Assassin’s Creed II [2009]

Algumas semanas atrás prometi que ia jogar o segundo capitulo do Assassin’s Creed e aqui está! Promessa cumprida! Mais backlog limpo.

Acho que a forma mais correcta para descrever a minha reacção ao longo de todo o jogo e parafraseando a Elizabeth Shaw “eu estava tão errado”. Como sabem não gostei lá muito do primeiro jogo, tem demasiadas más decisões e falhas que infelizmente abafam as boas ideias. Todos diziam que Assassin’s Creed II era bem melhor, mas eu sou um desconfiado do caraças e sempre achei que era mais garganta que outra coisa.

Pois bem, como dizem os americanos vou “comer uns corvos” bem tenrinhos porque eu adorei Assassin’s Creed II e levei uma chapada de humildade.

É bastante gratificante ver como o jogo praticamente corrigiu todos os erros do original, até estou a imaginar o pessoal lá na Ubisoft Montreal a assinalar um a um todos os pontos negativos que precisavam de ser corrigidos “check! check! check!” Como mera curiosidade vamos pegar nos aspectos que menos gostei do primeiro jogo e ver como estão agora nesta sequela:

“…mas tudo o resto é, a meu ver, mal utilizado. Assassin’s Creed é um sandbox que não sabe bem o que fazer com esse facto. É evidente que a Ubisoft Montreal não dominava muito bem as particularidades dum sandbox (eles vinham da série Prince of Persia). Há muitas ideias interessantes que na pratica são mal utilizadas.”

Assassin’s Creed  II deu a volta a este problema duma forma super simples e que me leva a questionar porque não o fizeram da primeira vez. Continua a ser um jogo sandbox e podemos na mesma vaguear de nossa livre vontade em várias cidades históricas (e que belas que são) mas a sua progressão é completamente linear. Eu sempre defendi que uma progressão linear onde é possível controlar o ritmo e o foco do jogo é sempre preferível a uma progressão completamente livre e anárquica, e é precisamente o que acontece aqui. Esqueçam as missões em que temos de efectuar certas tarefas de forma repetitiva como no primeiro jogo, aqui é bem mais tradicional, uma série de missões encadeadas entre elas que tornam a experiência bem mais apelativa.

” …é muito porreiro andar no meio da multidão ou nos telhados a procurar informações mas… é bom uma vez, à segunda até se repete bem mas… nove vezes?! Quem diz nove diz o 90% do jogo! É quase literalmente a mesma missão durante as 15 horas de jogo, as excepções são as sequências lineares do inicio e final.”

A extrema repetição era provavelmente o maior defeito de Assassin’s Creed, tal como referi anteriormente Assassin’s Creed II abandonou por completo a progressão do primeiro jogo. Há agora uma maior variedade de missões e se é verdade que algumas delas se repetem (mas com roupagens diferentes) raramente senti fatiga de repetição. As coisas fluem tão bem que nem dei pelo tempo passar. É sempre muito mais interessante e apelativo não saber o que nos reserva na próxima missão, é bom ser surpreendido. O seu antecessor sofria do mal do Shadow of the Colossus, na medida em que eu sabia que tinha de repetir o que acabei de fazer inúmeras vezes.

“Há algo que sempre liguei muito à série Assassin’s Creed, que senti quando o joguei há uns anos atrás e voltei a sentir o mesmo. Este é um jogo sem alma… sem chama… é muito difícil de explicar mas sempre que ouço o nome Assassin’s Creed vem-me à cabeça uma montra técnica, cinzenta, sem paixão, sem garra.”

Felizmente este é outro ponto que não senti nesta sequela. Isto é sempre muito subjectivo porque é algo que não dá para medir, é apenas o sentimento que me transmite e provavelmente está directamente relacionado com o prazer que retiro dum jogo, mas tal como o Ezio é mais mais emotivo que o Altäir, também Assassimn’s Creed II tem muito mais garra e paixão que o seu antecessor.

De resto o que era bom ficou ainda melhor. As cidades são duma beleza e imersão estonteantes! Veneza… é dos settings mais bem montados que já vi num jogo, a noite de Carnaval é inesquecível. O período histórico da Itália renascentista foi muito bem captado e a atenção ao detalhe é digna de registo. Mas neste aspecto já esperava algo de bom, já que o primeiro jogo era bom neste campo.

Também a parte narrativa sofreu uma melhoria substancial, o Ezio é um óptimo protagonista com uma forte personalidade (algo que o Altäir não tinha) e é suportado por um sólido voice acting (é o Chris Redfield! mind blown!) à semelhança da maioria do elenco do jogo (bastante extenso por sinal). A história é mais interessante e mais facilmente cria um apego ao jogador porque toca em temas mais emotivos e pessoais do que o que acontecia a volta do Altäir. O rumo que as coisas tomaram no final do jogo é que não sei… é deveras interessante e fiquei a querer saber mais, mas o potencial de estragarem tudo com patetices “Lostianas” é bem elevado, cheira-me que isto pode descambar.

Em termos de jogabilidade e mecânicas as coisas estão mais ou menos na mesma mas com os melhoramentos da praxe, no entanto agora o conteúdo é bem mais extenso e o jogador é incentivado a fazer missões secundárias e cenas coleccionáveis, algumas delas bem divertidas, destaco especialmente os puzzles muito reminiscentes das aventuras gráficas e as sequências puramente à base de plataformas que fazem lembrar o Prince of Persia. Ao todo levei 25 horas para acabar o jogo e ainda deixei muita coisa secundária para fazer.

Parte dessas 25 horas foram feitas a passar os dois DLC que vinham com a minha cópia deluxe do Steam. É estranho que só me apercebi que eram DLC depois de os terminar, fui pesquisar porque o jogo não nos avisa que aquelas duas sequências não faziam parte do jogo em si. E fui pesquisar porque aquelas horas a passar os DLC quebraram e de que forma o ritmo da história e não parecia que encaixava ali muito bem. Eu não devia ter em conta os DLC já que originalmente o jogo não vinha com eles, mas ao introduzi-los directamente na história do jogo sem dar opções de os saltar sou obrigado a tê-los em conta e a verdade é que arrastam o jogo num momento crucial e fizeram-me perder alguma motivação. O mais correcto seria coloca-los como memórias opcionais e não obrigatórias.

Para concluir, Assassin’sCreed II é um excelente jogo e uma das maiores surpresas que tive nos últimos tempos. Esta deve ser provavelmente a sequela que mais melhorou em relação ao primeiro jogo (muito mais que o Uncharted 2 fez). Agora estou deveras ansioso para jogar o Assassin’s Creed: Brotherhood, mas ainda vai demorar, primeiro tenho que o comprar bem baratinho.

Positivo:
+ Mais focado e linear
+ As maravilhosas cidade e o período histórico
+ O Ezio e algumas partes da história
+ Boa duração

Negativo:
– Combate ainda é meio meh
– DLC quebra o ritmo da história

Sai do templ… do PixelHunt com:

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