To the Moon [2011]

Ah… pensavam que tinha desistido? Ainda cá estou. Há obras que são extremamente complicadas e injustas de se falar, quanto mais analisar. Em qualquer que seja o meio, sempre que alguma coisa consegue quebrar a esfera de segurança que normalmente um “crítico” (aspas grandes) se gosta de esconder, obriga-nos… obriga-me a ter que falar de coisas que não me sinto confortável e a aborda-las por um prisma que me pode levar facilmente a ser demasiado parcial e a não me conseguir desprender.

Mesmo algumas das minhas obras favoritas não me fazem sentir isto, mas de vez em quando lá surgem algumas que me desarmam e me deixam “despido” da tal esfera. To the Moon é uma dessas obras. Já o acabei há algumas semanas, mas nunca consegui escrever… não sei o que dizer sem ter que entrar num lado mais pessoal. Vou tentar ser o mais frio e distante possível para não…. na verdade não sei… eu escrevo para partilhar as minhas experiências… não sei se me devo resguardar, não vai isso contra a ideia central porque escrevo? Não estarei eu a ser falso ao esconder esse lado pessoal? É uma pergunta que me faço demasiadas vezes, To the Moon acaba por ser apenas uma desculpa para eu voltar a questionar isso mesmo.

Ontem finalmente decidi que deveria tentar escrever algo… há momentos na nossa vida que às vezes nos parecem triviais, mas que rapidamente crescem e tomam proporções de tal forma grandes, que mais tarde nos apercebemos que nos vão marcar toda a vida, tornando-se momentos chave. São momentos que nos definem, são momentos que se tornam memórias, memórias que moldam as nossas decisões, comportamentos e experiências, experiências que vão definir o nosso futuro. É engraçado que muitos desses momentos são despoletados por emoções, a nossa parte emocional é de tal forma importante que fica gravada na nossa memória e define a forma como somos. Emoções como a perda e o amor têm tal impacto que literalmente transformam vidas.

To the Moon tem dois protagonistas centrais, dois cientistas que navegam por essas memórias cruciais para conceder os desejos dos seus empregadores. No inicio do jogo conhecemos John, um homem idoso às portas da morte que antes de entrar num coma que o levará à morte, contratou o serviço dos dois cientistas para que lhe concedessem um ultimo desejo. Assim, eles entram nas memórias do idoso moribundo e usam-nas para fabricar uma realidade paralela na mente de John, quase como um ultimo sonho antes da sua morte.

E pronto… não me vou alongar mais sobre a história, ela deve ser descoberta aos poucos, é suportada por uma excelente escrita e momentos memoráveis. Digo só que foi um turbilhão emocional descobrir todas as memórias de John e ver a forma como certos momentos definem uma vida. Foi uma viagem com muitas gargalhadas (tem um lado cómico muito apurado) mas também muitas lágrimas, nós no estômago e apertos no coração.

To the Moon é uma história linda que teima em querer criar paralelismos com as minhas próprias vivências, os meus erros, decisões, sentimentos, e que me esgotou psicológica e emocionalmente.

A temática central da história roda à volta duma palavra que nunca é dita em jogo, mas que tem um poder avassalador, o amor. O amor que John viveu toda a sua vida definiu todas as memórias chave da sua existência. É devastador ver como ele viveu, tomou as suas decisões e eventualmente morreu sempre guiado por um amor intemporal e inquebrável, nunca desistindo e nunca recaindo ao tempo e às adversidades… é muito difícil falar disto sem me aprofundar mais sobre a história, estou a divagar e o leitor não está a perceber nada.

Não se preocupem, vou tentar acabar isto com algumas tecnicidades a ver se se aproveita alguma coisa. To the Moon é uma aventura gráfica independente de Kan Gao, da Freebirds. Tem um estilo visual reminiscente dos clássicos JRPG, e uma fortíssima componente narrativa. Visualmente não posso dizer que tenho gostado muito, não que seja feio, longe disso, mas não gosto do estilo JRPG, acho que um estilo clássico ocidental encaixaria muito melhor. Para além da parte narrativa não há muito por onde pegar, a interactividade é quase nula para além da movimentação das personagens, e as opções que nos são dadas são praticamente inexistentes. Há meia dúzia de puzzles, quase todos variações do mesmo e chega a haver combate, no entanto dura apenas uns minutos e deve ser visto como comédia. Por fim, não posso deixar de falar da lindíssima música que está interligada à narrativa em alguns pontos. Mas se tiver que ser factual, To the Moon é um jogo medíocre com uma excelente história.

Indo para o jogo nunca pensei que me viesse a marcar desta forma, To the Moon foi um dos jogos que mais impacto pessoal teve em mim. É um jogo que se aproveitou das minhas fraquezas emocionais e me fez sentir pequenino. Espero que daqui a alguns meses se eventualmente tiver ultrapassado a fase que tenho vindo a passar e reler isto, me ria e fique embaraçado com as parvoíces que escrevi, mas actualmente é só isto o que consigo dizer desta excelente viagem que foi To the Moon.

Assim resta-me terminar… eu sei que o blog tem andado parado mas as coisas voltarão ao normal, às vezes é importante reflectir, parar e ler entre as entrelinhas da vida… argh que piroseira, é melhor parar. Não vou dar notas para já, não sei o que dar.

Comments
3 Responses to “To the Moon [2011]”
  1. Tenho imensa curiosidade em experimentar este jogo.

    Joguei o Quintessence – Blighted Venom do mesmo autor e acho uma obra genial. Também joguei Do You Remenber My Lullaby, que deve ser mais ou menos equivalente a este To The Moon em termos de jogabilidade, e achei-o bastante bom.

    Acho que o autor deste jogos é bastante talentoso, principalmente na escrita.

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