Deus Ex: Human Revolution [2011]

Opinião do The Missing Link no final da página.

Há jogos que parecem que nasceram fora do seu tempo, se em casos como o de Rage não seja propriamente positivo, às vezes, como no caso de Deus Ex: Human Revolution deixa-me completamente surpreendido por estar a jogar algo deste calibre em 2011.

Se leram a minha retrospectiva ao original, certamente se aperceberam que muitos dos pontos fortes que o tornaram no clássico que é, estão quase extintos no panorama actual, ou seja, a sua liberdade e o brilhante level design. Salvo raras excepções são elementos que praticamente desapareceram hoje em dia dos chamados jogos AAA, como tal é natural que a minha reacção aquando o anúncio desta prequela tenha sido de “bem… lá vão eles estragar outro clássico ao tentar moderniza-lo”. Para mim era impossível poder recriar o que fez de Deus Ex um clássico intemporal. Mas não é que para meu espanto, Deus Ex: Human Revolution conseguiu fazer isso mesmo? Mais! Em muitos aspectos é um jogo superior ao classico! Blasfémia? Não sei. Se tirarmos os óculos da nostalgia Deus Ex tinha tantos defeitos quanto virtudes.

Quando voltei a jogar o Deus Ex há uns meses atrás, uma das coisas que mais saltou à vista foram os seus defeitos, é um jogo com muita palha, um terrível combate, uma história que vai ficando progressivamente mais pateta e tem muitas sequências que são, para mim, muito aborrecidas. O que acaba por o “salvar” é claro os seus pontos fortes que já mencionei, e que são realmente fenomenais mesmo depois de tanto tempo.

Deus Ex: Human Revolution acabou por quebrar as minhas (relativamente) baixas expectativas, consegue manter algumas das virtudes do original e melhora muitos dos seus defeitos. O resultado é um jogo muito mais equilibrado e, preparem as tochas, mais agradável de se jogar.

O que mais me surpreendeu foi a forma como conseguiram replicar com algum sucesso o brilhante level design do original, permitindo uma elevada liberdade na forma como podemos abordar os objectivos. Muito sinceramente estava à espera de algo mais linear, no entanto quase nunca consegue atingir o brilhantismo de alguns dos níveis de Deus Ex, mas não anda longe. Pelo contrário, na liberdade narrativa, Human Revolution está longe do que fez Deus Ex memorável, aliás, está muito longe mesmo. A sua história é extremamente rígida e ela raramente se transforma de acordo com as nossas acções, aliás nem foi construída para isso. Acaba por ser uma pena, porque ela é muito interessante (se bem que para mim tem algumas dificuldades na forma como a expõe) e surpreendentemente realista em comparação com o jogo original. Consegue abordar algumas questões filosóficas sobre o papel que a tecnologia tem e deve ter no futuro da humanidade. É sempre bom e refrescante quando um jogo tenta abordar questões duma forma mais séria, é algo que faz falta.

Onde esta falta de liberdade narrativa acaba por se evidenciar é no final quando o jogador tem de escolher um dos quatro finais, literalmente, ao premir um dos botões, na ultima sala. É um reflexo da forma como as escolhas dos jogador não se reflectirem na prática. Até somos persuadidos a fazer reload após o termino do jogo até essa ultima sala e ver todos os finais. É uma pena.

O que também me deu pena, e já falado por todos, são as boss fights. De facto não dá para esconder, parecem saídas dum jogo distinto e vão completamente contra a filosofia do jogo. Elas nem são particularmente difíceis (caso sigam um caminho não letal terão muitas mais dificuldades) mas acabam por ser um enorme contra-senso num jogo que foi construído à volta da liberdade de escolha. E essa liberdade reflecte-se, para além do level design, nas diferentes augmentations que o jogador pode “instalar” no protagonista Adam Jensen. Grande parte delas realmente funcionam (que é algo que não se podia dizer do jogo original) e mudam drasticamente a forma como cada jogador decida abordar o jogo.

Ao contrário de Deus Ex, aqui o combate é… aceitável. Os que gostam de premir o gatilho têm aqui um jogo competente, mas para mim a beleza de Human Revolution está na forma como podemos não seguir um caminho violento, e pessoalmente as longas horas de simples investigação dentro das duas cidades (que funcionam como hub worlds) foram o grande ponto alto da experiência. Era quase como uma aventura gráfica moderna. O stealth está muito bem implementado,  eu sou daqueles que é sempre apanhado, mas aqui funciona!

Graficamente não é propriamente digno de grandes louvores, mas é um jogo bonito. A sua direcção artística é muito boa e acaba por disfarçar alguns dos seus problemas técnicos. Infelizmente não consegue esconder outras deficiências mais evidentes, falo em especial dos modelos das personagens que ficam surpreendentemente aquém do que seria de esperar, muitos deles têm corpos desproporcionais com cabeças mais pequenas do que o normal e ombros largos de mais… é muito estranho ver algo assim num jogo AAA de 2011. Mas de resto, e mesmo com o filtro dourado (uma escolha artística válida mas na minha opinião um pouco exagerada) o ambiente e atmosfera cyberpunk é provavelmente do melhor que vi nos últimos tempos, a arquitectura, os sons, a musica (que é simplesmente deliciosa) tudo conjugado resulta num mundo futurista realista e credível.

Para concluir, Deus Ex: Human Revolution conseguiu o enorme feito de homenagear e ser relativamente fiel e respeitoso ao clássico, o que nos tempos que correm é digno de todos os louvores possíveis. À semelhança de Deus Ex tem as suas falhas, mas as virtudes acabam por, e de que forma,  compensar, transformando-o num dos melhores jogos de 2011.

Positivo:
+ Atmosfera
+ Level Design
+ Narrativa
+ Mecânicas de stealth
+ Música

Negativo:
Boss fights
– Alguns aspectos gráficos
– História demasiado linear

Sai do templ… do PixelHunt com:

 

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The Missing Link – Apeteceu-me voltar ao mundo de Deus Ex, mas o jogo em si era demasiado grande por isso optei pelo DLC que saiu uns meses após o jogo e que comprei por essa altura e ainda não tinha jogado. É um senhor DLC, um capitulo inteiro de cerca de 5 horas retirado da história princiapal. Lembram-se quando o Adam explode o porto em Shanghai e foge escondendo-se dentro duma cápsula num barco? Mais tarde ele acorda para o clímax do jogo, The Missing Link relata o que aconteceu durante essa viagem de barco.

É  portanto um capitulo que se liga directamente com a história principal do jogo (é na realidade um parte cortada) como tal acho que deveria ter feito parte integrante do jogo em si e não um DLC, no entanto compreendo que poderia nesse caso estragar o ritmo do jogo e o posterior clímax. Foi inteligente a forma como cortaram este capitulo, já que com ou sem ele na história a narrativa flui da mesma forma.

Em termos de jogabilidade, The Missing Link é um perfeito resumo de tudo o que fez Human Revolution um excelente jogo, estão cá todas as mecânicas e particularidades que todos conhecemos mas de forma compactada. É uma perfeita montra do jogo principal. É um DLC obrigatório para quem gostou de Human Revolution, mas os 11€ que estão a pedir é demais, 5€ é um bom preço, esperem pelas promoções do Steam.

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