Alan Wake [2010]

Quem me conhece sabe que sou um fiel seguidor da Remedy, os Max Payne são dos meus jogos favoritos e fiquei extremamente triste e desapontado quando cancelaram o Alan Wake para PC há dois anos. Embora me tenha sentido traído e frustrado com a Remedy, a verdade é que no fundo sempre continuei a gostar deles e foi uma alegria quando o port do jogo para o PC foi anunciado há coisa de 2 meses. Comprei-o no 1º dia e apoiei a Remedy. Isto é tudo para explicar a minha posição em relação ao estúdio finlandês e para não me acusarem de ter uma visão parcial (concerteza já foram ver a nota que dei) e um sentimento de vingança.

Eu queria muito gostar de Alan Wake e estava preparado para fazer vista grossa aos seus defeitos e limitações, portanto quanto muito o meu espírito critico ia toldado mas a favor do jogo. Mas… a verdade é que esta foi uma das maiores desilusões que tive nos últimos anos. Não é um mau jogo, longe disso, é mediano, mas ficou tão aquém das minhas expectativas, e desperdiça tanto potencial que é uma pena.

Já toda a gente falou da genesis do jogo, de como iria ser open world, que foi capado posteriormente e tudo isso, não vou entrar por ai, mas é extremamente frustrante ver os sinais e os vestígios desse Alan Wake. É uma pena ver longos mapas que pedem para ser explorados mas nos limitam a um corredor, ver os veículos que neste actual modelo para nada servem, uma cidade que praticamente não nos deixa visitar e criar empatia…. Não digo que Alan Wake devesse ser open world, até prefiro experiências lineares, mas como saiu mais parece uma manta de retalhos onde ainda conseguimos ver os buracos. É visível a longa e atribulada produção do jogo, e vê-se que a Remedy mudou diversas vezes a ideia que tinha para o jogo.

O resultado final é um jogo sem grandes ideias para lá do conceito central da diferença entre luz e escuridão que se manifesta especialmente no combate. Fora do combate (que compõem quase 80% do jogo) Alan Wake é um jogo desinspirado. O level design é medíocre, os puzzles que surgem no caminho são apenas acidentes de percurso e… não há muito mais para se fazer. Alan Wake é um jogo de acção onde o combate ocupa quase todo o tempo (ao estilo de Max Payne) no entanto ele rapidamente estagna porque não há qualquer evolução natural para além da ideia de que os taken têm um escudo de escuridão que deve ser retirado com luz antes de os matarmos. Isto traduz-se numa natural fatiga, se nos primeiros episódios ainda aguentei para ver o rumo que a história iria tomar, depois do 4º episódio (que é de longe o melhor) o jogo tornou-se numa enorme “seca” especialmente os DLC.

Mas o que mete mais pena é tudo o que o jogo poderia ser, o mundo de jogo é muito inspirado em Twin Peaks, mas não temos qualquer possibilidade de o conhecer a fundo. Estamos quase sempre no meio de florestas genéricas a meio da noite, é tudo tão igual que não sei diferenciar os vários sítios por onde passei. Era tão melhor se houvesse uma divisão entre combate nocturno e investigação diurna. Seria fabuloso passar horas por todo o mapa a tentar arranjar vestígios do paradeiro da Alice para depois avançar durante a noite. Mesmo com um jogo linear poderiam ter feito algo nesta onda. Bright Falls e os seus habitantes parecem muito interessantes, mas o jogo não nos deixa conhece-los, e em vez disso atira-nos para os mesmos cenários de sempre. Frustrante.

Outra desilusão é a escrita do Sam Lake, eu que sempre elogiei o que ele fez no Max Payne, não posso deixar passar o guião tão óbvio e pouco subtil carregado de exposição que nos enfia goela abaixo as diversas e mais que óbvias referências. “Sim Sam, eu percebo que estás a fazer referências, não precisas de as martelar”. A história é interessante, se bem que demasiado convoluta para o seu bem e para o final já está tão embrenhada na sua própria mitologia que acaba por se perder.

Mas nem tudo é mau, longe disso. O jogo tem um ambiente muito bom e particular e é acima de tudo uma homenagem ao terror (mesmo não sendo um jogo de terror) e ao espírito artístico. Os efeitos de luz são de topo e do melhor que já vi e o port para PC está 5 estrelas. Aliás tecnicamente Alan Wake é muito competente, corre num bom motor de jogo que permite renderizar longos mapas sem grandes problemas. Se há algo que ficou aquém são as expressões faciais, são assustadoras no mau sentido. Em termos sonoros não é nada de outro mundo, no entanto a banda sonora é irrepreensível com óptimas escolhas. Os Poets of the Fall voltam a colaborar com a Remedy, desta vez uma das suas canções até tem um papel preponderante na narrativa do jogo.

A narrativa como disse é uma homenagem ao terror, especialmente a Stephen King. No entanto as homenagens não se ficam por aí, há uma  série de referências e Lynch, Hitchcock, Lovecraft, Twilight Zone (que faz lembrar Adress Unknown do Max Payne) e até à própria mitologia da Remedy com piscares de olho a Max Payne e ao estúdio finlandês. Para um fã da Remedy, Alan Wake está carregado de deliciosos easter eggs. Se inicialmente a história empresta muito de Stephen King e do universo de Twin Peaks, rapidamente as coisas começam a mudar e para o final entra a todo o gás num universo surrealista onde a fronteira entre realidade e o sonho se torna muito ténue. Infelizmente, para quem esperava um Twin Peaks virtual, Alan Wake não é uma boa escolha, até Puzzle Agent vai mais fundo nesse aspecto. Talvez Deadly Premonition (que não joguei) seja quem melhor faz essa colagem com a série de David lynch.

Se não fosse a minha estima pela Remedy e as minhas elevadíssimas expectativas a desilusão não tinha sido tão grande, no entanto de outra forma, nunca teria o mínimo interesse em o jogar. Alan Wake é um jogo mediano, perdido numa crise de identidade, que está à beirinha de ser algo de especial mas que infelizmente teve medo de dar esse derradeiro passo.

Positivo:
+ Efeitos de luz
+ Banda sonora
+ Ambiente

Negativo:
– Escrita
– Repetitivo
–  Pouco ambicioso
– Combate

Sai do templ… do PixelHunt com:

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