Silent Hill [1999]

Deu-me na cabeça que queria jogar todos os Silent Hill por isso nada melhor que começar no… início.

Sempre tive uma grande curiosidade em relação à série, é exactamente o tipo de jogo que deveria gostar, ou seja, terror psicológico, atmosfera e muito influenciado pelas aventuras gráficas, no entanto o único contacto que tive foi com o Silent Hill 2 que nem sequer cheguei a acabar. Como tal penso que chegou a altura de finalmente descobrir a fundo a série, ainda para mais é uma das maiores influências dos brilhantes jogos da Frictional Games que tanto estimo.

Como não tenho uma PlayStation o primeiro desafio foi arranjar forma de o jogar. Felizmente ele corre bastante bem num emulador, há até versões emuladas aí nos torrents todas arranjadinhas para instalar e correr como se um jogo PC se tratasse. Isto significa melhores gráficos e resoluções, bem como quick saves.

Eu sou um defensor ferrenho de quick saves, cresci a jogar assim, mas tenho que admitir que Silent Hill perde MUITO se jogado assim. Eu sei que é possível ignorar os quick saves do emulador e seguir os saves do próprio jogo mas… não consigo resistir😦 Mas a verdade é que o jogador deixa de ter medo de morrer e muito do terror fica invalidado. Cometi também o erro de jogar em easy que tornou as coisas ainda menos desafiantes, no entanto acho que o ponto dos saves é bem mais importante.

Tudo isto significou que acabei por jogar Silent Hill de forma mais fria e deslocada e não me consegui imergir como gostaria, raramente senti medo e via as coisas de forma mais distante e técnica e não de forma emocional como aconteceu por exemplo com o Amnesia: The Dark Descent. O balanço perfeito neste tipo de jogos é dosear a dificuldade, o jogador não deve estar suficientemente seguro para se sentir confortável, mas também não deve ser uma presa demasiado fácil e morrer dezenas de vezes, isso cria frustração, repetição e uma habituação à morte. O cenário perfeito é morrer poucas vezes, mas ao mesmo tempo sentir que é vulnerável, dessa forma o jogador terá sempre um terror em morrer, mesmo que isso raramente aconteça.

Anyway, este meu afastamento não significa que não tenha conseguido apreciar o jogo, bem pelo contrário. Acabei por ter um espírito bem mais critico do que se tivesse deixado as emoções tomarem o controlo.

Há dois aspectos em que Silent Hill é simplesmente genial, fabuloso e praticamente inigualável (calculo que as sequelas estejam no mesmo barco) a atmosfera e o som. Quem me conhece sabe que tenho um fraco por jogos com boas atmosferas, consigo perdoar maus jogos que exaltem nesse aspecto. O ambiente e atmosfera de Silent Hill é incrivelmente opressivo e claustrofóbico, o setting muito inspirado em Twin Peaks é optimo e o constante nevoeiro foi um brilhante decisão (na realidade a ideia nasceu dum improviso, foi uma forma de poder disfarçar as limitações técnicas da playStation).

Mas onde Silent Hill realmente brilha é no som. O sound design é uma obra prima por si só, é uma pena (e um testamento do brilhantismo da Team Silent) que a esmagadora maioria dos jogos actuais nem cheguem perto deste nível. Amnesia: The Dark Descent é igualmente brilhante neste campo, mas Silent Hill vai mais além, especialmente na música que em alguns pontos cresce dum simples ritmo para um pesadelo metálico dessincronizado e hipnótico. Muitas vezes fugia e sentia-me perseguido quando na verdade era apenas a música que me fazia agir daquela forma. É raro o jogo que consegue manipular o jogador apenas com o som, por isso tiro-lhe o chapéu.

Um dos aspectos que mais me dividiu foi a história e a narrativa. A história é surpreendentemente subtil e pouco reveladora. Muitos dos seus aspectos não são directamente referidos ou passam despercebidos, para terem uma ideia quando terminei o jogo fui investigar mais sobre a história e algumas coisas eu simplesmente não me recordo ter visto em jogo (algumas coisas nem chegam a ser referenciadas em jogo) ou então deixei escapar. Não há nada de mal nisso, prefiro uma história pouco óbvia a uma que se apoie na exposição directa, mas como disse muitos pormenores simplesmente escaparam-me de tão escondidos que estão. Aspectos como a simbologia e o passado de alguns personagens são demasiado obscuros (como é suposto saber que a Cheryl foi descoberta e adoptada pelo Harry e a mulher em bebé em Silent Hill? Apenas pela intro?). A qualidade da escrita é bastante inconstante, muitos dos diálogos são bastante pobres (felizmente nunca caindo no campo dum Resident Evil) e ainda por cima são suportados por um mau voice acting.

Tecnicamente para 1999 não se pode dizer que seja impressionante, visualmente deixa bastante a desejar se compararmos com o que era feito no PC, é gritante as limitações da PlayStation e mesmo sendo três anos mais novo a meu ver visualmente é mais feio que o seu grande rival da altura, Resident Evil (que na altura já ia no 3º capitulo) que usava cenários pré-renderizados ao contrário de Silent Hill que era totalmente em 3D. No entanto esse facto permitiu a Silent Hill fazer algo que Resident Evil não podia, movimentos de câmera. A câmera é um dos aspectos mais interessantes de Silent Hill, para além de restringir a visão ao jogador tornando as situações mais tensas, permite também uma maior liberdade artística, algumas sequências têm movimentos de câmera fantásticos, mais inspirados pelo cinema do que videojogos. Finalmente uma palavra para as assombrosas (no bom sentido) cutscenes CGI, comparem-nas com por exemplo as do Tomb Raider da altura e a diferença é abissal.

Terminarei a falar do combate e puzzles. Em relação aos puzzles um ou outro é puxadito, mas o que mais me chamou a atenção é o quanto se inspira nas aventuras gráficas, aliás um pouco como acontece também com o Resident Evil, infelizmente à semelhança da série da Capcom, Silent Hill foca-se demais nos puzzles de “moço de recados”, tem no entanto alguns bastante criativos e originais como o do piano.

O combate é um dos pontos mais fracos, extremamente lento e desajeitado. Felizmente joguei em modo fácil por isso acabei por não ter muitos problemas resultantes do sistema de combate, também o próprio jogo incita o jogador a fugir e evitar combater por isso acabou por ser um mal menor.

Depois do um vem o dois e como tal já tenho Silent hill 2 pronto a correr. Aproxima-se um par de meses carregados de jogos (Dragon Age 2, Crysis 2, Portal 2, Shogun 2, The Witcher 2… muitos dois… :p) por isso ainda vou demorar a acaba-lo, mas mais cedo ou mais tarde aqui estará a minha opinião do segundo capitulo.

Positivo:
+ Atmosfera
+ Sound design simplesmente genial
+ Mitologia
+ As cutscenes CGI
+ A história é boa…

Negativo:
– … mas nem sempre clara
– Combate
Voice acting

Sai do templ… do PixelHunt com:


Comments
5 Responses to “Silent Hill [1999]”
  1. João Mealha diz:

    Como não tenho uma Playstation…Tens duas!E ambas correm o jogo.
    Mas boa review, como sempre.

  2. Olha que cocó… não sabia. Mas mesmo sabendo acho que preferia jogar na mesma no PC :p

  3. Hugo Bessa diz:

    Eu tenho jogos PS1 propositadamente comprados para jogar na PS3. não são muitos, mas já dá para matar o vicio do retro…

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