Assassin’s Creed [2007]

Ando a limpar o meu vastíssimo backlog do Steam, aquilo está-se a tornar num monstro de enormes proporções. Desta vez o escolhido foi um jogo que joguei na altura do seu lançamento mas que não o terminei. E não o terminei por puro aborrecimento, na altura achei um completo tédio repetitivo.

Decidi dar uma nova oportunidade agora que passaram quatro anos e indo já com exigências mais baixas. Embora agora o tenha terminado e conseguido desfrutar de alguns dos seus pontos fortes, muitos dos sentimentos que tive em 2008 mantêm-se, Assassin’s Creed é um poço de boas ideias mal utilizadas que se traduz numa experiência repetitiva e entediante.

Mas verdade seja dita, consegui retirar mais prazer neste nova visita, provavelmente estou com melhor disposição que na altura, não sei, mas foi sem duvida uma experiência mais agradável. O que sempre gostei no jogo é a sua faceta histórica, o setting medieval da 3ª cruzada é genuinamente fascinante e a representação de Jerusalém, Acre e Damasco é um mimo para qualquer historiador. Mesmo as falhas históricas da trama são habilmente explicadas pelo jogo. É sempre bom um jogo empregar tanto trabalho, pesquisa e minúcia em settings que saem do habitual na industria e Assassins Creed fá-lo de forma brilhante.

Infelizmente esse é mesmo dos poucos aspectos realmente brilhantes do jogo. Quer dizer, a forma de progressão pelas cidades, muito inspirada no parkour, é igualmente digna de destaque, mas tudo o resto é, a meu ver, mal utilizado. Assassin’s Creed é um sandbox que não sabe bem o que fazer com esse facto. É evidente que a Ubisoft Montreal não dominava muito bem as particularidades dum sandbox (eles vinham da série Prince of Persia). Há muitas ideias interessantes que na pratica são mal utilizadas.

A primeira vez que tenho que fazer a habitual investigação pela cidade, ou seja descobrir três pistas sobre o nosso alvo, é muito interessante e essa seria uma missão acima da média em qualquer jogo sandbox, é muito porreiro andar no meio da multidão ou nos telhados a procurar informações, mas… é bom uma vez, à segunda até se repete bem mas… nove vezes?! Quem diz nove diz o 90% do jogo! É quase literalmente a mesma missão durante as 15 horas de jogo, as excepções são as sequências lineares do inicio e final.

A história dá bem para ver que é apenas a primeira parte duma maior narrativa (vou jogar o Assassins Creed II nas próximas semanas) mas foi muito fácil deduzir quem me ia trair no final. Não acho que a escrita e os diálogos fossem particularmente bons, o voice acting com sotaques carregados (em contrapartida o Altair tem um perfeito sotaque americano) pareceram-me sempre muito falsos. Seria perfeito se todos os intervenientes falassem as suas línguas maternas (árabe, hebraico, inglês, francês, alemão, etc) na verdade os transeuntes e soldados falam (é muito imersivo andar nas ruas e ouvir uma mistura da de diferentes línguas) mas as personagens principais falam todas inglês. Há uma curiosa explicação para isso dentro do jogo, mas de qualquer das formas seria bom se o jogo tivesse ao menos uma opção.

Há algo que sempre liguei muito à série Assassin’s Creed, que senti quando o joguei há uns anos atrás e voltei a sentir o mesmo. Este é um jogo sem alma… sem chama… é muito difícil de explicar mas sempre que ouço o nome Assassin’s Creed vem-me à cabeça uma montra técnica, cinzenta, sem paixão, sem garra. Como se fosse um jogo feito por autómatos que simplesmente seguiram os bullet points do que o jogo deveria ser. Espero que os próximos capítulos da série não me transmitam a mesma ideia.

Daqui a algumas semanas irei então explorar a Itália renascentista de Assassin’s Creed II que é unanimemente considerado um grande salto qualitativo em relação ao jogo de estreia. Fingers crossed.

Positivo:
+ Progressão “parkour” pela cidade
+ Setting histórico
+ Bons visuais para 2007

Negativo:
– Repetitivo
– Ideias mal executadas
– Voice acting

Sai do templ… do PixelHunt com:

Comments
One Response to “Assassin’s Creed [2007]”
  1. Kimgage diz:

    Eheh tal como eu, no meu caso comprei na altura em que saiu para a xbox, ao inicio era tudo muito bonito, após 6 ou 7 horas de jogo desisti por ser repetitivo, simplesmente não tinha paciência para aquilo, e também não achei a história muito interessante.
    Passado 4 anos, a série tornou-se uma referência, voltei a pegar no jogo e terminei. Comprei os restantes jogos para pc e em 3 semanas acabei o II, brotherhood e revelations. Pessoalmente coloco esta franquia no meu top20, de momento jogo revelations online, o multiplayer é muito interessante, sem dúvida diferente do que estou habituado.

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