Silent Hill 4: The Room [2004]

Mais um Silent Hill, é o 4º, o que significa que já passei do ponto intermédio e ficam-me a faltar apenas três.

Este é um titulo importante porque marcou o fim da Team Silent, Silent Hill 4 foi o ultimo titulo da saga desenvolvido pelos criadores originais e como tal deve de ser visto como um ponto de transição. Todos sabem que The Room não era para ser um Silent Hill, por isso em muitos aspectos, dá um pouco a ideia de que o jogo sofre de dupla personalidade. Há ideias muito pouco… “Silent Hillianas” que se atropelam com mecânicas já datadas que vêm do primeiro jogo. O resultado final é um jogo esquizofrénico e bastante desequilibrado.

Os aspectos novos que mais se distanciam da fórmula clássica acabam por ser os mais interessantes. A ideia do apartamento que está isolado do exterior e que aos poucos começa a mudar criando desconforto e insegurança no jogador é original e bem executada. Dá vontade que o jogo fosse todo passado apenas dentro do apartamento. Mas não é, grande parte dele é passado fora numa realidade criada pelo vilão e é aí que a meu ver Silent Hill 4 perde um pouco da sua originalidade já que segue algumas das formulas típicas da série, no entanto de forma menos conseguida do que vi no Silent Hill 3 onde estavam refinadas de forma quase perfeita. O level design é preguiçoso, a atmosfera (fora do apartamento) está longe dos anteriores jogos e pior que tudo, o jogo cai no erro de na 2ª metade voltar a repetir os mesmo níveis criando cansaço e repetição.

E é precisamente aí que para mim o jogo perdeu todo o encanto da parte inicial. A premissa é óptima e as primeiras horas são empolgantes, a primeira visita ao sub-mundo do apartamento e ao hospital foram o ponto alto do jogo, mas estranhamente a partir desse ponto o jogo cai a pique e sinceramente perdi todo o interesse e arrastei-me até final, o que é uma pena porque Silent Hill 4 tinha um potencial enorme.

No entanto há coisas que funcionam, toda a parte dentro do apartamento é muito interessante e é empolgante ir montando partes da história como um puzzle e investigar partes da casa em busca de respostas. É nessas alturas que acontecem alguns dos momentos mais interessantes e perturbadores, alguns deles quase que quebram a quarta parede. Os momentos em que as duas realidades começam a chocar e o apartamento que inicialmente era um local seguro de refugio deixa de o ser, é particularmente desconfortável.

Mas como disse, é a outra parte do jogo que acaba por desiludir, é quando o Henry entra dentro do buraco rumo ao “sub-mundo” que as coisas se tornam mais… chatas. A história está bem montada e a ligação feita com o lore de Silent Hill está mais executada do que inicialmente espararia, mas falta-lhe um sentimento de continuidade e a ideia de que estamos a fazer uma viagem, algo que o Silent Hill 2 fez tão bem. Aqui as coisas mais parecem uma série de diferentes episódios com um ténue ligação entre eles. O protagonista, Henry Townsend, é de longe o menos cativante da saga até agora, é genérico e praticamente não tem motivações nem metas e objectivos pessoais. O vilão, Walter, acaba por ser o mais interessante porque à semelhança da Alessa no e jogos e do James no é na sua realidade distorcida que vivemos e o mundo de jogo reflecte a sua história e personalidade.

De resto, algumas características dos anteriores jogos permanecem inalteradas, a câmera de jogo e o combate continuam miseráveis, as mecânicas do combate parecem-me um pouco melhor mas são estragadas pelas elevadas quantidades de inimigos que temos de enfrentar, a câmera é a pior dos quatro jogos, terrível. Em termos positivos, encontramos o sound design e banda sonora do Akira Yamaoka que continua a ser um dos pontos altos do jogo.

Então e é mais ou menos assustador que os jogos anteriores? É difícil de responder, os monstros são bastante assustadores de inicio por serem extremamente rápidos, mas têm uma péssima IA (rapidamente aprendemos a melhor forma de os derrotar), e o ambiente é menos opressivo. Como um todo acho que foi o que menos me assustou, mas isso deve estar relacionado com a forma como o abordei na 2ª parte, já que não o vivi de forma intensa que fiz com os outros Silent Hill.

E pronto é isto, jogo com imenso potencial, que tentou coisas novas mas ironicamente não consegue atingir os níveis de excelência do resto da série (da Team Silent) precisamente quando entra em territórios onde os anteriores brilhavam.

Positivo:
+ Som e musica
+ O apartamento

Negativo:
– Os níveis fora do apartamento
– Combate
– Câmera de jogo
– Revisitar os mesmos locais na 2ª metade do jogo… yawn

Sai do templ… do Pixelhunt com:

Comments
5 Responses to “Silent Hill 4: The Room [2004]”
  1. Cara que massa. Você está mesmo jogando e analisando os games da série em sequência…pena que a partir dai a franquia começa a entrar na decadência atual.
    Depois que saiu das mãos do Team Silent os jogos foram perdendo gradativamente a atmosfera dos originais. O 4 sequer era pra ser um Silent Hill inicialmente. A konami resolveu mudar o projeto na ânsia capitalista de lucrar com o nome do jogo…mas não saiu de todo ruim. A história é bem bacana.

    • É verdade, estou mesmo a joga-los por ordem! Mas tenho que admitir que estou sem grande vontade de começar o Origins =/

      • Não desanimes homem!hehe.
        Bem, o origins já foi feito na américa se não me engano, mas é mais Silent Hill que o 4 em minha opnião, principalmente se você jogar no PSP. A versão do PS2 (infelizmente) foi só um port “colado” da versão portátil e fica parecendo bem pior do que realmente é.
        Em relação a história é legal pela maneira como consegem linkar um novo personagem (que faz ponta no 5 tbm) e ainda contar como Alessa ficou daquele jeito sem destruir o trabalho do primeiro game, ao contrário da “viagem que foi o Shattered Memories” que ao meu ver é um game perturbador mas NÃO é Silent Hill…

        • A versão PS2 do origins é assim tão má? Não tenho PSP… mas pode ser que consiga que me emprestem.

          Devo dizer que estou bastante curioso em relação ao Shattered Memories, não pelo lado Silent Hill que segundo dizem fica aquém, mas mais pela narrativa.

  2. Anónimo diz:

    Gostei da historia eh bem envolvente. Realmente a parte de voltar para os mesmos niveis me desagradou, mas msmo assim fiz um esforço para saber o q aconteceria no final.

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