Barry Lyndon [1975]

Afinal ainda arranjei tempo hoje de tarde para ver o Barry Lyndon. Estamos a chegar ao fim, ficam a faltar apenas três filmes.

Como é habito no Kubrick ele volta a mudar completamente de género, depois de A Clockwork Orange o seu próximo filme é nada mais nada menos que um clássico de época.

Barry Lyndon nasceu por causa dum dos projectos falhados do Kubrick. Ele queria fazer um épico sobre o Napoleão Bonaparte, infelizmente ele foi posto em standby e o Kubrick consolou-se em adaptar o romance homónimo de William Thackeray.

À semelhança dos dois anteriores filmes do Kubrick, Barry Lyndon também teve um impacto pessoal em mim. Sempre fui um amante de história e na altura em que o vi era completamente obcecado pela vida (coincidência) do Napoleão (sim, fui um adolescente estranho 😀 na altura li o Guerra e Paz e estudava as tácticas de batalhas como a de Austerlitz e Borodino -.-) e de todo o período histórico barroco e revolucionário onde se destacavam figuras como Gustavo Adolfo, Frederico O Grande, o Duque de Malborough e guerras como a dos 7 anos e claro as napoleónicas.

Barry Lyndon aterrou precisamente na altura certa e fiquei completamente rendido. Curiosamente na altura nem sequer conhecia o fascínio que o Kubrick também nutria pela Imperador Corso e os seus planos para fazer um filme centrado nele, foi interessante quando descobri que partilhávamos as mesmas obsessões.

Este é possivelmente o filme visualmente mais bonito e arrebatador de toda a filmografia do Kubrick, a forma como os planos parecem quadros vivos é lindíssima e até coisas aparentemente simples como a iluminação à luz das velas (que necessitou duma câmera especial) é de cortar a respiração. O filme é acusado de ser demasiado lento, e é verdade, mas a meu ver é o ritmo perfeito. É tudo tão planeado e bem montado que mais parece uma coreografia de gestos, olhares e falas. Tudo muito frio e clínico e perfeitamente controlado pelas mãos do Kubrick. A “cena da sedução” é um dos melhores exemplos, é aliás uma das melhores cenas do Kubrick

As interpretações são boas, mas acabam por ser dos aspectos que menos impacto causam no filme, são bastante discretas. Curiosamente Ryan O’Neill é o autor desta pérola! 😀

A música! A música… é fantástica! Felizmente quase todos os filmes dele são brilhantes neste aspecto. Ela é memorável e ficou facilmente entranhada no meu subconsciente, de tal forma que quando vejo o Manzarra naquele estúpido anuncio da Optimus olho logo porque meteram lá uma das músicas do filme.

Este não o aconselho logo de caras porque sei bem que não é um filme para todos, é fácil não gostar… mas fica a ideia de que é um dos meus favoritos do Kubrick.

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