Street Fighter IV [2009]

Estávamos em 1991,  mais concretamente no inicio da época que seria de ouro das consolas de 16 bits da Sega e da Nintendo, quando o mundo inteiro tinha acabado de conhecer e delirar personagens como Sonic e Mario. Nesta altura, os jogadores ainda se preocupavam com pormenores mais simples como a jogabilidade e o entretenimento imediato. E foi precisamente neste ano, que o “boom” das máquinas arcada aconteceu, e muito por culpa da Capcom, que então lançara o seu Street Fighter II, jogo que moveu multidões e obrigou muitos a gastar “rios” de dinheiro somente para poder ter mais uma hipótese de jogar com Ryu ou Ken. Vendo o enorme sucesso que conseguiu, a Capcom não perdeu tempo e tratou logo de lançar algumas actualizações para o jogo entre as quais destaca-se as versões Alpha, Zero e EX que apesar de serem bons jogos, não eram exactamente o que os fãs queriam. E foi devido ao desapontamento dos fãs com a quantidade de spin-offs criados que a produtora decidiu fazer algo novo, ou no mínimo diferente, intenção essa que deu origem a Street Fighter IV. Será que o tempo de espera valeu a pena?

Street Fighter IV, lançado para as arcadas japonesas em Julho de 2008, e para a Playstation 3, Xbox 360 e Windows em 2009, tenta colmatar um género pouco visto nesta ultima plataforma. O jogo em si regressa em grande estilo à forma original, ou seja, ao estilo simples que foi a imagem de marca de Street Fighter II, sendo que a história (que poderá ser melhor entendida através de um anime criado propositadamente como apoio ao jogo) por trás é um sequela desse mítico titulo e uma prequela de Street Fighter III.

Neste capitulo a Capcom optou por usar personagens e cenários em 3D, mantendo a jogabilidade original em 2D. O jogo é uma espécie de Street Fighter II com ataques especiais ao estilo Street Fighter Alpha 3 e Street Fighter III, onde se destaca a simplicidade usada para os fazer, pois com apenas dois botões torna-se possível fazer alguns movimentos bastantes úteis para o jogador, tal como o Throw, o Saving e os Dashes. Estão igualmente presentes alguns ataques especiais denominados de Ultra Moves (que podem ser desbloqueados sempre que o jogador enche uma barra de experiência como resultado de combinações de golpes e combos), que quando usados presenteiam o jogador com um movimento de câmara cinematográfico criando uma sensação de prazer para quem os consegue realizar, demonstrando igualmente o nível de detalhe conseguido no grafismo deste jogo. Isto claro está, sem descurar um nível de humor bem característico da série.

Street Fighter IV, tal como referi no início, vem colmatar a falta de beat-em-ups no PC, mas não é propriamente um jogo acessível. Primeiramente, e mais importante que o resto, exige uma máquina no mínimo recente em termos de hardware, visto que jogar este jogo abaixo dos 50 fps é um tormento. Em segundo lugar, requer quase obrigatoriamente um comando para poder ser desfrutado dignamente, embora existam relatos de jogadores que conseguem jogar bem com o teclado, sinceramente não acho que seja a melhor opção, visto que algumas combinações de botões e combos nunca poderão ser bem realizadas sem a precisão de um analógico.

Outras das razoes pela qual acho o jogo pouco acessível para alguns jogadores, prende-se com a dificuldade implementada pela Capcom no jogo. Alguns combates podem tornar-se bastante irritantes para os jogadores menos pacientes ou menos habituados a este estilo de jogos, visto que a chave para a vitória em alguns combates é resultado da combinação de defesas e contra-ataques, juntamente com alguns golpes especiais dos lutadores. É certo que existe um modo training para dar oportunidade aos jogadores de aprenderem as novas técnicas e golpes, mas convenhamos que conseguir fazer cinco hadokens ou sonic booms seguidos e terminar com um Ultra Move ainda tem muito que se diga, sendo este um dos pontos que diferencia os novatos dos jogadores hardcore. Quem teve oportunidade de jogar este clássico desde os seus inícios, não terá problemas ao entrar no mundo de Street Fighter IV, ao passo que quem é recente poderá ter vários desgostos, chegando possivelmente a ficar frustrado com a técnica que o jogo exige.

Este é um jogo para ser desfrutado em curtos espaços de tempo embora a descoberta de todas as surpresas que reserva seja uma tarefa que pode demorar muito tempo. O modo online é óptimo para poder confrontar vários jogadores por esse mundo fora, ao passo que o modo arcade, permite no final de cada campanha desbloquear novas personagens. O jogo tem vários modos de dificuldade a fim de tentar adaptar-se a cada tipo de jogador, embora deva ser sincero ao referir que tanto eu como várias pessoas tivemos muitas dificuldades em passar os dois últimos combates de algumas campanhas em modo normal. Mas a “cereja no topo do bolo” é o modo versus. Jogar este clássico com um amigo é fenomenal, especialmente pela possibilidade de poder humilha-lo publicamente, numa sensação que nunca poderá ser conseguido por um qualquer modo online.

Podia estar aqui a “encher chouriços” e certamente teria mais algumas coisas a contar, começando no grafismo e acabando na banda sonora, mas certamente que a melhor coisa que vos posso referir é que este deverá ser sem duvida um jogo a terem muito em conta,  porque vem revitalizar uma série muito querida por jogadores da minha geração. O jogo não é perfeito, visto ter algumas falhas que considero graves por parte da produtora. A ausência de mais modos de jogo e de um modo história ao nível de Soul Calibur é uma falha que a Capcom deve tentar corrigir futuramente, embora o modo challenge consiga um evitar esse efeito de vazio. Mas não acredito que isto manche o excelente trabalho realizado no renascimento desta saga mítica.

Resta-me apenas pedir-vos para darem uma hipótese a este clássico, e termino citando uma frase usada algumas vezes nos filmes baseados nesta saga: “Welcome back, old friend…

Positivo:
+ Jogabilidade clássica.
+ Grafismo colorido e detalhado.
+ Online cativante.

Negativo:
– Ausência de algumas personagens clássicas.
– Poucos modos de jogo, e um modo história demasiado simples e vulgar.

Sai do templ… do PixelHunt com:

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