Diário Pixelizado: Europa Universalis III – Semana 4

Semana 4

Serenissima Repubblica di Venezia (1550 – 1600)

A segunda metade do século XVI começou pouco diferente do que vos mostrei na semana passada. Veneza prospera em termos económicos e militarmente está segura debaixo da asa austríaca. As minhas colónias nas caraíbas prosperam e dão um bom rendimento. No plano internacional o destaque vai para o império otomano que bem se recordam sofreu uma derrota humilhante frente aos austríacos. Mas as coisas não se ficaram por aí. Uma série de países encabeçados pela Espanha e Inglaterra aproveitaram para ficar com os restos otomanos e assim estabelecerem presença no próximo oriente e Balcãs. A desculpa para entrar em guerra foi a cruzada lançada pelo papa. Por esta altura o império otomano é uma manta de retalhos

O Império Otomano a desfazer-se.

Não quis perder a oportunidade de ficar com alguns restos da nação moribunda e fiz o mais acertado, declarei guerra. Também eu com a desculpa da cruzada (é só mesmo uma desculpa) e assim não sofrer baixas na estabilidade e aumentos de infâmia.

Cruzada Veneziana contra os Otomanos (1451 – 1456)

Embora tenho durando cerca de 5 anos, esta foi uma guerra fácil já que os otomanos estavam completamente de rastos. Calmamente ocupei todos os territórios turcos nos Balcãs (a Inglaterra já tinha anexado parte da Grécia anos antes) e ocupei os seus vassalos, Bósnia e Servia. A minha frota bloqueou o mar de mármara não dando qualquer hipótese à reduzida frota otomana de entrar no mediterrâneo. É pertinente dizer que entrei em guerra sozinho, ou seja não pedi auxilio austríaco o que é uma primeira vez desde que comecei o jogo. E pela primeira vez o exército veneziano esticou as pernas e conquistou uma considerável porção de terra.

As negociações de paz foram rápidas e apenas exigi a província de Kozano na Grécia. Tenho agora uma ligação terrestre entre o mar Adriático e o Egeu. Os ingleses são agora a maior força na Grécia, vamos ver se este conflito de interesses vai prejudicar as relações anglo-venezianas.

À esquerda: Veneza ocupa os territórios Otomanos. À direita: E recebe a província de Kozano.

Veneza saiu extremamente reforçada deste conflito, mostrou à Europa que mesmo com um exercito reduzido de apenas 10.000 homens conseguiu conquistar parte dos Balcãs. É certo que o inimigo estava de rastos, mas mesmo assim foi um sinal de agressividade e ambição. Por falar nos meus 10.000 homens, passo o tempo todo a falar no poderio austríaco mas nunca mostrei bem o quão poderosos são em números. Comparativamente com os meus 10.000, um rival regional como Milão tem o triplo, 30.000, uma potencia europeia como a Inglaterra tem quase 60.000, Espanha uns impressionante 140.000, mas a Áustria consegue manter um exercito de… 240.000 homens. Sou um mosquito ao lado dum elefante, não admira que me tenha que sujeitar à protecção austríaca.

Comparativo do tamanho dos exércitos.

Vivo agora um período de paz e tranquilidade, altura perfeita para desenvolver a economia. É imperioso construir todos os melhoramentos dentro das províncias, embora à primeira vista possam parecer multiplicadores fracos, tudo junto no final do ano é um grande aumento da receita. Pouco a pouco vou aumentando os meus rendimentos e já me posso dar ao luxo de cortar na inflação mesmo sem ajudas de conselheiros, por exemplo. A entrar na década de 60 já tenho lucros anuais de mais de mais de 200 ducados, o que é muito bom. Por esta altura surgiu um momento muito importante para Veneza. Há a possibilidade de mudar o tipo de governo. Veneza sempre foi uma republica mercantil, com as vantagens inerentes especialmente focadas na possibilidade de ter uma liga mercantil onde posso aliciar países a negociar exclusivamente com Veneza através do meu centro de comercio.

É algo que sempre me ajudou, mas os tempos mudaram, ligas de comércio são coisas do passado e hoje em dia estão obsoletas, de tal forma que já não tenho qualquer membro na minha liga. Tenho a oportunidade de mudar para uma republica administrativa, que vai acabar com a liga comercial mas trará maior eficiencia por parte dos meus comerciantes. É uma porta que se fecha, mas várias abrirão, Veneza tem de olhar para o futuro!

À esquerda: Veneza muda para uma republica administrativa. À direita: A liga mercantil de Veneza estava obsoleta.

Veneza vive por esta altura o apogeu desde que iniciamos o jogo, vive numa época que faz jus ao seu titulo de sereníssima republica, vou entrando em alguns conflitos localizados por causa da Áustria mas sempre longe de casa e por arrasto os meus lucros vão aumentando. Mas quero mais… vou arriscar um pouco mais. A aventura colonizadora foi uma aposta bem sucedida, as minhas ilhas nas caraíbas dão um bom lucro e comercializam especiarias pouco vulgares na Europa como açúcar e café, mas do interior do continente americano surgem relatos de civilizações riquíssimas que mergulham em ouro. Eu quero ver se esses relatos são reais.

Para tal vou recrutar um explorador, o escolhido foi Jacopo Flangini que irá comandar um pequeno exercito de 3.000 bravos soldados venezianos e partir à descoberta da América do sul. Eles estarão completamente isolados e vão depender do seus instintos de sobrevivência. O objectivo é descobrir essas civilizações e porventura ver se os relatos de riqueza são reais.

Flangini e os seus bravos 3.000 homens.

Logo após o desembarque nas florestas tropicais da actual Colômbia que os meus homens são recebidos por ferozes nativos que os saúdam com arcos e flechas, Jacopo mantém o seu sangue frio e autoridade para os subjugar. Quanto mais profundo entram na selva mais perigos encontram. Após centenas de quilómetros de marcha dentro da selva finalmente reencontram o mar, ´no lado de lá da América do sul, um novo oceano, Jacopo e os seus homens são os primeiros Venezianos a avista-lo, outros exploradores chamam-no de oceano pacífico. O exército precisa do mar para não se desgastar e não perder homens por exaustão, como tal o resto da marcha fez-se ao longo da costa deste novo oceano. Meses passaram desde que Jacopo desembarcou mas nenhum sinal destas fabulosas civilizações, até que, finalmente avistam uma cidade, uma cidade diferente das outras onde os indígenas viviam, certamente era isto que procuravamos.

De facto Jacopo descobriu o império Inca bem no interior da América do sul, o primeiro europeu a estabelecer contacto com este império. A minha dúvida agora prende-se nisto: Tenho 3.000 homens, a elite de Veneza. O império Inca tem 15.000 homens… estabeleço contactos comerciais de paz ou… arrisco? Todos conhecemos a história real de como um punhado de conquistadores espanhóis subjugaram os incas, mas será que no jogo também funciona?Preciso de arriscar, Veneza precisa de arriscar, vou declarar guerra!

Conquista Veneziana dos Incas (1563 – 1569)

Esta ou vai ser a campanha mais gloriosa de Veneza ou a sua maior humilhação. A prova de fogo é logo na primeira batalha em Cajamarca, Jacopo e os seus 3.000 defrontam 8.000 Incas. Nesta batalha vai-se conhecer a real diferença entre os dois exércitos e como correrá o resto do conflito. Massacre. Jacopo perdeu duas centenas de homens, os Incas bateram em debandada perdendo mais de metade dos números. A diferença é abissal! Uma a uma as provinciais caem nas mãos Venezianas, incluindo as riquíssimas províncias de Huancavelica e Tarma produtoras de ouro! A guerra ainda dura 6 anos principalmente por causa da guerra de movimentos que é necessário efectuar quando se luta contra dois exércitos ao mesmo tempo, enquanto cercamos uma cidade, os inimigos libertam outra, como tal é necessário andar sempre em movimentos constantes para não lhes dar espaço de manobra. Antes da proposta de paz os Incas lançaram-se num desesperado contra ataque, mais uma vez foi um massacre inca, mas infelizmente o bravo herói Jacopo Flangini morre na batalha. Um herói da republica de Veneza que nunca será esquecido, a partir de hoje a frota atlântica de Veneza passara a chamar-se “Flotta Flangini”.

3.000 venezianos conseguiram subjugar um império e Veneza anexou 3 províncias incas, as produtoras de ouro Huancavelica e Tarma e o porto de Lima, essencial para transportar o ouro para Veneza. Mas o mais fantástico é descobrir a imensurável riqueza do império inca… recebi 1000 ducados como compensação nas negociações de paz! São só 5 anos de receitas! Dupliquei a minha riqueza nos cofres. Que dia glorioso para a Sereníssima Republica de Veneza!

À esquerda: A conquista do império inca. À direita: As negociações de paz.

A torrente de ducados que entrou nos meus cofres vai-me permitir desenvolver as minhas províncias, e vou partir para a construção duma manufactura. As manufacturas são bastante caras, mas produzem bastante rendimento e caso sejam construídas nas províncias certas (manufactura de roupa em províncias produtoras de tecido por exemplo) duplicam os rendimentos.

Para além da manufactura vou apostar este dinheiro extra nas minhas colónias nas caraíbas. Quero um conjunto de ilhas de boa saúde, que seja uma base veneziana nas Américas e uma forma de controlar o continente. Quando estes 1000 ducados acabarem a solução passa por… nova guerra contra os Incas claro está.

2ª Conquista Veneziana dos Incas (1574 – 1580)

Esperei 5 anos até iniciar novo conflito por causa das tréguas. Se declarasse guerra durante esse período iria sofrer um enorme quebra na estabilidade. Como tenho tempo e a ameaça inca é nula posso-me dar ao luxo de esperar.

O objectivo nesta segunda vaga passa por dois caminhos. Conquistar mais províncias produtoras de ouro e conquistar Chanchan que tem o centro de comercio inca, vou ficar com o monopólio e será mais uma fonte de rendimento. As operações no terreno correm de feição para Veneza, os 3.000 homens são suficientes para dominar os 10.000 incas, no entanto desta vez encontrei um segundo inimigo, os rebeldes que estão a assolar os incas, no entanto eles são inimigos dos dois lados da barricada. Mais 6 anos de cercos e movimentações e o meu objectivo foi um sucesso. Chanchan, Huamanga e Puno são agora possessões venezianas e mais 900 ducados entram directamente nos meus cofres. Uma autentica mina de ouro que tenho aqui.

À esquerda: a 2ª conquista inca. À direita: Mais provincias passam para a republica.

Até ao final do século não houve muitos acontecimentos relevantes. De vez em quando volto a entrar em conflito com os incas mas já são tão rápidos que não vale a pena falar pormenorizadamente, pouco a pouco vou anexar o império inca. As caraíbas venezianas continuar a crescer economicamente, mas agora começo a ter a competição de outras potencias europeias, em especial de Espanha e da recém formada Grã-Bretanha. Por falar na Grã-Bretanha, recebi uma proposta de aliança que aceitei. Eles têm uma presença cada vez maior no mundo e acho que é vantajoso para mim, especialmente nos Balcãs onde eles estão fortes. Na América do sul a Espanha está a crescer, alguns estados italianos como Nápoles, Milão e Estados Papais também têm colónias por lá. Em 1595 recebi uma boa surpresa, as Canárias que estavam na posse de Nápoles revoltaram-se e decidiram passar para a protecção do Doge de Veneza. Eu aceitei, é um bom território estratégico no atlântico.

À esquerda: Os estados europeus começam a colonizar a América do sul. À direita: As Canárias fazem agora parte de Veneza.

Assim termina mais uma semana e mais 50 anos. Vamos entrar no século XVI e Veneza está muito bem preparada. É a 4ª maior potência económica do mundo, a maior produtora de ouro e algodão, tem o monopólio em dois centros de comercio, a 2ª maior marinha, um robusto e seguro “império” colonial ,os territórios à volta da capital estão completamente seguros. Na Europa as coisas estão divididas entre as influências de três grandes potencias, Áustria, Espanha e Grã-Bretanha. A Áustria continua a ser o mesmo monstro militar de sempre, mas a Espanha não está longe e não me admirará que daqui a algumas décadas sejam a maior potencia europeia, as receitas das colónias fazem pender a balança para o lado espanhol. Como as coisas estão agora mais focadas na parte colonial é melhor mostrar uns mapas mais abrangentes que possibilitem ver todo o mundo. Então até para a semana!

À esquerda: Tenho a 4ª maior economia. À direita: Veneza em 1600.

O mundo em 1600.

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Continua!

Comments
4 Responses to “Diário Pixelizado: Europa Universalis III – Semana 4”
  1. Zealot diz:

    Então e territórios italianos… nada?

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