The Hunger Games – Os Jogos da Fome [2012]

Mesmo com tanta informação e conhecimentos que a moderna sociedade centrada na Internet e na facilidade de comunicação nos transmite, há sempre casos curiosos em que eu ando completamente às escuras sobre alguns fenómenos. Há umas semanas atrás não fazia a mínima ideia o que The Hunger Games era, nunca tinha ouvido falar no livro e como podem imaginar foi um autêntico choque ver o impacto que o filme teve em todo o mundo, com uma estreia colossal, ou seja um sucesso global.

É curioso que muitos estejam a vendê-lo como um “sucessor” espiritual do vazio deixado por Twilight, porque aconteceu-me exactamente a mesma coisa quando fui ver o primeiro filme dos vampiros brilhantes, não fazia a mínima ideia do fenómeno que estava a ver.

As ligações que fazem a Twilight, para além do facto de serem ambos baseados em literatura juvenil e apelarem mais ou menos ao mesmo publico alvo são muito, muito ténues. A meu ver não é uma comparação muito feliz, mas a verdade é que é uma situação que em muito beneficiou The Hunger Games. Acho que todos estavam à espera que este filme seguisse as pisadas deixadas por Twilight em termos qualitativos, no entanto como o filme não é assim tão mau, e todos exageraram um pouco dizendo maravilhas de The Hunger Games. Só porque não é tão mau quanto Twilight não significa que seja maravilhoso.

Sendo direccionado para um público juvenil, especialmente feminino, The Hunger Games vê-se obrigado a controlar-se um pouco em algumas temáticas que necessitaria obrigatoriamente de imagens fortes. Aquele é um mundo hostil onde a violência é um ponto central e a fome é real para a plebe. Sendo um filme PG-13 muito do impacto necessário para transmitir essa realidade é reduzido ou mesmo retirado a favor de mais controle. É impossível não falar em Battle Royale já que as premissas têm muito em comum, e por isso mesmo a segunda metade de The Hunger Games é de longe a menos conseguida porque nem de perto consegue transmitir a mesma sensação que Battle Royale nos transmite e que seria a mais próxima da que aqueles miúdos sentiriam na realidade.

Mesmo com a segunda parte menos conseguida, a primeira é genuinamente interessante e aborda na perfeição a fachada plástica e artificial daquela sociedade, bem como a artificialidade da reality tv, The Hunger Games é acima de tudo uma mensagem critica disso mesmo, e muitas das histórias do filme são produto dessa mesma artificialidade. Por exemplo a relação entre o casalinho principal é extremamente forçada e falsa, mas ao contrário de Twilight que era fruto de má escrita e más interpretações, aqui é causada nada mais nada menos que pela necessidade de sobrevivência e pela artificialidade daquele programa de televisão.

A direcção artística é horrível, mas não sei o quanto isso é influenciado pelas descrições presentes no livro, mas a moda e a arquitectura parecem saídas dum mau filme de ficção cientifica dos anos 70. As interpretações variam entre o aceitável, exagerado e fraco, felizmente a Jennifer Lawrence está em bom plano, é bom vê-la a ter sucesso comercial depois da sua brilhante performance em Winter’s Bone.

É um filme mediano, não entendo bem o porquê dos louvores que está a receber de quase todos, talvez seja algo que me esteja a escapar. Dá para passar o tempo, e aparentemente os próximos anos serão compostos por mais sequelas, a ver como correm.

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