Black Swan – Cisne Negro [2010]

Finalmente o cisne chegou da sua migração e aterrou em Portugal. Como é óbvio lá estava eu para o ver.

Poucos são os filmes que se tornam esperas insuportáveis para mim, o ultimo tinha sido o Inception há meio ano atrás, desde então apenas Black Swan me despertou tal sentimento de ansiedade. Naturalmente é impossível conseguir não ter expectativas astronómicas neste tipo de filmes, mesmo que não queira é simplesmente uma inevitabilidade. Como tal, estava à espera de muito, esperava mais uma brilhante obra dum dos melhores realizadores americanos da sua geração, Darren Aronofsky (Requiem for a Dream, The Fountain), que nunca fez um mau filme, mesmo o seu pior filme (para mim claro) The Wrestler, foi bastante bom.

A primeira reacção ao conhecer o filme pode ser enganadora “Um filme de ballet? Não obrigado”, mas desde cedo o fantástico trailer dava sinais de que Black Swan estava longe de ser um retrato “normal” do mundo do ballet clássico. E de facto assim é, Black Swan é acima de tudo um retrato da loucura humana onde o ballet é apenas o setting escolhido.

“Vá lá… despacha-te… é alguma coisa de jeito?”

Como disse, as expectativas eram enormes, e posso dizer que Black Swan…. igualou essas mesmas expectativas! É um filme brilhante, intenso e uma viagem às vezes desconfortável através duma insessante busca pela perfeição da protagonista.

E deixem-me focar precisamente nela porque é ela o mais interessante no filme (melhor papel de sempre da Natalie Portman). Eu gosto muito de protagonistas imperfeitos, e Nina Sayers é muito imperfeita. Uma das temáticas centrais em Black Swan é a dualidade personificada pelo Cisne Brance e o Negro do ballet Lago dos Cisnes. É a mesma dualidade que assombra Nina, uma rapariga fria, controlada, sexualmente reprimida e sempre em busca da perfeição técnica da sua dança. Como tal ela é perfeita para interpretar o doce e virginal papel do cisne branco. O problema é o lado oposto, o lado negro que lhe é inatingível. A sua incapacidade de aceitar o seu outro lado começa a despertar sentimentos que o seu lado “branco” tenta esconder. Sentimentos de insegurança, medo e desconfiança que a levam à auto-punição e a uma escalada de loucura traduzida na sua transformação (aos seus olhos) literal no que não consegue atingir.

Eu gosto muito da Natalie Portman, e acho-a uma boa actriz, no entanto não acho que ela seja de topo nem que seja muito polivalente. Mas o seu desempenho aqui é uma incrível surpresa e o Oscar que vai receber é merecidíssimo.

Não tenho mais nada a dizer, até porque já falei de mais. POR FAVOR vão ver o filme, POR FAVOR apoiem o bom cinema. Eu sei que a tentação de ir ver a comédia romântica X da semana com a/o namorada/o é mais aliciante, mas tentem dar dinheiro a quem merece. Um bem haja!

Originalmente de 2010, estreou em Portugal em 2011.

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