Loom [1990]

Já há bastante tempo que não jogava um aventura gráfica clássica para recordar os bons velhos tempos.

Sempre fui mais um tipo da Sierra que da Lucas Arts, mas ao correr pela minha biblioteca do Steam tropecei pelo Loom da Lucas Arts, que nunca tinha jogado. Loom foi a aventura que antecedeu o clássico seminal The Secret of Monkey Island (se bem se recordam havia um easter egg dentro do jogo a promover o Loom). É interessante compara-lo precisamente ao The Secret of Monkey Island porque espelha bem o quão diferente Loom é do molde típico da Lucas Arts. Desde logo, mesmo correndo no motor SCUMM, não encontramos quaisquer verbos, pelo menos expostos na parte inferior como era tradição. Na verdade usa um sistema distinto que na prática funciona mais ou menos na mesma. Ao longo da aventura o jogador tem de aprender magias, chamadas drafts, que na verdade são precisamente verbos, que posteriormente terão de ser utilizados para ultrapassar puzzles. É imperativo ter à mão papel e caneta para anotar as magias, porque o jogo não nos ajuda.

Esse é um aspecto que muito gostei, foi muito gratificante recordar os tempos em que tinha que escrever e anotar tudo para não me esquecer de certos detalhes do jogo. O sistema de drafts é interessante mas na prática é apenas uma guimick, percebe-se porque mais ninguém utilizou um sistema deste estilo.

Infelizmente Loom só me cativou nesse aspecto, porque em tudo o resto não me conseguiu despertar grande interesse. A história é muito simples e desinteressante, os puzzles não requerem grande capacidade intelectual e não tem o charme de outras aventuras da época. Senti um pouco o mesmo que ao jogar The Dig, alguns aspectos são muito interessantes, mas como um todo pouco mais senti que aborrecimento (no entanto The Dig tinha uma boa história). Porém há alguns aspectos positivos, especialmente no campo técnico, os visuais e animações são muito interessantes se compararmos por exemplo com The Secret of Monkey Island que saiu no mesmo ano e o voice acting é acima da média, se bem que a qualidade da gravação fica aquém, com muitos cortes.

Mas o que mais me chateou é algo que não estava à espera. As aventuras da Lucas Arts, ao contrario das da Sierra, seguiam uma filosofia em que o jogador nunca poderia morrer ou ficar encalhado a meio do jogo. Com efeito até o artigo na Wikipedia diz isto em relação a Loom:

Loom was also the first game to follow the LucasArts Game Design Philosophy, which states that the player will never be killed or forced to restart the game…

Pois bem, é uma falácia. Loom deixou-me num dead end a meio do jogo e obrigou-me a reinicia-lo (quase). O problema reside no tal sistema de drafts, o jogo força o jogador a aprender cada draft, de outra forma mesmo que o jogador conheça o tal draft (através de walkthoughs por exemplo) o jogo não o detecta e não permite a sua utilização. “Nada de mais” penso eu, volto atrás para aprender o draft. Pois, não posso voltar atrás porque a área anterior ficou inacessível. Para complicar as coisas andava a sobrepor os save games. Foi chato ter que repetir grande parte dum jogo que já não estava a gostar muito.

“Ah que nota tão baixa para um clássico destes! É injusto dares nota a um jogo com 20 anos, não te sabes divertir com jogos antigos, bla bla bla!” As minhas pontuações são baseadas no gozo, no divertimento e no que senti ao jogar, quer sejam novos ou velhos, e eu jogo muitos jogos antigos. Loom foi uma seca, como tal não posso dar nota positiva. Provavelmente se o tivesse jogado na altura agora teria um sentimento nostálgico que elevaria a nota, mas tal não é o caso.

Positivo:
+ Voice acting
+ Animações e visuais

Negativo:
– Curto
– Demasiado acessível
Dead ends
– História desinteressante

Sai do templ… do Pixelhunt com:

Comments
One Response to “Loom [1990]”
  1. Interessante. Já ouvi falar do jogo à muito tempo mas nunca me dei ao trabalho de o experimentar. Mas adoro o visual do jogo. Adoro quando usam uma paleta de cores assim, muito escura e brilhante e muito azulado, o que condiz com o ambiente misterioso do jogo. O Secret of Monkey Island também tem uma paleta de cores muito parecida. Outro jogo, por exemplo, que também usa uma paleta de cores assim é o Donald Duck in Maui Mallard (Mega Drive,SNES,PC) no menu principal. Acho que este tipo de look devia ser mais usado.

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