Retrospectiva: Shenmue [1999]

Decorria o ano de 2000, quando chegou ao mercado português Shenmue, um jogo aguardado com muita ansiedade e que viria a tornar-se num dos melhores produzidos pela Sega. Estaria este jogo ao nível das elevadas expectativas criadas durante a sua produção?

Shenmue, conta-nos a história de um rapaz japonês, filho de uma família tradicional nipónica dos anos 80 e órfão da parte da mãe. Após um dia normal, chega a casa e depara-se com um cenário devastador provocado por uns homens misteriosos, que provocam a morte do pai, às mãos de um vilão que se dá pelo nome de Lan-Di. Sem pais, com a oposição do seu fiel amigo Fukuhara, e com a obsessão de vingança no seu pensamento, Ryu Hazuki parte então numa alucinante aventura na procura de Lan-Di. Ora bem, como já devem ter reparado a história não é propriamente original, mas a forma como ela é revelada e como os acontecimentos vão-se sucedendo, é do melhor que já pude ver.

O jogo era acompanhado por um grafismo sem igual para a altura e que explorava bem as capacidades da nova consola de 128 bits da Sega. Dentro deste grafismo, destaca-se as condições climatéricas aleatórias, o “tempo real”, onde através de um relógio, o jovem Ryu tinha-se que guiar, sabendo de antemão que se quisesse visitar determinado lugar teria que ter em atenção as horas de abertura/fecho. Este grafismo fabuloso, ainda hoje encontra-se bastante actual, utilizando para tal bastantes efeitos de luz, cenários detalhados com especial destaque para os locais citadinos e expressões faciais de excelente qualidade. Simplesmente genial…

Mas é óbvio que um jogo não se destaca somente pelos parâmetros gráficos. Para tal, a Sega fez de Shenmue, um jogo muito diverso em termos de jogabilidade. Nas fases de exploração a personagem desloca-se bastante bem, pode conversar com outras NPCs, personagens estas que são capazes de nos dar respostas sempre diferentes e lógicas consoante o tema a tratar. Depois temos fases de lutas, que para os jogadores habituados aos beat-em-up’s da Sega não será nenhum bicho de sete-cabeças, pois o estilo de luta de Ryu é baseado nas personagens de Virtua Fighter (outro clássico Sega), inclusive com alguns golpes comuns a personagens deste jogo. De destacar ainda os chamados quick-time-events (QTE) que são não mais que cenas de acção rápida em que o jogador deve carregar numa tecla que aparece no ecrã de modo a desenrolar umas sequências de acção muito ao estilo de Hollywood e que nos jogos de hoje estão muito em voga.

Na componente sonora destaca-se uma banda sonora de estilo oriental, toda orquestrada e que se enquadra perfeitamente na temática do jogo (dificilmente irão esquecer-se do momento da despedida de Ryu para Hong-Kong).

Este jogo tinha uma diferença em relação aos demais existentes. Enquanto noutros jogos existe um final propriamente dito, neste o término, não é mais que uma interrupção na história. Esta historia é retomada numa bastante aclamada sequela, que voltou a sair para a 128bits da Sega, conseguindo o feito de melhorar a qualidade gráfica e mantendo os mesmos padrões nos restantes componentes do jogo. É nesta sequela que iremos conhecer a rapariga misteriosa que normalmente só aparece nos sonhos de Ryu, e que acredita-se ter um papel preponderante no desenlace da historia. Posteriormente saiu um remake para a Xbox, mantendo a mesma qualidade da versão Dreamcast, embora aqui acredite-se que a Sega foi um pouco preguiçosa, pois poderia ter melhorado ainda mais a qualidade do jogo, já que tinha entre mãos uma maquina bem mais potente que a sua antiga 128 bits.

Tudo dito, só me resta concluir que quem tiver a oportunidade de jogar esta maravilha “videojogável”, não verá o seu dinheiro mal empregue. É sem sombra de dúvidas uma compra obrigatória na versão Dreamcast, e um jogo de enorme qualidade na versão Xbox, que só peca pela falta de melhorias, especialmente devido ao tempo de saída para o mercado em relação à versão original.

Joguem, vivam e desfrutem de Shenmue, e de certeza que depois desta experiência a vossa noção sobre um videojogo não será mais a mesma… E já agora se não for pedir muito: para quando a parte final da trilogia???

Comments
6 Responses to “Retrospectiva: Shenmue [1999]”
  1. Já joguei um pouco da versão Dreamcast e recentemente comecei a jogar ao Shemmue 2 na minha recém adquirida Xbox. Pelo que já vi parece ser uma espécie de aventura gráfica, daquelas de detectives, em que temos que investigar um caso, mas free roam e com uma data de actividades extra.

    Gosto da parte da investigação, mas os controlos na versão Xbox são dos piores que já vi num jogo na terceira pessoa😛
    Isso, e o mau voice acting, juntamente com as partes mais cheesy do enredo (afinal de contas, um jogo cinemático era uma coisa nova na altura) fazem com que o jogo se pareça com um daqueles filmes chineses de luta, com diálogos muito maus😛

    Boa retrospectiva!

  2. Hugo Bessa diz:

    A investigação torna-se um pouco linear, mas é preciso perceber a altura que o jogo saiu e em que circunstancias…

  3. Joao Mealha diz:

    Para quando o Shenmue HD?

  4. Hugo Bessa diz:

    Já correm vários rumores, mas acho que para já este ainda vai ser um daqueles temas tabu para a Sega. Infelizmente…

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