A Clockwork Orange – Laranja Mecânica [1971]

Entramos na década de 70 com um dos filmes mais polémicos do Kubrick, A Clockwork Orange.

Ontem, após o visionamento do 2001: A Space Odyssey disse que A Clockwork Orange era o meu filme favorito, não só do Kubrick mas… de sempre. Eu sei que é uma afirmação arrojada, mas é de facto o meu favorito. Descobri-o no seguimento do 2001 e foi “amor à primeira vista”. Enquanto que no 2001 fui assaltado pela experiência sensorial mas pouco captei da sua história e significado, A Clockwork Orange foi logo muito directo comigo e criou de imediato um impacto forte com o meu espírito um pouco reaccionário/esquerdista/parvo que eu sentia na minha adolescência.

Os abusos do autoritarismo, a perda de liberdades pessoais, o perigo do totalitarismo, a ausência do livre-arbítrio e a consequente perda da nossa humanização eram temas que ocupavam a minha mente na altura, e A Clockwork Orange retrata tudo isso numa crítica social mascarada de sci-fi, drama e comédia.

Acho que um dos pontos fortes é mesmo isso, consegue fundir vários géneros de forma perfeita. O futuro retratado é extremamente realista e perigosamente actual mesmo que visualmente seja fruto do imaginário dos anos 70. O futuro sombrio, o choque e a agonia da “ultra violência” e o drama humano do Alex (que na verdade somos todos nós) contrasta com o tom cómico e teatral de grande parte das situações (este acaba por ser o filme mais cómico do Kubrick, talvez ainda mais que o Dr. Strangelove).

E o que dizer do Malcom Mcdowell? Simplesmente brilhante, ele tem aqui um tour de force simplesmente genial. Impressionante como ele não se tornou numa mega-estrela depois deste desempenho, durante o seu auge só fez o Calígula e… desapareceu. Uma pena. Ainda por cima depois de tudo o que passou durante as filmagens, ele chegou a danificar uma das suas córneas depois das exasperantes cenas da “cura” Ludovico. O seu Alex é um maravilhoso, sádico e charmoso anti-herói que consegue seduzir os espectadores, mesmo tendo um comportamento que é difícil de aceitar.

À semelhança do 2001: A Space Odyssey, também li o livro do qual A Clockwork Orange se baseou, e devo dizer que vale muito a pena, mais do que o 2001 do Clark. O estilo da escrita do Anthony Burgess merece ser lido.

Cenas favoritas… tantas… a introdução, claro (é perfeita), o assalto ao som de “singing in the rain”, a “cura/tortura” ao som da nona, sei lá… podia dizer as cenas que não são memoráveis😀

Podia ficar aqui a noite toda, mas isto é suposto ser apenas um breve comentário. Acho que não preciso de o recomendar… mas vou faze-lo na mesma: VEJAM!😀

O próxima da lista é o belíssimo Barry Lyndon que só o deverei ver… Sábado ou Domingo. Até lá, um bem haja!

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