Need for Speed: Hot Pursuit [2010]

Mais um jogo que aproveitei para comprar nas promoções do Steam, este por míseros 5€.

Já andava atrás do Hot Pursuit há bastante tempo, mas nunca tinha surgido o preço certo. Sempre me pareceu ter bom aspecto e apetecia-me jogar um puro arcada e assim reviver os bons tempos de miúdo quando a série Need for Speed ainda era relevante (não que não o seja hoje em dia, mas a sua importância está longe daqueles tempos). Não posso dizer que seja um fãs dos anteriores Hot Pursuit, devo ser o único no mundo que prefere o Need for Speed 2 ao Hot Pursuit clássico, mas joguei-o na altura. O Hot Pursuit 2 já me passou ao lado, mas também joguei.

Este remake é bastante fiel aos dois originais, se bem que um pouco mais arcada. Não entrem à espera de grandes detalhes, aqui é prego a fundo e drifts, como disse é um puro arcada, em tudo. Este foi o primeiro Need for Speed produzido pela Criterion, conhecidos pela série Burnout que culminou no Burnout Paradise. Embora até tenha gostado, sempre achei que a vertente mundo aberto nem sempre funcionava muito bem, sou muito mais entusiasta de circuitos lineares ao bom velho estilo da série. Hot Pursuit tem um sistema interessante, há um mapa duma região composta por uma malha de estradas com centenas de quilómetros de extensão, todas interligadas, no entanto cada etapa (dentro dessa região) é estritamente linear com alguns atalhos.

Mal entramos na pista, Hot Pursuit apresenta-se como violento jogo de reflexos e concentração. Este é porventura o jogo de corridas que mais pediu de mim em termos de concentração, nem o simulador mais hardcore pede assim tanto. Normalmente num simulador o jogador sente o carro e conduz de forma natural, aqui, e ainda mais que qualquer jogo arcada, o jogador não está num carro. Quer dizer, está, mas na verdade poderia ser qualquer outra coisa, podia ser um foguetão porque pouco importa o que estamos a conduzir, o importante é ter super reflexos para ser perfeito. Cada corrida em Hot Pursuit é um exercício de concentração, o jogador passado um tempo vê todo o mundo num autentico túnel, a beleza dos cenários e dos vistosos gráficos passam para segundo plano, o importante é não tirar os olhos do ponto de fuga no horizonte e prever o futuro, tentar discernir o que cada pontinho vai ser quando alguns segundos depois estiver a poucos metros de nós. É uma sensação fantástica quando tudo resulta na perfeição, é como ter em casa uma mini-viagem psicadélica particular do 2001: Odisseia no Espaço, ainda mais quando corremos de noite no meio dum temporal com acidentes e luzes por todo o lado. É o mais perto que estive de presenciar em pessoa a loucura do clímax de Speed Racer. É uma sensação única.

Na prática Hot Pursuit são dois jogos num. Para ter todas as medalhas na campanha de fora-da-lei levei quase 15 horas, já era uma optima duração. Mas esperem! Ainda há mais uma campanha, agora como policia que durará mais umas 10 horas. Por 5€ é uma optima duração, e ainda há o multiplayer! Quer seja como fora-da-lei ou policia, Hot Pursuit é extremamente divertido e desafiante (achei a campanha policial bem mais fácil) sendo que cada uma das vertentes tem 6 diferentes modos que vão desde o clássico Hot Pursuit (7 corredores contra a policia), duelos (1 vs 1), corridas, time trial, etc. As etapas são lindíssimas, longas (uma delas demora meia hora!) e exóticas, bem ao estilo dos primórdios da série. Hot Pursuit é carros exóticos em locais exóticos, o “xunning” não entra aqui.

No entanto há alguns detalhes básicos num jogo de corridas que estão ausentes e ajudariam e muito a tornar Hot Pursuit mais completo. Nem falo de funcionalidades recentes como o rewind (que não sou particularmente adepto), falo de coisas básicas do DNA de qualquer jogo de corridas como um ghost car, split times ou até (pasme-se) mudanças manuais, sim não há mudanças manuais em Hot Pursuit. É certo que num jogo tão arcada como este acaba-se por compreender, mas de qualquer forma não fazia mal nenhum darem essa opção. Já em relação ao ghost car e split times é imperdoável, especialmente em time trials onde corremos contra o relógio.

Se tiver que escolher o pior aspecto do jogo, o que me fez baixar meio ponto, terão de ser os momentos cinemáticos que acompanham a acção. Querem reiniciar a corrida? Aguentem com alguns segundos a mostrar o vosso carro a rodar na estrada (mesmo fazendo skip, se bem que isso é mais vulgar como policia). Apreenderam um carro em andamento? Uma sequência vistosa mostra o carro do adversário a capotar, quando voltarem à acção estão a meio de uma curva lançados contra um muro. O que irrita nem são as sequências em si, é a forma como o jogo regressa à acção, foi frequente ter carros mesmo à minha frente, ou como já referi estar a meio duma curva. Para piorar, não há grande penalização para quando há um acidente, muitas vezes uma carro que ia atrás de mim bate e regressa a poucos segundos.

Finalmente, o novo sistema de comunidade dos jogos de corrida da EA, o Autolog, fez-me torcer o nariz. No papel parece uma boa ideia, mas para uma pessoa sem amigos no jogo é apenas um entrave.

Hot Pursuit foi anda melhor do que estava à espera, para além de ser um excelente jogo arcada, é também um excelente Need for Speed, a Criterion percebe a essência da série, resta esperar para ver o que vão fazer com o Most Wanted.

Positivo:
+Fun, fun, fun!
+ Simples e directo ao ponto.
+ Excelentes gráficos.
+ Puro arcada.

Negativo:
– Ausência de algumas funcionalidades básicas.
Autolog.
– Momentos cinemáticos

Sai do templ… do PixelHunt com:

Comments
9 Responses to “Need for Speed: Hot Pursuit [2010]”
  1. “Uma sequência vistosa mostra o carro do adversário a capotar, quando voltarem à acção estão a meio de uma curva lançados contra um muro. […] muitas vezes uma carro que ia atrás de mim bate e regressa a poucos segundos.”

    Este é um problema típico do Burnout. Gosto do facto de que já não tenho que olhar para um mapa quando estou a andar a 300 Km/h, perdendo-me no meio do nada como no Burnout Paradise, mas esses problemas de que falaste já me irritaram muito no Burnout Revenge.

    Eu lembro-me de jogar ao Revenge com um amigo meu, à vez, e ficávamos sempre incrédulos com os nossos rivais. Seguia-mos sempre pelos atalhos e ganhávamos terreno… só para os outros carros acabarem a aparecer sempre no fim, quando os caminhos convergem.
    É verdade que os jogos usam batotas para fazer a IA parecer melhor, especialmente nos jogos de corridas, mas o Burnout abusava disto. Nos níveis mais tardios do jogo é comum os carros rivais nunca capotarem, não interessa a quantidade de vezes que vá contra eles.

    E depois há os acidentes. O Burnout Revenge é um jogo rápido demais para ter os impasses que tem (as paredes ;)) e muitas vezes dava por mim a ir contras paredes sem ter hipótese nenhuma de me desviar. Neste caso deviam-se ter deixado pelos oponentes e pelas rampas como únicos obstáculos.

    No entanto, tirando a IA, parece que o resto está aos poucos a ser arranjado, mas já estou fartos dos NFS. Eu quero é a Criterion a fazer um jogo de arcada ridículo, um San Francisco Rush 3000.

    • Este Hot Pursuit tem um sistema de catch up muito pronunciado, no entanto isso sempre foi um aspecto dos últimos Need for Speed (ainda me lembro no II que tinha uma opção para desligar ^^). Mas é um pouco frustrante ver rivais com carros teoricamente mais fracos a recuperarem terreno de forma estúpida só para não nos afastarmos.

      • As IAs já deviam estar melhor hoje em dia, mesmo em jogos de corridas. Infelizmente parece que hoje em dia concentram-se mais em “encher” o jogo e qualidade gráfica do que na IA. Como a IA é daquela coisas que não se vê, é ignorada pela maior parte das reviews:/

  2. Hugo Bessa diz:

    Puro Arcade? Será que tem a opção de somente fazer umas corridas e nada de perseguições manhosas?

  3. Newtomic diz:

    Como não sou de comentários em blogs tal como já sabes se depois quiserem falar um pouco mais sobre o jogo é na boa, mas no NC por exemplo…

    Já agora Berto adiciona-me no HP o nick já sabes qula é!🙂

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