas muito apelativos e fáceis de criar empatia. Elena e especialmente Nathan são uns porreiraços, o resto do elenco não deixa saudades, sim incluindo o Sully. A história é uma clara homenagem e inspiração aos clássicos de aventuras como Indiana Jones e Romancing the Stone com os habituais clichés, mas resulta na perfeição. Foi por causa da história e dos protagonistas que aguentei o combate, por isso vale mesmo a pena. mas claro têm que ter em conta que tipo de história é, ou seja é uma aventura típica das matinés de domingo.

Graficamente é bastante bonito, embora não seja um portento técnico, artisticamente é lindíssimo, embora demasiado repetitivo, ao usar constantemente os mesmos art assets. Mas onde Uncharted brilha tecnicamente é nas animações, muito, muito boas, extremamente realistas.

Passei grande parte do texto a realçar os aspectos negativos, mas na verdade de forma geral foi uma boa experiência, podia e merecia ser melhor, mas não me posso queixar. Estou ansioso para jogar a segunda parte. Foi um bom inicio de descoberta da PS3 depois das desilusões das demos do Little Big Planet e do Killzone 2.

Positivo:
+ Voice acting e cutscenes
+ Visuais e animações
+ Super polido e elevados production values
+ Bom inicio e final…

Negativo:
– … parte intermédia secante
– Combate, combate, combate, combate, combate, combate, combate…
– Repetitivo

 

Sai do templ… do PixelHunt com:


Comments
4 Responses to “Uncharted: Drake’s Fortune [2007]”
  1. Sim, os tiroteios foram uma das coisas que mais odiei no primeiro Uncharted. Eu ainda nem tinha chegado ao tiroteio propriamente dito e ao fundo já conseguia vislumbrar um cenário “habilmente” montado para que surgissem inimigos de todos os cantos e mais alguns.

    Eu só o continuei a jogar porque as personagens são fantásticas e a história até muito bem esgalhada… Mas enquanto concordo contigo em tudo quando falas de Tomb Raider comparativamente ao primeiro Uncharted (além de eu ser daquelas pessoas que diz que as duas sagas só partilham o género entre si!) o segundo jogo deixa a mamalhuda mais famosa dos videojogos corada de vergonha por parecer uma brincadeira de crianças da pré-primária! E olha que eu AMO o Legend/Underworld por isso imagina só como não estará o segundo jogo eheheh

    Tens mesmo de partir para o segundo título mal tenhas oportunidade! E se já achavas o voice acting e cutscenes deste Uncharted boas, prepara-te que vais às lágrimas com o novo…

    Curiosamente eu fui mesmo às lágrimas… É incrível como até ao ano passado / há dois anos eu só tinha um jogo que me tinha feito chorar, e depois desse tempo, já dois surgiram que foram um verdadeiro pranto (nomeadamente Mass Effect 2 e Uncharted 2 lol)

    P.S.: inFamous, que pelo meio também se perde um pouco mas vale totalmente a pena pela oportunidade de jogares coisas REALMENTE distintas se fores bom ou mau e pelo final estrondoso (!!!), e se estiveres virado para algo “série B” com pitadas de Kill Bill, dá uma espreitadela a Wet que está ao preço da chuva e é estupidamente delicioso😛

  2. P.S.2: não cometeste loucura nenhuma ao comprar a PS3, estavas era a ser louco por ainda não a teres comprado lol

  3. Ai agora tenho mesmo de jogar o 2º!😀

    Custou-me dar os 300€, mas com o tempo pode ser que me esqueça. Quer dizer, ainda gastei mais uns trocos para os cabos de ligar ao monitor VGA. mas vale a pena, a qualidade de imagem é bem melhor que na minha TV SD.

  4. O segundo tem proporções épicas! Eu passei o jogo todo a fazer expressões sonoras de surpresa! E está sempre tudo a cair! LOL Eu digo isto porque quando andava a jogar o Uncharted 2 ia relatando a um amigo os acontecimentos que presenciava no dia anterior e era tipo “então, eu ia a correr e depois eram carros a explodir e a cair, depois mais à frente, rebentou uma ponte e cai com ela e fui parar a um hotel, que estava a cair, e depois ainda fiz asneira e caiu tudo lá de um edifício mas tudo por culpa do helicóptero, que vinha a cair!” ahahahah

    Quando eu pensava que ia respirar um pouco por estar mais sossegado… lá se lembrava de cair qualquer coisa acompanhado de uma qualquer situação que me deixava vidrado no ecrã😛 É um autêntico blockbuster, daqueles mesmo bons, que dá vontade de repetir até à exaustão, e depois tudo isso é prolongado pelo modo cooperativo online :’)

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