Diário Pixelizado: Europa Universalis III – Semana 1

Estou de volta com mais um diário! O escolhido desta vez é outro dos meus jogos favoritos, Europa Universalis III. A “desculpa” foi a expansão Divine Wind que saiu há coisa de ano e meio e que ainda não tinha experimentado. Como este é um jogo extremamente longo, provavelmente não o vou jogar até ao fim, vou jogando e quando me fartar paro. Por isso, ao contrário do diário do Sim City 4 não vai haver objectivos, vou jogando e adaptando de acordo com o que acontecer.

Como a expansão Divine Wind é centrada nas guerras feudais japonesas estive para escolher uma das facções nipónicas, mas acho que ia ser bastante chato para o leitor porque ia estar muitas décadas sem acontecer nada de muito relevante, e para além disso passei cerca de 40 horas no Total War Shogun 2 há alguns meses atrás, o tema ia ser idêntico e ia-me fartar. Como tal decidi ir para um pais europeu, de preferência um que ainda não tivesse jogado em nenhum dos jogos da série Europa. É muito fixe jogar como Portugal mas já o fiz muitas vezes, França, Inglaterra, Rússia, estados alemães idem idem, aspas aspas.  Como ando a jogar Assassin’s Creed II (quando isto for publicado já o devo ter acabado) ando embutido no espírito renascentista italiano, como tal, a minha escolha recaiu na República de Veneza.

Resta-me dizer que estou a jogar o Europa Universalis III com a ultima expansão, o Divine Wind e com o DAO Lite Map Mod para tornar o mapa mais realista e bonito. De resto está inalterado com todas as definições em normal e realista. Pois bem, vamos lá ver como isto  corre  =)

Semana 1

Serenissima Repubblica di Venezia (1399 – 1450)

A primeira coisa a fazer sempre que se começa um jogo é estudar o pais, tentar conhecê-lo e saber quais os seus pontos fortes, fracos, objectivos históricos e assim ter uma ideia do rumo a tomar. Em relação a Veneza é bastante simples. No inicio do século XIV Veneza era um dos estados mais ricos da Europa devido ao comércio que passava pelos seus portos que eram uma ponte e uma porta de entrada dos produtos vindos do oriente. Veneza era a líder duma liga mercantil que se opunha a Génova, a sua rival comercial da altura. A hegemonia destes dois estados italianos veio a decair mais tarde com o avanço otomano e dos descobrimentos Portugueses e posteriormente das outras potências europeias. Por isso já sei o que me espera no jogo, há que saber planear o futuro.

Em termos diplomáticos, Veneza começa o jogo numa posição frágil, visto estar rodeada de estados relativamente poderosos e agressivos. Milão no ocidente, Áustria no Norte, Hungria e Otomanos no oriente. É essencial saber jogar diplomaticamente para o pais não cair numa situação pouco vantajosa. Em termos militares Veneza não é particularmente forte em terra, no entanto a sua marinha é poderosa no mediterrâneo. Como tal é necessário não andar envolvido em muitas guerras junto às fronteiras. Para terem uma ideia do estado da Europa e de Veneza no inicio do jogo vejam a próxima imagem, Veneza está a verde com os traços diagonais, ou seja Veneza, Treviso, Albânia, Atenas e Creta. A minha influência espalha-se pelos meus vassalos, o reino de Naxos (ilhas no mar Egeu) e a ilha de Corfu na entrada do mar Adriático.

A Europa no inicio do jogo.

A ideia central para se ter um bom jogo em Europa Universalis III é saber controlar a balança comercial do pais. Muito dinheiro a entrar nos cofres é bom porque permite melhorar as infraestruturas e manter largos exércitos, no entanto a contrapartida é que muitos dos recursos que iriam para o desenvolvimento de tecnologias são desviadas para os cofres e a inflação sofre um grande aumento. Pelo contrario se entrar pouco dinheiro directamente nos cofres, espalharmos os lucros no desenvolvimento de tecnologias e controlar a inflação, vamos andar sempre à rasca de dinheiro. É um balanço complexo, pessoalmente vou apostar tudo no desenvolvimento de tecnologias e não vou juntar muito dinheiro. Vai-me permitir estar na vanguarda tecnológica (o que será bom nos séculos posteriores) e vou poder controlar a inflação. Uma inflação galopante é o calcanhar de Aquiles de qualquer país. Quanto mais a inflação sobe, mais sobem os preços, chega uma altura que o país asfixia.

Sendo Veneza uma República não posso entrar em casamentos reais, como tal nem sempre é fácil manter boas relações com algumas casas reais. Isto obriga-me a ser extremamente cuidadoso na forma como me relaciono com os restantes estados. É imperioso não entrar em valores de infâmia negativos (dá para ver o valor no canto superior esquerdo) porque rapidamente todos se irão virar contra mim. O meu objectivo inicial é manter a guerra longe da minha capital, controlar o comércio em Veneza recrutando o máximo de países para a minha liga mercantil e construir a maior frota do Mediterrâneo. Como tenho uma posição tão vulnerável em terra, preciso de ser o senhor dos mares. Preciso de ser capaz de lançar rápidos contra ataques anfíbios por todo o mar e assim poder reagrupar-me rapidamente em qualquer parte do Mediterrâneo caso a minha capital caia.

Diplomaticamente está na altura de escolher aliados. Milão é um inimigo natural, ambos procuramos controlar o norte de Itália, como tal tenho que escolher aliados poderosos que incutam medo nos Milaneses. Áustria é perfeita, tem uma posição central, é militarmente poderosa e é sempre um forte candidato a ser imperados HRE ( Sacro Império Romano-Germânico). No sul o meu inimigo natural é obviamente os otomanos, é quase uma questão de tempo até eles cilindrarem todos os Balcãs. Pelo sim pelo não vou aliar-me com a Hungria que daqui a algumas décadas pode servir de tampão aos Turcos.

A vantagem de ter um aliado é que teoricamente nos ajudam sempre que precisarmos, a desvantagem é que… eles também vão precisar de nós e podemos vir a ser arrastados para conflitos que não nos convêm… e desde cedo as coisas parecem vir a seguir precisamente esse rumo.

Guerras de Agressão Húngaras (1410 – 1420)

As duas guerras de agressão Húngaras tiveram como causa as ambições expansionistas da Hungria nos Balcãs e Transilvânia. Como aliado que sou da Hungria fui arrastado para um conflito localizado principalmente no Balcãs. Ambas as guerras foram um sucesso magiar, no entanto como membro secundário da guerra fui arrastado para as revoltas gregas que resultaram da desestabilizarão na zona. As revoltas começaram em Janina, na altura controlada por Nápoles, e os rebeldes invadiram Atenas sem que eu me pudesse defender. Embora o meu poderio naval seja considerável, em terra não tenho resposta para uma revolta destas. Os Gregos de Epirus declararam independência e eu perdi Atenas.

Na segunda guerra, a Hungria invadiu a Valáquia e fui novamente arrastado para o conflito. Sofri um ataque surpresa de Bizâncio em Creta que dizimou 2.000 homens venezianos, mas contra ataquei com 5.000 da Armata di Venezia saídos directamente da capital. Quebrei o cerco a Creta, dizimei o exercito Bizantino e respondi, conquistando a restante possessão bizantina na Grécia, Moreia. Auxiliei o exercito húngaro a cercar Constantinopla, numa batalha naval no mar de Mármara e auxiliei os magiares junto as muralhas da capital bizantina.

O conflito terminou para Veneza em 1420 com uma negociação de paz isolada com o líder da aliança inimiga, Novgorod.

Perdi Atenas para os independentistas de Epirus.

Por esta altura era mais que óbvio que as ambições expansionistas da Hungria iriam continuar e estava na altura de me libertar da aliança. E a oportunidade veio mais rápido do que estava à espera, outro dos meus aliados, a Áustria declara guerra à Hungria e para mim a escolha não é difícil. Entro ao lado do meu vizinho Austríaco (que para além do mais é o actual imperador do HRE) e liberto-me da aliança húngara em troca de uns pontos de infâmia. Por agora não me importo de ficar sobre a protecção austríaca. A curta guerra foi um sucesso para os austríacos.

As minhas relações com a Hungria sofreram obviamente um retrocesso, preciso urgentemente de apoios diplomáticos. Decidi aderir ao HRE (Holy Roman Empire ou Sacro Império Romano-Germânico) e assim beneficiar da protecção do imperador. Para quem não sabe o Sacro Império Romano-Germânico era um conjunto de estados germânicos (e não só) soberanos que elegiam um imperador. Esse imperador tinha como função zelar pelo bem estar dos eleitores e membros. Pensem como uma União Europeia medieval. No jogo qualquer pais membro da HRE que seja atacado será protegido pelo pais do imperador que tem à sua disposição largos recursos. É muito mais tranquilizador estar sobre a asa do imperador, pelo menos por agora que ainda sou frágil.

À esquerda: Imperador, protege-me!. À direita: A minha frota a pavonear-se pelo Mediterrâneo.

A minha fragilidade provém da fraca presença física em Itália. Os meus olhos estão virados no rico norte italiano, mas Milão mete algum medo em terra. Começar guerras neste período sem uma Casus Belli (uma razão válida) é proibitivo, já que resulta num aumento de infâmia e baixa a reputação. Mas o meu momento de sorte chegou, o Papa excomungou o duque de Milão, o que basicamente dá carta branca a quem quiser “pô-los na ordem”. É a minha oportunidade, é altura de mostrar o poder Veneziano, é altura de meter pés no norte italiano. É uma jogada arriscada. E se a Áustria e os meus restante aliados (Nápoles) não vierem em meu auxilio? Sozinho vai ser complicado.

Guerra da excomunhão Venezo-Milanesa (1430 – 1435)

Declarei guerra! O aliado de Milão, a Borgonha entra do seu lado, tal como alguns pequenos estados alemães. Se os meus aliados não vierem em meu auxilio esta pode ter sido a pior decisão possivel. Corfu e Naxos entram do meu lado. São boas noticias, mas sãos dois pequenos países no meio do Mediterrâneo e pouco relevantes. Começo a suar. Preparo os meus 10.000 valentes venezianos rumo a Verona. Milão tem mais de 17.000 homens, felizmente alguns deles estão envolvidos noutras guerras que aos poucos os enfraquecem. O futuro é incerto…

Óptimas noticias! O imperador dar-me-á todo o seu apoio, mais de 20.000 austríacos atravessam os Alpes e auxiliam a brava Armata di Venezia. Os Milaneses são destroçados pelos exércitos austríacos, Verona cai aos pés da serena república, meses mais tarde Brescia fica sobre o controlo do Doge de Veneza. Em 1432 Milão recebe uma proposta de paz: Milão irá ceder à Serenissima Republica de Venezia Verona e Brescia e libertará Parma como um reino independente sobre a alçada de Veneza. Vitória! O resultado foi perfeito e ainda melhor do que estava à espera. É certo que sem o apoio austríaco não teria sido possível, mas Veneza tem agora um importante pé no norte de Itália.

A guerra estendeu-se por mais 3 anos, no entanto os acontecimentos foram esporádicos e centram-se em pequenas escaramuças com Borgonha e os seus aliados. Terminou com uma paz branca depois de eu ter invadido Ulm e quebrado o cerco a Corfu.

À esquerda: A invasão de Milão. À direita: E o resultado da invasão.

Estou agora em paz e a fazer bom dinheiro, parece que vai tudo de vento em popa. No entanto a vida nunca é fácil, especialmente para países de pequena dimensão. Estar dentro do HRE tem as suas vantagens, mas há sempre a contrapartida. Em 1436 surge-me uma “proposta” do Imperador. Na verdade é um ultimato.

A mensagem é clara, ou “liberto” Brescia para o império ou posso-me vir a arrepender. É uma decisão difícil de tomar com o coração, mas muito fácil com a cabeça. Áustria é o actual imperador e tem o exercito mais poderoso da Europa. Se não quero ser subjugado terei de ceder. Preciso da protecção austríaca e do imperador, pelo menos para já. Com efeito Brescia deixará de fazer parte da republica de Veneza, apenas 4 anos após eu a ter conquistado. Mas verdade seja dita nunca teria conseguido entrar em Brescia sem a ajuda Austríaca.

A Europa está mergulhada em ferro e fogo, as guerras são constantes e apenas 3 anos após a minha campanha em Milão sou arrastado para mais um conflito, agora por parte de outro dos meus aliados.

Intervenção Napolitana (1438 – 1444)

O meu aliado do sul, Nápoles, partiu para uma guerra com o Papa. À partida seria evidente a minha recusa em entrar em guerra com um senhor que com um estalar de dedos pode virar toda a cristandade contra mim. Mas não sou eu o agressor e posso entrar rapidamente num processo de paz individual. E de facto é o que vou fazer, nem sequer vou entrar em conflito directo com os Estados Papais, o meu olhar está centrado nos seus aliados, Aragão, Génova e Savóia. Ainda estou ressentido da minha perca de Brescia e preciso duma compensação pessoal e Malta (sob o domínio de Aragão) seria perfeito. Embora seja uma província pobre, é de extrema importância estratégica porque é uma ilha bem no centro do Mediterrâneo e servirá como uma base para eu controlar o mar.

Nesta altura tenho de longe a maior frota do Mediterrâneo, ninguém tem qualquer hipótese de invadir Veneza pelo mar e todo o Mediterrâneo está vulnerável aos meus ataques anfíbios. Malta cai em poucos meses, Palma de Maiorca segue o mesmo rumo e a marinha de Aragão é praticamente destruída pela imponente armada Veneziana. O conflito é mais sangrento no ocidente italiano com uma serie de violentos combates e cercos em Génova e Savóia. A guerra termina em 1444 com uma vitória Napolitana. Os Estados Papais são obrigados a libertar Urbino como estado independente sobre influência de Nápoles e Veneza recebe Malta. Foi um óptimo desfecho para mim, tenho agora uma base no meio do Mediterrâneo com fácil acesso ao sul de Itália e norte de África. E controlo a meu belo prazer os mares.

À esquerda: A “proposta” do Imperador. À direita: A recém adquirida província de Malta e a minha poderosa frota.

Agora que estou finalmente em paz é altura de desenvolver todas as infraestrutura dentro das províncias  e tornar a republica mais lucrativa e poderosa. Termino esta primeira semana em 1450, em apenas 50 anos muita coisa mudou no mapa da Europa, Milão perdeu quase toda a sua força, Áustria tornou-se num glutão, França conseguiu crescer consideravelmente e Veneza é agora um país menos frágil. Em termos económicos estou de boa saúde, tecnologicamente estou num óptimo ritmo e militarmente sou respeitado em terra e temido nos mares. Descubram o que reserva a segunda metade do séc. XV na próxima semana!

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Continua!

Comments
7 Responses to “Diário Pixelizado: Europa Universalis III – Semana 1”
  1. Zealot diz:

    É impressão minha ou não andas a fazer as missões que o jogo te dá? É que se bem me recordo, Brescia aparece numa missão de Conquest, onde ficas com core nela se a executares. Não sei quais são os requisitos, mas deve exigir que faças fronteira com Brescia para a missão poder aparecer; o mesmo para Ferrara. Mas para aparecer precisas de cumprir (ou cancelar) as que te aparecem primeiro.

    • Não ando a seguir obrigatoriamente as missões. A minha missão de conquest é em Friulli na Aquileia =)

      • Zealot diz:

        Se prevês que a missão não é do teu interesse num futuro próximo, cancela-a. Mais vale cancelar uma missão que não estás a fazer nada do que deixar passar missões que vão deixar de aparecer por deixarem de preencher os pré-requisitos.
        Mas Friulli é bom… 🙂

        • Não espera, enganei-te… kinda. A missão de conquistar Friulli só surgiu mais tarde e falarei na próxima semana. Tens razão, a missão inicial (depois duma que consistia em ter no mínimo 5 acordos comerciais) era conquistar Verona.

  2. Anónimo diz:

    Bem é o seguinte, em primeiro lugar muitos parabéns por este incrível diário, gostava de saber como é que entras-te na HRE tão facilmente. Eu muitas vezes também queria entrar mas não consigo nem sei o que devo fazer para entrar… Dás aí uma dica?

    • Obrigado pela palavras =)
      Bom, para seres membro do HRE tens que ter pelo menos uma província dentro do império. No meu caso não tinha, mas em províncias fronteiriças podes decretar (através daquelas decisões que cada província tem) que faça parte do império, foi o que fiz. Depois de teres uma província pedes para entrares como pais, também na secção de decisões.

  3. Anónimo diz:

    legal os detalhes que da, claro que como todos q começam jogo com os óbvios Portugal, Inglaterra, Espanha e França, ah sim e Turquia tbm. to instalando de novo pra jogar com a Holanda. esse jogo ficou muito fiel a história.

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