Crysis [2007]

O Crysis 2 está aí a rebentar, como tal decidi recordar o original que foi um dos últimos jogos que realmente evoluiu a industria em termos tecnológicos.

Longe vão os tempos em que o PC ditava as regras da tecnologia na industria, era aí que os developers procuravam expandir as fronteiras da tecnologia e do que era possível fazer com o hardware existente. 2004 foi como que o ultimo grito desta tendência, Half-Life 2, Doom 3 e Far Cry foram autênticos monstros tecnológicos que ditaram o rumo que a industria iria tomar nos anos seguintes. Infelizmente (ou não) com o advento das novas consolas essa situação acabou por estagnar e vivemos actualmente à volta de hardware obsoleto sem evoluções dignas de referência.

O ultimo grande salto tecnológico foi dado em 2007 pelos alemães da Crytek, responsáveis precisamente pelo Far Cry. Esse jogo chamava-se Crysis e foi a ultima vez que todos ficaram boquiabertos com o que o então na voga “next-gen” era capaz de fazer. Estava tão à frente do seu tempo que eram poucos os PC capaz de o correr no máximo e era de tal forma revolucionário que mesmo hoje, mais de três anos depois (que nesta industria é uma eternidade) contam-se pelos dedos das mãos os jogos que conseguem atingir e ultrapassar o mesmo grau de brilhantismo.

Esta situação acabou por ser uma faca de dois gumes, Crysis ganhou muitos admiradores, mas também muitos críticos, especialmente vindo de pessoas que não tinham um PC suficientemente forte para o correr e jogadores de consolas que não suportavam a ideia do pináculo gráfico não estar disponível na sua caixa. A partir daí espalharam-se mitos de que Crysis na verdade era apenas um jogo medíocre camuflado com bons gráficos sendo pouco mais que uma tech demo.

A verdade é que quem realmente o jogou sabe bem que Crysis foi um dos melhores FPS da década.

Obviamente o jogo ficou conhecido pelos seus fenomenais gráficos, e sim realmente são, mas a meu ver o seu grande ponto forte é o gameplay. O nanosuit, o fato do protagonista, permite utilizar quatro “poderes” diferentes: velocidade, armadura, força e invisibilidade. É muito gratificante utilizar os diferentes poderes e abordar os desafios de formas distintas. Os mapas são lineares, mas com um forte elemento sandbox, isto permite um certo controlo sobre o ritmo do jogo, mas igualmente uma liberdade “controlada” ao jogador. A liberdade não é tanto espacial, mas mais na sua jogabilidade. O protagonista Nomad é basicamente uma arma, um instrumento para dar asas à criatividade do jogador.

Embora Crysis tenha um espírito sandbox herdado do seu predecessor espiritual Far Cry, a progressão narrativa é estritamente linear e tirando alguns objectivos secundários, nunca dá opção ao jogador de se desviar do rumo ditado pela história.

História essa que é fraquinha e muito inspirada por filmes sci-fi genéricos de baixo orçamento direccionados para os chamados “dudebros“, no entanto ela acaba por cumprir o papel de conduzir a acção do jogo, nunca caindo no erro de outros jogos “dudebros” como Modern Warefare e Gears of Wars de tentarem impingir uma ligação emocional que é inexistente. Aqui a história é apenas uma desculpa para mostrar os seus brilhantes aspectos técnicos e o gameplay. Pode parecer injusto eu perdoar a sua fraca história quando por vezes deito abaixo outros pelo mesmo motivo, mas como disse, nem o próprio jogo lhe dá qualquer importância.

De resto não gostei muito da forma como o jogo evolui, começa com um estrondo a meio do jogo atinge níveis de elevadíssima qualidade com alguns brilhantes níveis, mas a certo ponto começa a transformar-se e a própria filosofia de jogo muda, atingindo o auge nos derradeiros níveis e no boss final que é desinspirado, cliché, com bugs e com um péssimo level design.

Este é um jogo para ser desfrutado no modo mais difícil, caso contrário torna-se demasiado curto e acessível. O Steam diz-me que demorei 13 horas no modo mais difícil o que é uma boa duração.

Anyway, é pena que provavelmente nunca iremos ver uma verdadeira sequela (o Crysis 2 passa-se muitos anos à frente e parece ignorar muita coisa relatada aqui) mas daqui a poucos dias logo veremos o que a sequela nos reserva. Pelo que tenho visto parece vir aí uma grande desilusão, mas pode ser que esteja errado.

Ainda queria jogar o Crysis: Warhead, mas… falta-me tempo!

Positivo:
+ Gráficos
+ Jogabilidade
+ Liberdade
+ Fun, fun, fun

Negativo:
– História
– A parte final perde gás

Sai do templ… do PixelHunt com:



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