Max Payne [2008]

Depois dos jogos decidi dar uma segunda oportunidade à adaptação ao cinema. Da primeira vez achei-o uma enorme decepção. Da segunda… também. Não me apetece escrever nada, por isso vou recuperar a crítica que fiz na Red Carpet.

O cinema está a ter cada vez mais interessado no dinheiro que os videojogos proporcionam, no entanto, de uma forma ou de outra, todas as adaptações ao cinema têm tido resultados desastrosos. A mais recente aposta baseia-se num videojogo de grande sucesso criado em 2001 chamado Max Payne.

O jogo é muito inspirado no cinema, principalmente nas cenas de acção de John Woo e no cinema policial noir dos anos 40. Seria então expectável que um jogo tão ligado ao cinema, pudesse ser uma base para uma boa adaptação. A história do filme segue de uma forma geral a do videojogo, embora contenha uma série de liberdades criativas, que se aceitam. Geralmente, a maior dificuldade em adaptar um videojogo é precisamente por causa das suas histórias que normalmente são bastante simplistas. A história base de Max Payne não foge à regra, basicamente conta a jornada de vingança de um polícia após a morte da sua família, envolvendo o submundo do crime, seitas e conspirações, algo já muito explorado em cinema.

No entanto, o ponto forte no videojogo não é a sua história, mas sim as personagens, principalmente Max. Durante o videojogo grande parte da trama é narrada por ele, revelando-nos as suas opiniões, medos e angústias criando assim um clima de cumplicidade com o jogador. A meu ver é aqui que o filme falha. Salvo raríssimas excepções,as interpretações são péssimas, principalmente a de Mark Wahlberg. A sua postura é demasiado artificial, presa e a sua constante inexpressividade é angustiante para quem conhece o Max Payne dos videojogos. Falta-lhe carisma, humor, ironia … enfim resta-me perguntar se alguém estudou a sério a personagem. Mas Whalberg não é, a meu ver, o único erro de casting. Mila Kunis passou completamente ao lado da personagem. Não é vestir uma rapariga de negro a carregar uma arma que a transformam na madura e enigmática Mona Sax. E a inclusão de um rapper de nome Ludacris no papel do veterano Jim Bravura é embaraçoso.

A escrita e os diálogos (outro ponto forte do jogo) são pobres, por vezes não fazem qualquer sentido com o que se está a passar, nem têm qualquer ligação com o que esperamos de certa personagem. Os pequenos momentos de comédia inteligentemente espalhados pelo jogo são inexistentes. Que falta faz o argumentista do videojogo Sam Lake. Por um lado o filme tem poucas cenas de acção, por outro toda a parte policial de investigação é tão pobre que acabamos por nos perder no verdadeiro sentido do filme.

Mas nem tudo é mau. A direcção artística está bem conseguida e é fiel ao estilo noir dos jogos, embora por vezes demasiado colada à de Sin City. E algumas (poucas) cenas são bastante fiéis ao original. Também as poucas cenas de acção estão bem conseguidas, e optaram, a meu ver bem, em não abusar do bullet time, que era uma das imagens de marca do videojogo. É possível que esteja a ser demasiado duro como filme. Sou um admirador da saga, e muita da minha desilusão vem desse aspecto. O espectador comum que nada conhece dos jogos até pode vir a gostar. Mas mesmo pondo de lado o original, Max Payne continua a ser um filme mediano, sem dinâmica, aborrecido e com interpretações para esquecer, ou seja uma valente desilusão.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: