Dr. Strangelove – Dr. Estranho Amor [1964]

Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb (vamos só tratar por Dr. Strangelove a partir de agora) dá inicio a uma brutal sequência de alguns dos melhores filmes de todos os tempos.

Na minha modesta opinião Dr. Strangelove entra facilmente num top 5 dos melhores filmes do Kubrick, é a meu ver a sua primeira obra verdadeiramente genial onde é quase impossível apontar falhas, o que é obra tendo em conta a enorme qualidade dos seus anteriores filmes.

Sempre vi este filme como um ponto de viragem entre o Kubrick novo e o velho, não me perguntem porquê mas sempre tive essa ideia, talvez porque tenha sido o seu ultimo filme a preto e branco, ou o ultimo com um tom mais clássico. Ou então porque foi a partir daqui que os intervalos entre filmes começaram a aumentar substancialmente. Mas sempre tive duas imagens dele, o jovem fotógrafo e o velho ermita, e Dr. Strangelove sempre foi para mim como que um ponto de viragem.

Para além do genial Peter Sellers um dos pontos fortes do filme é o seu argumento. Está tão bem montado e interligado que as coisas fluem de forma perfeita. Os três planos narrativos (base militar, war room e o B-52) estão todos dependentes um dos outros e é impossível para os protagonistas evitar o inevitável.

Como paródia satírica que é, por vezes entra em situações nonsense que encaixam que nem uma luva no choque entre a seriedade da situação e a idiotice de como ela inicia e segue o seu rumo. Os intervenientes deveriam simbolizar responsabilidade e seriedade mas mais parecem crianças a brincar à guerra, o holocausto nuclear deveria ser a preocupação prioritária mas a sua responsabilidade foi deixada nas mãos de computadores e prisões burocráticas que deixa todos de mãos atadas. Algumas cenas são fantásticas, especialmente as passadas no war room.

O filme fecha de forma gloriosa com o major Kong montado na ogiva nuclear (mais simbologia sexual que Kubrick tanto usa) com as palavras do Dr. Strangelove que ficaram na história “Mein Fhurer! I can walk!” e encerra com uma despedida agridoce ao som de “We’ll meet again”.

Filmaço! Vejam, porque é obrigatório.

Comments
6 Responses to “Dr. Strangelove – Dr. Estranho Amor [1964]”
  1. Álvaro diz:

    Este filme é absolutamente fantástico!
    “Gentlemen, you can’t fight in here! This is the War Room. ”😀

  2. Álvaro diz:

    Esse filme é riquíssimo nessas cenas e em “quotes”, assim como o resto da filmografia do Kubrick. E por falar em “nonsenses” e como ando a ver a série Twin Peaks, espero um especial do Lynch😉

  3. Álvaro diz:

    Sim estou a gostar. É meio esquisito e não dá mesmo a entender quem a matou.
    Gostei de uma cena do tipo do FBI ao telefone com um colega a dizer algo do tipo: “O caso está assim “bla bla bla”, ela morreu de “bla bla bla” e tens de ficar aqui provar a tarte. É das melhores coisas que comi”.
    Eu acho que nunca tinha visto em lado nenhuma uma naturalidade tão grande de passagem de uma morte para a tarte.

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