Silent Hill 2 [2001]

Tal como prometido a minha epopeia pela saga Silent Hill continua. Há coisa dum mês terminei o Silent Hill e agora, foi a vez da sua primeira sequela.

Antes de mais devo dizer que já tinha jogado parte do jogo há uns tempos, não me recordo porque parei, na verdade aquele par de horas tinha sido o meu único contacto com a saga. Lembro-me bem de ter tido medo nos apartamentos e de sentir algo perto do que senti com o Amnesia: The Dark Descent, fortes pulsações e curtos períodos de jogo de cada vez.

Curiosamente o mesmo não aconteceu desta vez… à excepção de alguns encontros com o Pyramid Head especialmente no labirinto, raramente senti verdadeiro medo em Silent Hill 2, aliás acho até que tive mais medo no Silent Hill. Mas isto não significa que seja menos competente que o seu antecessor, ele segue praticamente a papel quimico as mesmas mecânicas.

Como são tão parecidos não me vou alongar muito sobre os aspectos basilares do Silent Hill 2 porque já disse praticamente tudo na crítica do primeiro jogo. O brilhante sound design, a atmosfera, a herança retirada das aventuras gráficas e tudo mais mantêm-se, felizmente, inalterados. Irei apenas falar do que Silent Hill 2 faz melhor e pior em relação ao jogo original, começando então pelos aspectos positivos.

O Silent Hill mesmo para 1999 não era particularmente bonito, a sequela é lindíssima! Os gráficos são bastante bons para 2001, é verdade que os curtos dois anos de diferença acabam por significar duas gerações distintas, mas Silent Hill 2 é um assombro (no pun intended :p ) gráfico, o nevoeiro é quase palpável, os modelos e expressões faciais muito detalhados e as texturas têm uma resolução bem aceitável para 2001. Mas mais importante que os gráficos, é a direcção artística que embora fosse igualmente boa no anterior jogo estava camuflada no meio do mar de pixels que era a PlayStation.

Embora a história não seja tão tradicional e clássica como a do primeiro jogo, acabei por gostar mais. A “viagem” do James Sunderland não é só física, mas acima de tudo é uma viagem interior, de aceitação e de confronto com os seus medos, desejos e segredos, é algo muito refrescante num videojogo e acaba por ser um bom estudo psicológico. O James é altamente defeituoso e problemático,  o que o torna muito mais interessante e complexo que o Harry do primeiro jogo, que acabava por ser um herói clássico que apenas queria salvar a sua filha, James é um homem devastado pela morte da sua mulher e que não tem nada a perder.

Embora ambos os jogos tenham a sua dose de simbolismos e metáforas, achei muito mais interessante desvenda-las sabendo que elas são manifestações dos medos e desejos do protagonista do que da… “antagonista” como no Silent Hill… na verdade a Alessa não é bem a antagonista but you know what i mean. Torna-se muito mais pessoal interpretar as manifestações na cidade.

Silent Hill 2 é muito mais linear e focado que o seu antecessor e não requer tanto backtracking. Isso para mim é uma vantagem, no entanto não pensem que seja completamente linear, a sua base continua a ser à base de edifícios labirintos tal e qual o Silent Hill, mas aqui desde cedo se sabe mais ou menos quais os destinos e objectivos finais, no Silent Hill às vezes nem sempre era claro.

Em termos negativos, tenho que destacar a cãmera de jogo que embora seja semelhante ao Silent Hill é usada de forma menos criativa e inteligente levando a muitos momentos de confusão e frustração. Aceito que não tenham decidido usar uma câmera livre talvez com suporte para o rato porque iria contra o espírito da série na altura, mas tal como mostraram no primeiro jogo deveriam ter sido mais criativos na sua utilização.

Tal como disse no inicio da texto, à excepção de alguns momentos pontuais, achei o Silent Hill mais assustador, especialmente nas transições entre as duas realidades que era bem mais intensa e perturbadora. No Silent Hill 2 nunca senti o mesmo impacto que a escola alternativa me causou no primeiro jogo.

Por fim, à excepção do James, Pyramid Head e talvez da Maria, as personagens do Silent Hill são mais interessantes e icónicas. De certeza que irão permanecer na minha memória por muito mais tempo.

Mas isto são basicamente pequenos detalhes, como um todo, ambos os jogos são bastante equiparáveis em termos qualitativos, se tivesse que escolher um deles talvez optasse pelo Silent Hill 2 muito por causa da sua história. O ultimo acto dentro do hotel onde o James descobre a verdade e confronta directamente os seus segredos é possivelmente um dos momentos mais bem montados que tive a oportunidade de jogar nos últimos tempos e acabou por ser um fantástico (e emotivo) desfecho dum brilhante jogo.

Resta referir que joguei a versão PC que é a director’s cut. Tem loadings mais rápidos que as de consola, maiores resoluções e tal mas em contrapartida é bastante instável, “crashou-me” bastantes vezes, felizmente a versão PC tem quick saves.

Já tenho o Silent Hill 3 instalado, também devo demorar algum tempo a termina-lo, mas o importante é que continuo com a motivação alta.

Já agora aqui fica o making of do jogo:

Positivo:
+ História
+ Sound design
+ Atmosfera

Negativo:
– Câmera de jogo

Sai do templ… do PixelHunt com:


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