Uncharted 3: Drake’s Deception [2011]

Pois bem, voltei à PS3 para um dos pesos pesados de 2011, nada mais nada menos que Uncharted 3.

Para mim, os anteriores jogos da série foram bons divertimentos, mas com os seus defeitos. Alguns deles bastante incomodativos especialmente no combate, mas de qualquer das formas posso dizer que passei bons momentos. Uncharted era bastante mediano, mas Uncharted 2 corrigiu muitos dos problemas da primeira incursão e revelou-se como uma boa experiência. Sabia que iria ser muito difícil este terceiro capitulo atingir o mesmo salto qualitativo, mas esperava um produto de ainda maior qualidade.

No entanto a resposta óbvia é um claro e redondo NÃO. Uncharted 3 não só não dá um salto idêntico (o que seria complicado), como em muitos aspectos é inferior e um evidente retrocesso. É curioso voltar a atrás e relembrar a luta entre Uncharted 2 e Batman: Arkham Asylum para o GOTY 2009 entre a imprensa especializada. É curioso porque ambas as séries continuam de mãos dadas e por incrível que pareça a Naughty Dog acabou por ir beber muito ao jogo da Rocksteady neste segundo duelo. A primeira colagem que salta à vista (literalmente, porque o jogo começa assim) é o combate corpo a corpo. É mais que óbvio que a Nnaughty Dog ficou impressionada com o que viu no jogo da Rocksteady, como tal há agora um maior foco neste campo e embora seja um passo em frente em relação aos anteriores capítulos, fica muito, mas muito aquém de Arkham Asylum, quanto mais de Arkham City. No entanto recorri muitas vezes a este tipo de combate, muito porque o combate com armas de fogo continua uma desgraça, falo por mim como é óbvio.

Para além dos constantes e repetitivos encontros em arenas, como já habito na série, tive sérios problemas com a sensibilidade e resposta da mira. Sei que houve um bug entretanto corrigido, mas eu não senti melhorias., era uma situação que não estava presente em Uncharted 2. Mas são mesmo os encontros que me deram cabo do juízo, este é daqueles jogos que sem qualquer réstia de combate iria melhorar muito. Digo isto porque caso o retirassem, Uncharted teria de ser um jogo com maior enfase na exploração, e isso é algo que a cada jogo na série vai desaparecendo aos poucos. Praticamente já não há exploração, e a que há é tão básica e insípida que facilmente perdemos a ideia de que estamos em locais há muito abandonados (quando estamos).

Outro aspecto que pessoalmente acho que foi inspirado pela série Batman são as visões surrealistas induzidas por uma droga. Uncharted nunca teve isto, e se formos a ver bem, é algo muito pouco… “Unchartediano”… de certeza que as visões causadas pelo Scarecrow foram importantes para este terceiro jogo.

Mas mesmo assim, este é um jogo que não arrisca um milímetro e joga sempre pelo seguro. Actualmente, ao terceiro jogo, a série Uncharted estagnou, o que é irónico tendo em conta as comparações que se faziam com a série Tomb Raider e da frescura que era Uncharted. É uma prova cabal da dificuldade que é manter uma série fresca, também a Naughty Dog encontra dificuldades. A série nunca foi reconhecida por inovar ou apresentar algo de novo, praticamente tudo nestes três jogos é composto por situações e cenários retirados de outros jogos e filmes, mas refinados até à perfeição, tudo com um detalhe e polimento assustador. Uncharted 3 é possivelmente o jogo mais polido que alguma vez joguei, tudo foi feito sem descurar o minimo detalhe, não há praticamente bugs, glitches, clipping… nada. É sem dúvida onde a série brilha, e têm elevado a fasquia do que se deve esperar dum jogo AAA.

Mas não é só no campo técnico que Uncharted 3 brilha, algumas das set pieces são de cortar a respiração, falo em particular da cena do avião que é um exemplo perfeito da experiência Uncharted. No entanto, o ritmo do jogo é um claro passo atrás em relação ao anterior jogo da Naughty Dog. Se Uncharted 2 era perfeito neste aspecto (a segunda metade do jogo é um crescendo de intensidade) Uncharted 3 nunca consegue aproveitar os pontos altos para levantar voo, sempre que surge um momento intenso é quase sempre e invariavelmente interrompido por momentos de extrema repetição, como são os combates, ou pausas na narrativa como é o longo “mini-episódio” em busca dum barco em alto mar.

Por falar em narrativa, a história mantém muitas guias impostas pelos anteriores jogos da série, mas louvo a Naughty Dog por tentar algo diferente. O template clássico foi abandonado a favor duma aventura mais pessoal e intimista de Nathan Drake. Mesmo com alguns problemas evidentes, como o mini arco narrativo que já mencionei, alguns problemas de transição de cenas e inconsistências, a história é interessante qb. Mas fica a dúvida se o seria mesmo sem o carisma das personagens.

Os pontos fortes dos anteriores jogos continuam lá, os diálogos e interpretações são maravilhosamente realistas e naturais, os gráficos são os melhores que se podem ver nas consolas e como já referi, o polimento e atenção ao detalhe é soberbo. Mas… isto já são coisas que damos por garantido num Uncharted… e mais? Pois, de resto Uncharted 3 pouco ou nada evolui em relação a Among Thieves, mais parece um Uncharted 2.5. Pode ser injusto estar-me a queixar disto, mas ficou-me a sensação de que a Naughty Dog pensou que bastaria fazer o mesmo que fez no 2º jogo e que e que isso resultaria inevitavelmente num jogo ainda melhor.

“Ah mas no Batman: Arkham City também disseste que pouco tinha evoluido em relação ao anterior!” Sim, é verdade que Arkham City partilha as mesmas caracteristicas de Arkham Asylum e pouco ou nada arrisca, mas ele pega no primeiro jogo, refina-o e dá carradas de conteúdo, Uncharted 3 não. Mantêm-se praticamente inalterado.

Ah… ainda há o multiplayer, mas o jogo foi emprestado, não trazia código e não pude jogar. Too bad… for them…

Resumindo e concluindo. É obviamente um bom jogo e uma boa experiência, quem disser o contrário é um idiota, mas fiquei  com o claro sabor de mais do mesmo.

Positivo:
+ Super polido
+ Tecnicamente está perto da perfeição
+ Personagens carismáticas
+ Diálogos

 Negativo:
– Ritmo inconstante
– Combate…
– Mais do mesmo

Sai do templ… do PixelHunt com:

Comments
6 Responses to “Uncharted 3: Drake’s Deception [2011]”
  1. Hugo Bessa diz:

    Foi no final da analise que acabas por te contradizer. Arkham City ofereçe conteudo, sim, mas aqui o conteudo oferecido nem sequer foi experimentado por ti. Uncharted 3 ofereçe muita variedade e conteudo no multiplayer, e por isso mesmo devias dar mais uma oportunidade. Exceptuando isso, acho que foste demasiado negativo para com o jogo, ja para não referir que algumas comparaçoes sao descabidas, mas aceito a tua opiniao…

    • O Arkham City não tem multiplayer, todo o conteúdo extra está no singleplayer, por isso numa comparação directa o Uncharted 3 fica sempre aquém. Se a Naughty Dog quer que eu inclua o multiplayer na minha análise (lol) não ponha um multiplayer pass que não mo deixa jogar. Eu não sou profissional, sou um tipo que tem de gerir o seu curto orçamento e joga com o que tem e partilha as suas experiências. O não poder jogar o multiplayer faz parte dessa experiência.

      Não acho que tenha sido demasiado negativo, referi tantos pontos positivos quanto negativos, aliás até coloquei mais bullet point positivos que negativos no final. E a nota final reflecte isso, é uma boa pontuação aqui no PixelHunt (equivale a um 7/10) que é menos meia estrela que o superior Uncharted 2. =)

  2. Hugo Bessa diz:

    Podes dizer o que quiseres, mas continuo com a minha opinião formada de que foste muito negativo para com o jogo. Aliás, acho que esse é um mal desta industria, e não de ti em particular, visto que tendem a julgar os jogos com comparações com os capítulos anteriores. Acho que deste muita importância às (desnecessárias) comparações e isso reflectiu-se na nota. Mas como já disse antes, aceito a tua opinião, porque sempre foi válida para mim enquanto leitor. Posso é discordar dela, mas isso já são outros assuntos…

  3. Tiago Sousa diz:

    WWHHHHAAAATTTT!!!! A luta para o GOTY foi entre Uncharted e Batman? Ezio mi amico… Ezio… foi aquele que mais deu luta e por mim levava mas “destacadissíssimissimo” o prémio, pois nem Arkham City oferece o que ofereceu ACII quanto mais Uncharted e AA.

    Parece-me a mim que vou ter de chamar a Brotherhood. 😛

  4. Infelizmente, tenho de concordar em parte com a tua análise, no que diz respeito a ser um retrocesso, porque o segundo foi intenso do início ao fim, e este terceiro jogo foi algo… aborrecido! Quando começava a ficar mais puxado, parece que desistiam e tudo ficava meio apagado… A nível técnico irrepreensível (nunca tive problemas de mira e afins) mas no que diz respeito à parte “intelectual” (falta-me aqui palavra melhor, para algo que me afecte a nível psicológico) foi muito fraco.

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