Alien – O 8º Passageiro [1979]

Ontem foi dia de ver o meu primeiro filme em Blu-ray e logo com um dos meus favoritos, Alien.

Sempre achei que o Blu-ray é um formato condenado desde o seu nascimento porque será eventualmente substituído pelo streaming em HD como tal nunca pensei sequer em substituir a minha biblioteca DVD. No entanto sempre tive curiosidade de realmente ver um filme em 1080p e notar as diferenças para o simples DVD. E na verdade a diferença é bastante evidente, a imagem é extremamente nítida e consigo ver todos os poros da Sigourney Weaver. Dizem que o novo lançamento dos filmes da série Alien são particularmente bons em termos de conversão, mas claro não consigo comparar com outros casos..

Esta experiência tornou-me fã do Blu-ray? Um pouco, seria ridículo dizer que as diferenças não valem a pena, claro que valem, mas não me passa pela cabeça substituir toda a minha colecção DVD. No entanto para casos especiais como os meus filmes favoritos se calhar futuramente até irei comprar e/ou substituir com uma versão BD (o Alien foi emprestado).

Em relação ao filme em si, já falei tanto dele, o melhor é mesmo postar uma crítica que fiz há já alguns anos para a Red Carpet.

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Estávamos no final da década de 70, o clássico 2001: Odisseia no Espaço já tinha dez anos, no entanto o fenómeno Star Wars tinha atingido o mundo há apenas dois. As repercussões do épico de George Lucas eram avassaladoras, todos tentavam de uma maneira ou de outra ganhar algo com a nova “febre” que se tinha instalado. Os estúdios apressaram-se a lançar filmes de ficção científica para tentar apanhar este lucrativo comboio, na maior parte dos casos, estes filmes revelaram-se monumentais flops, caindo quase no plágio.

Entre essas tentativas menos conseguidas houve uma que se destacou, Alien. A mistura entre ficção científica e terror resultou num dos filmes mais emblemáticos e inspiradores do género e espalhou o terror pelo imaginário popular. A ideia não era nova, durante, principalmente a década de 50, vários filmes já tinham tentado algo do género, como The Thing from Another World (1951) e It! The Terror from Beyond Space (1958). Mas ao contrário destes, Alien abordou o tema do alienígena assassino de forma séria, credível e científica, tornando-o mais real aos olhos dos espectadores, criando assim uma sensação de medo e desconforto.

A acção decorre no futuro, a bordo do cargueiro espacial Nostromo, cuja tripulação de 7 pessoas está encarregue pelo transporte de minerais para a Terra. Mas a meio da viagem a rota é desviada até um sinal S.O.S proveniente dum planeta desconhecido. Aí um dos passageiros é atacado por um ser extraterrestre, ataque esse que dá inicio uma luta pela sobrevivência de todos os 7 passageiros.

Um dos pontos fortes do filme são precisamente os passageiros, são todos muito diferentes entre si, Dallas é o líder, Ripley com um forte sentido de responsabilidade, Lambert é insegura, Ash é misterioso, Kane é curioso (demais) e a dupla Parker e Brett são descontraídos. É interessante ver estas diferentes personalidades a conviverem em grupo, nos momentos de calma e de tensão e observar como cada um se comporta.

O antagonista deste grupo tornou-se um símbolo da ficção cientifica e uma imagem de horror, magnificamente desenhado pelo Suíço H. R. Giger. O extraterrestre é um ser medonho, mas ao mesmo tempo atraente, o desenho sensual e quase erótico que Giger empregou cria um sentimento de ambiguidade no espectador. As diferentes fases evolutivas da criatura são aterrorizantes para o espectador porque simbolicamente representam um medo comum, violação sexual. Desde o facehugger (que convenhamos é uma mão com uma vagina que na verdade utiliza um pénis para sufocar e “engravidar” a vitima) passando pelo chestburster (um pénis andante) até à criatura final (a sua língua mais uma vez reflecte esse lado sexual) o espectador é sempre confrontado por uma visão negra e retorcida de algo que por si só já é desconfortável para tanta gente. Mas acima de tudo, a criatura marcou o imaginário colectivo porque ele é uma personificação dos medos (regresso ao nosso lado selvagem e primário, violação, invasão) e desejos (sexualidade, liberdade) humanos, é o nosso lado selvagem, negro e instintivo.

O trabalho de pesquisa resultou num ser realista e cientificamente plausível, aqui deixou-se de parte os monstros de borracha que saltitavam atrás das suas presas. Pela primeira vez foi imaginado um monstro realista aos olhos da ciência, desde o seu nascimento, incubação e mutação ao estado adulto. Mas são raras as oportunidades que temos para o ver. Inteligentemente Ridley Scott decidiu dar-lhe o mínimo tempo de antena, devido ás limitações técnicas da época, ainda era usado um homem dentro do fato e obviamente mostrá-lo no ecrã estava fora de questão, assim criou-se o sentimento de desconforto pretendido.

Para além do extraterrestre, são focados outros aspectos no filme, os super computadores, inspirado no HAL 9000 de 2001 Odisseia no Espaço, a Mother é quem comanda a Nostromo através de ordens da Companhia. Outra ameaça à tripulação é um andróide, ameaça essa que passou a ser tema de destaque ao longo da saga.

Alien é claro, revelou ao mundo Sigourney Weaver que se tornou o símbolo da saga, e chegou inclusive a ser nomeada ao Oscar de melhor actriz com a sequela Aliens. Um talentoso leque de actores completa a tripulação, onde se destacam Tom Skerritt, o grande John Hurt, Ian Holm e Harry Dean Stanton. É possivelmente o melhor elenco dum filme de ficção cientifica até então.

A tagline do filme avisa, “ No espaço ninguém te pode ouvir gritar” e a realização de Scott transmite-nos esse sentimento de solidão, isolamento, tensão, terror e claustrofobia na perfeição. Esse sentimento fica completo com a banda sonora, ela raramente está presente (o filme vive muito do silencio) mas quando ela entra é sempre de forma a mergulhar ainda mais o espectador no ambiente hostil pretendido.

Alien conseguiu manter-se fora da sombra de Star Wars, e criar um caminho próprio por mérito próprio, criando quase um novo sub-género da ficção científica. Ridley Scott criou uma obra prima que ficará para sempre marcada no panteão da ficção cientifica, para além de ter dado inicio a uma saga de sucesso com mais três filmes de onde se contam dois de elevada qualidade, tornou-se também numa obra inspiradora para o futuro do cinema.

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