Crysis 2 [2011]

Este inicio de ano prometia duas valentes desilusões “videojogáveis”, Dragon Age 2 e Crysis 2, dois jogos que nasceram no PC e cujas sequelas foram engolidas pelas consolas sujas. O jogo da Bioware confirmou as baixas expectativas, mas e a aposta da Crytek?

Posso dizer que felizmente não! Crysis 2 é muito diferente do Crysis, é quase um jogo novo tendo apenas o título como única semelhança, mas é surpreendentemente sólido mesmo optando por uma visão quase oposta.

O que mais salta à vista é o abandono o lado “sandboxy” do original, optando por um estilo mais linear e “scriptado”, próximo dum Call of Duty, no entanto não tão restritivo. Talvez seja mais correcto compara-lo com um Half-Life 2, na medida em que consegue esconder essa linearidade com um level design decente. No entanto falta-lhe a subtileza da Valve nos momentos “scriptados”. Crysis 2 é cliché, óbvio, forçado e in your face e não quer que o jogador perca os momentos que lhe deu tanto trabalho montar. Muitas vezes perdemos controlo do protagonista para que nos mostrem essas mesmas sequências, chegando mesmo a pedir que carreguemos numa tecla para as mostrar.

Crysis 2 cai no erro de tentar forçar um sentimentalismo no jogador sem que tenha trunfos narrativos para o fazer (é uma armadilha que muitos shooters hoje em dia invariavelmente caem). Como não o consegue fazer através da sua idiótica e confusa narrativa, ele apoia-se quase exclusivamente em aspectos visuais muito reminiscentes do 11 de Setembro, no entanto em grande parte isso só consegue estabelecer uma ligação emocional com os americanos em geral e nova-iorquinos em particular. Mas em sua defesa, Crysis 2 nunca usa isto com mau gosto nem a explora de forma barata.

Assim, embora a história seja tão ridícula como a do primeiro jogo, aqui como se leva tanto a sério e nos tenta impingir um sentimentalismo bacoco acaba por tropeçar em si próprio, algo que o Crysis tão bem evitou. Mas este foco na história acaba por ser uma necessidade e uma consequência da maior linearidade e da nova filosofia de jogo. É curioso terem escolhido um protagonista silencioso (quando o Crysis não o tinha e muito menos o Crysis Warhead, que tinha cutscenes) porque é a pior opção que poderiam ter escolhido. Metade do jogo torna-se ridícula porque todos pensam que o protagonista é outra pessoa e ele nunca responde para clarificar as coisas.

De resto, às vezes tentam ligar a história com os acontecimentos do Crysis mas raramente consegue fazer grande sentido, o fato de repente tornou-se incrivelmente relevante (por causa de aspectos técnicos que sinceramente prefiro nem compreender) assim como o Prophet que se tornou numa figura quase messiânica. Mas Crysis 2 é composto basicamente por pessoas na rádio a darem ordens ao protagonista, “vai para ali”, “mata aquilo”, “desliga isto”… Andrew Ryan ficaria orgulhoso… e entre cada capitulo somos presenteados por briefings onde despejam technobabble que entra num ouvido e sai por outro.

Mas felizmente Crysis 2 é mais que história, muito mais. O combate é intenso e muito gratificante tal como no jogo original e as diferentes funções do fato continuam a permitir ao jogador abordar as situações de formas distintas. Por falar no fato, os poderes foram reduzidos e refinados, se à primeira vista pode parecer que ficou capado, na verdade as coisas funcionam bastante melhor que antigamente. Também melhorada está a forma como percorremos o mundo de jogo muito ao estilo de Mirror’s Edge, bem mais dinâmico.

Ao contrário do Crysis que começava em alta, atingia o pico a meio do jogo e perdia gás na recta final, Crysis 2 segue um percurso inverso. A parte inicial é de longe a mais fraca e só começa realmente a aquecer lá para as 5/6 horas de jogo. por falar em horas de jogo, ele é surpreendentemente longo para um FPS linear moderno, cerca de 10/15 horas é bastante aceitável para os dias de hoje (sad but true).

Então mas e os gráficos? Mal ou bem Crysis sempre foi sinónimo de portento gráfico. Como é óbvio e tendo em conta que é um jogo feito a pensar nas consolas, ele nunca poderia atingir o mesmo impacto de Crysis, e de facto não consegue. Não é uma revolução, mas sim um evolução. Mas também não esperem uma evolução a todos os níveis. Em muitos aspectos é inferior ao seu antecessor, especialmente na física e texturas, mas onde ele brilha é na iluminação especialmente na nocturna que é irrepreensível. De resto podem esperar muito post processing e filtros em cima para tapar algumas deficiências. Neste aspecto o Crysis era mais… puro. O facto de ser menos ambicioso que o primeiro jogo significa que corre num motor muito mais bem optimizado e leve, que ainda consegue correr em condições no meu velhinho PC.

Ah! É verdade… também há multiplayer como é óbvio, mas eu não toco nisso.

E pronto, embora seja inferior ao seu antecessor, Crysis 2 consegue manter elevados níveis de competência. Se tivermos em conta a mudança radical que sofreu acaba por ser uma pequena vitória para a Crytek que tem agora aqui uma nova franchise para as consolas. O “verdadeiro” Crysis ficou preso na evolução da industria, pertence a um mundo e a uma era que já desapareceu… é pena mas… we’ll have to deal with it.

Positivo:
+ Excelente optimização
+ Combate intenso e muito gratificante
+ Uma boa duração para os dias de hoje
+ Visualmente irrepreensível…

Negativo:
– … mas longe, longe, longe do impacto visual de Crysis
– Demasiado restritivo, limitado e… “consolizado”
– A história é uma trapalhada dos diabos
– É tão diferente que sofre problemas de identidade

Sai do templ… do PixelHunt com:


Comments
One Response to “Crysis 2 [2011]”
  1. Hugo Bessa diz:

    Vou brevemente dar uma hipotese a esta sequela… tendo em conta que não gostei do original…

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