Duke Nukem Forever [2011]

Sendo eu grande fã de jogos retro, um apaixonado e defensor de alguns ideais clássicos referentes aos videojogos, foi com enorme entusiasmo que tomei conhecimento que finalmente a sequela do aclamado Duke Nukem 3D estava em produção, dando assim por terminada uma “novela” que já decorria há 12 anos. Produzido pela Gearbox Software, uma produtora conhecida por jogos como Brother in Arms e BorderlandsDuke Nukem Forever assume-se como uma continuação directa do ultimo jogo já referido, e como tal, estava prometido desde inicio um regresso à boa forma desta personagem com um jogo de acção simples, frontal e visceral, sem colocar de parte o já largo repertório de piadas e situações que só esta personagem consegue ter.

Só que o que a inicio tinha tudo para ser um jogo bem conseguido, na realidade acabamos por comprovar que tal não se sucede no produto final. Se eu quisesse começar por enumerar alguns dos defeitos do jogo, teria que referir que nesta sequela nota-se bem que Duke não se adaptou muito bem ao “envelhecimento”. Por muito que se tente negar este facto com situações disparatas e sexualmente apelativas, é bem visível que nos tempos que correm, um jogo deste estilo old-school teria obrigatoriamente de reinventar-se porque situações como combates contra bosses gigantescos que são facilmente vencidos sem nenhum tipo de estratégia, ou então situações de jogo que primam pelos clichés habituais neste género, não são trunfos válidos para este jogo fazer concorrência com jogos como BulletStorm ou até mesmo os dois Serious Sam. Se a estratégia da Gearbox para o aumento das vendas, passa somente pelo carácter apelativo da personagem em questão, então posso referir que acabaram por fracassar. Hoje em dia os jogadores informam-se bastante antes da compra de um jogo, e se este não possuir argumentos que nos incentivem a dar os já elevados 70€ que se pede, então acreditem que o fracasso irá ser o resultado de todo este processo.

Não quero com isto dizer que o jogo seja dos piores que anda por ai, porque isto não é verdade. Graficamente o jogo até encontra-se num patamar razoável, embora certas animações podiam e deviam ter sido melhoradas, e a sonoridade está ao nível habitual da saga, mas certamente o que continua a dar cartas nesta obra é a sua jogabilidade simples e bastante convincente. Talvez aqui o único defeito a colocar seja talvez pela ausência do HUD habitual da serie, que ao ser substituído por um sistema “à Call of Duty“, retira alguma da dificuldade que esta saga tinha no passado, oferecendo aos jogadores situações que nunca seria de esperar num jogo desta personagem, como aquelas em que tens que te esconder para poderes recuperar dos ferimentos dos tiroteios, num claro contra-senso com o que era o espírito desta serie no passado.

Em termos de história contem com cerca de 10 horas de single player, e como respectiva sequela que é, Duke Nukem Forever começa no combate final do anterior jogo da serie, desenvolvendo-se esta pelos padrões habituais, sendo que aqui Duke é chamado para resgatar novamente as beldades que tanto adora das mãos dos aliens invasores, numa clara falta de imaginação para a criação de um argumento mais completo e minimamente interessante, embora reconheça que esse nunca foi o forte desta serie. Apesar de tudo, o jogo vale por algumas secções interessantes como aquelas em que controlamos um RC Car para avançarmos pelo cenário, isto após termos encolhido num portal, o que permite ao jogador ver os cenários por outra perspectiva, e por alguns confrontos contra inimigos clássicos que nos permitem relembrar certas situações que jogadores como eu experimentaram aquando do passado brilhante desta personagem.

Duke Nukem Forever assume-se assim como um jogo datado e bastante contraditório. Se o objectivo da Gearbox e era o de oferecer uma obra que simplesmente oferece uma dedicatória ao passado desta personagem, então o jogo poderá considerar-se como bom e digno do objectivo proposto. Mas se o objectivo era o de oferecer uma boa experiência aos jogadores e conseguir fazer frente a alguns nomes pesados da indústria, então teremos que esperar por outra sequela, porque esta definitivamente não é digna desse objectivo.

Num patamar pessoal, posso referir que fiquei agradado com algumas situações de jogo, que permitiram-me regressar ao tempo em que um jogo deste género limitava-se a ser apenas um bom FPS, mas como exigente que sou, e com a quantidade elevada de bons jogos deste género que abundam no mercado, devo ser coerente e afirmar que este é apenas mais um FPS banal e que oferece pouco quando em comparação com outros. E assim sendo, ainda não é desta que Duke regressa à ribalta…

Positivo:
+ Piadas típicas de Duke.
+ Algum sentimento deja-vu …

Negativo:
– … que infelizmente não é exemplificativo da qualidade que a série já possuiu.
– Dificuldade desequilibrada.
– Situações de jogo ridículas e bastante datadas.

Sai do templ… do PixelHunt com:

Comments
2 Responses to “Duke Nukem Forever [2011]”
  1. Foi muito pouco e muito tarde… ainda para mais no meio de dezenas de FPS, e muitos deles com o mesmo motor de jogo (o Unreal).

    Se gostas deste tipo de shooters old school, já ouviste falar do Painkiller? Estou a jogá-lo outra vez e é ainda mais divertido do que me lembrava 🙂

  2. Hugo Bessa diz:

    Claro que já ouvi falar. Aliás, tenho a Black Edition do jogo e concordo contigo.

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