Indie Humble Bundle 4 (Análises: Cave Story+; NightSky; Jamestown; Bit.Trip.Runner; Super Meat Boy)

Apareceu há semanas mais um Humble Indie Bundle, o 4º, (que é do caraças) e mais uma vez aqui o vosso escriba comprou-o. Ao contrário do que fiz para os anteriores Humble Bundle’s, em que escrevi análises individuais para cada jogo, desta vez irei junta-los todos num só post. À medida que os for jogando, irei editar com a nova entrada. Como normalmente são análises curtas, escuso ter que andar a criar uma nova entrada para cada um deles. Os jogos do pacote são: Jamestown, Bit.Trip.Runner, Super Meat Boy, Cave Story+, Gratuitous Space Battle, Shank e NightSky HD. O Super Meat Boy já tinha jogado e feito análise, por isso irei meter aqui apenas um pequeno excerto.

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Cave Story+ [2004]

Já conhecia Cave Story de nome, foi um dos primeiros jogos independentes a receber a atenção da imprensa especializada, numa altura em que não era propriamente habitual, como hoje em dia.

No entanto não sabia bem o que era, claro conhecia os visuais retro, mas pouco mais. Pois bem, descobri então que é uma aventura à lá Metroidvania, ou seja uma série de diferentes níveis/cenários todos interligados que obrigam o jogador a ter que os visitar diversas vezes através da obtenção de novas habilidades. Não sou propriamente um grande conhecedor do género, não tenho grande experiência, pelo menos nos exemplos mais clássicos, para além do Metroid.

Mas Cave Story agarrou-me de inicio ao fim, é muito mais acessível e menos labiríntico que o Metroid, como tal, para mim que não tenho muito tempo a perder foi perfeito. Desde logo a história é muito interessante, um pouco infantil é certo, mas isso acaba por lhe dar um certo charme, é quase como se estivesse a jogar um daqueles animes de aventura que via na TV em miúdo.

Os controlos são óptimos, no entanto um pouco… “escorregadios”… não consigo encontrar um melhor adjectivo. Falhei algumas plataformas porque o boneco às vezes andava muito solto. Os visuais são muito reminiscentes dos animes e dos jogos da geração dos 16bits, simples mas com muito charme. Já usei a palavra charme por duas vezes, é que esse é mesmo o melhor termo para adjectivar o jogo do Daisuke Amaya.

Resta dizer que a versão que joguei foi o Cave Story+ que na prática é algo tipo “remake HD” ou seja, melhores visuais, música, novos modos de jogo e níveis. Uma opção muito bem vinda é a possibilidade de mudar para o áudio e visuais originais nas opções do jogo. É algo que pessoalmente acho que todos os remakes cosméticos deveriam ter. As edições especiais do The Secret of Monkey Island e Le Chuck’s Revenge e a edição do 10º aniversário do Halo fizeram muito bem.

No modo normal durou-me umas sólidas 8 horas, no entanto o jogo pede mais playthroughs para descobrirem todos os 4 finais, mas já foi um cabo dos diabos vencer o boss final no modo normal nem me quero imaginar nos graus de dificuldade mais elevados.

Volto a repetir, um jogo muito charmoso, merece ser descoberto e leva daqui um selo de recomendado.

Sai do templ… do PixelHunt com:

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NightSky [2011]

Não sabia nada sobre este jogo, mas pelas imagens pareceu-me bonitinho e pequenito. Vim a saber que foi um dos nomeados para o  Seamus McNally nos IGF, que é tipo o Oscar de melhor filme para os jogos indie, e que teve um longo e atribulado processo de produção que começou há mais de 5 anos.

É uma pena que tenha demorado tanto tempo a ser lançado, porque na altura em que finalmente viu a luz do dia (no ano passado) o seu bonito estilo visual já não era novidade e cada vez mais começa a ser visto numa série de jogos. É um estilo muito reminiscente de Limbo por exemplo, no entanto nota-se que tem valores de produção mais baixos, a resolução é mais baixa (não dá para jogar em fullscreen) e o traço parece saído dum jogo flash. No entanto não deixa de ser um jogo visualmente bem apelativo.

Mas o que é mesmo NightSky? É mais um dos muitos jogos de plataformas cujas mecânicas se baseiam na física, tudo no jogo responde realisticamente às leis da física e o jogador tem de controlar uma esfera através de obstáculos e puzzles. É um jogo engraçado e alguns dos seus puzzles são bastante imaginativos, no entanto o nível de dificuldade (no modo normal, há outro mais desafiante que é bem menos perdulário) é bastante acessível e raramente me deixou a ficar a pensar. Os poucos picos de dificuldade eram quase sempre por causa dos meus reflexos.

Se tiver que apontar um aspecto negativo terei de falar da falta de coerência entre níveis. Como não há propriamente uma narrativa que prenda a evolução dos níveis, não há grande relação entre eles, num nível andamos a navegar o cenário num aparelho voador e no seguinte por magia esse mesmo aparelho já não existe. Como está, NightSky mais parece um retalho com vários níveis colados entre si do que uma linha continua coerente.

A musica e a atmosfera são bastante boas e ajudam a transportar o jogador para um mundo etéreo feito de sonhos. NightSky é um interessante jogo independente que utiliza bem os seus pontos fortes mas que falta ambição para ser mais que um simpático jogo indie e entrar no panteão dos clássicos independentes.

Sai do templ… do PixelHunt com:

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Jamestown [2011]

O segundo jogo do Humble Bundle que joguei foi Jamestown, ao contrário de Bit.Trip.Runner deste eu não conhecia praticamente nada, só de nome.

A premissa de Jamestown é… estranha… No sec.XVII, nas colónias do novo mundo, ingleses e espanhois lutam uma violenta guerra pelo controlo dos recém descobertos territórios à volta de Jamestown. Não, não estou a falar de Jamestown nos EUA, mas da outra Jamestown… em MARTE! Sim, este é um jogo que retrata o conflito entre ingleses e espanhóis durante o sec.XVII em Marte. Pode parecer uma idiotice (e é) mas é tudo apresentado com tanta sobriedade e seriedade que chega a um ponto que as coisas até parecem relativamente naturais.

Jamestown é um classico shoot-em-up (shmup) onde o objectivo basicamente é sobreviver a um inferno de balas e obstáculos e matar tudo o que mexa. Simples no papel, difícil na prática. Embora tenha uma curva de aprendizagem bastante ligeira, alguns dos desafios e níveis (praticamente apenas o ultimo, verdade seja dita) são uma autentica prova de perícia, destreza e muita, muita paciência.

A jogabilidade e controlos são excelentes e não é por aí que se poderão queixar de eventuais mortes (que serão muitas), mas o grande ponto forte de Jamestown são os seus lindíssimos visuais 2D bem ao estilo da época dos 16bit e a excelente banda sonora, digna de figurar num qualquer filme épico (o que se passa com as bandas sonoras em jogos indie ultimamente? São quase todas brilhantes!)

À primeira vista pode parecer um jogo curto e com pouco conteúdo, e de facto a história tem só 6 níveis, no entanto não esperem um passeio, cada nível deve ser ultrapassado em elevados níveis de dificuldade para assim desbloquear o nível seguinte, por isso terão de os repetir  várias vezes. Para complementar, há uma loja dentro do jogo que vós dará dezenas de pequenos e divertidos (frustrantes também) desafios que nos obriga a usar todos os truques que entretanto aprendemos durante a campanha.

Não sou grande adepto de shoot-em-ups, mas Jamestown conseguiu-me conquistar. É divertido e desafiante e só por ele já valeu a pena comprar este Humble Bundle. Recomendado.

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Bit.Trip.Runner [2010]

Parte da série Bit.Trip que é composta por seis jogos originalmente lançados para a Wii, Bit.Trip.Runner é um simples sidescroller onde o objectivo é evitar obstáculos sem parar de correr. Não sei qual foi o primeiro jogo a usar esta premissa, mas lembro-me que o Canabalt e o Robot Unicorn Attack usavam mecânicas semelhantes. Acaba por ser aí que Bit.Trip.Runner perde um pouco, Canabalt e Robot Unicorn Attack são semelhantes e são grátis… porque razão haveria de pagar por um jogo que faz basicamente o mesmo?

Bom, na verdade estou a ser injusto, Bit.Trip.Runner tem obviamente mais conteúdo, mais níveis (em vez do único nível infinito gerado processualmente dos referidos jogos) e diferentes movimentos e variedade de obstáculos. Mas na sua raiz pouco diferem. Bit.Trip.Runner tem um tom e um visual carregado de charme, mas também Robot Unicorn Attack o tem. Mas, pronto, no fim de contas Bit.Trip.Runner está tão barato que não vale a pena insistir neste ponto.

O facto de ter uma elevada diversidade de níveis é uma faca de dois gumes. Se por um lado é sinonimo de maior conteúdo e consequentemente mais horas de jogo, por outro significa que cada um dos níveis são minuciosamente montados, logo a forma de os ultrapassar passa apenas pela memorização e muita repetição. Não há a tensão e imprevisibilidade que um nível gerado processualmente trás, já que seria uma experiência nova a cada jogo e o objectivo não passa por atingir a maior pontuação possível ou sobreviver o máximo de tempo possivel, mas basicamente chegar ao fim do nível, já que eles são finitos.

Por fim, a música tem um papel preponderante, já que cada obstáculo ultrapassado cria uma nota musical e chega a um ponto que os nossos movimentos já estão directamente ligados ao tema musical e fazemos tudo de forma inconsciente ao som da musica, é uma sensação engraçada. Um problema neste tipo de jogos é a extrema repetição como não podia deixar de ser. Bit.Trip.Runner é extremamente repetitivo e ao contrário de por exemplo Super Meat Boy onde praticamente não há qualquer tempo de espera entre tentativas, aqui há sempre um breves segundos que podem não parecer muito, mas à centésima tentativa são a coisa mais irritante à face da terra.

Joguinho super simples, não fiquei particularmente fã, mas gostei o suficiente para querer conhecer o resto da série Bit.Trip.

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Super Meat Boy [2010]

Todos os anos são lançados centenas e centenas de jogos independentes de baixo orçamento que tentam mostrar-se ao grande público. Desses apenas algumas dezenas conseguem  atingir esse objectivo. São jogos como World of Goo ou Braid. Este ano foi a vez de Super Meat Boy Super Meat Boy é um excelente platformer, um óptimo jogo e uma celebração aos videojogos. Um dos melhores jogos do ano.

Positivo:
+ Sentido de humor
+ Controlos
+ É enorme
+ Consegue não ser frustrante

Negativo:
– As vezes é demasiado sádico para o jogador
– Destrói os polegares

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