Dark Souls [2011]

hugo2    berto1

“Preparem-se para morrer”… Mas preparem-se mesmo muito para morrer, pois estais perante um jogo que apesar de usar esta expressão como meio publicitário, é incrivelmente competente quando tenta fazer a vida negra aos jogadores.

Dark Souls, é um rpg desenvolvido pela From Software, cuja premissa é o de colocar o jogador perante situações de vida ou de morte, num mundo medieval, altamente detalhado e profundamente interligado entre si. Este título, foi lançado no ano passado, como uma sequela “espiritual” de Demon’s Souls, e coloca-nos na pele de um undead à nossa escolha, entre um leque possível de várias classes, que tem como objectivo final, a sua transformação em hollow, e por conseguinte a respectiva paz interior. Só que quando no asilo, este recebe a ajuda de um outro undead, acaba por conseguir escapar e vem mais tarde a descobrir a profecia que diz que apenas um undead é escolhido entre muitos, para uma missão final que cabe ao jogador descobrir com o decorrer do jogo. No entanto, nem sempre é muito óbvio logo de inicio o porquê das nossas acções, nem quais as respectivas consequências das mesmas.

Pessoalmente, a história não me chamou muito à atenção, e até acredito que é apenas um pretexto para todo o tipo de situações que acabei por enfrentar, sendo estas realmente merecedoras de todas as horas que depositei jogando este titulo.

Só que quando avancei para este jogo,  já estava elucidado pela produtora para o que iria aventurar-me, e devo confessar que nesse aspecto realmente eles não mentiram. Em Dark Souls morri muitas, mas mesmo muitas vezes, e o mais engraçado disto tudo é que enquanto num titulo normal, estas mortes poderiam ser até um incentivo a deixar o jogo de parte, em Dark Souls ocorre precisamente o contrário. São dezenas e dezenas, as situações em que morri porque sei que cometi um erro que me foi fatal, mas ao contrário do que normalmente faria, aqui decidia quase sempre voltar a tentar vencer aquele inimigo X, ou aquele boss Y, tal era o vicio que este título já tinha depositado na minha pessoa. Basicamente, de inicio é nos dado um tutorial com as mecânicas de jogo e uma explicação para todos os elementos a que temos acesso, e a partir daí é cada um por si, visto que somos atirados para a “boca do lobo” sem qualquer apelo nem agravo por parte dos produtores.

Os inimigos do jogo são dotados de uma boa inteligência artificial, embora acabem por responder a vários tipos de animação que com o tempo decoramos e aprendemos como melhor contornar e por conseguinte vencer. Os itens de ajuda escasseiam, sendo que convém ter em conta que ao usarmos algo, poderemos cometer um erro fatal, que irremediavelmente não conseguimos recuperar, e até mesmo as bonfires, que são usadas como locais de save point, podem ser uma complicação extra, pois se por um lado permitem-nos ter uns minutos de descanso e recuperação, tanto a nível de saúde, como de restauro de magias e poções de recuperação de vida, por outro lado têm “apenas” a capacidade de ressuscitar os inimigos anteriormente vencidos (excepto bosses) o que por si só torna bem mais complicado um caminho de regresso a alguma área anteriormente percorrida ( e que ireis visitar muitas vezes, não só como sistema de grinding, como também para obtenção de alguns itens até então inacessíveis).

Como bom rpg, este jogo possui uma capacidade de caracterização das características das personagens, bastante abrangente e complexa. É possível criar vários tipos de classes de personagens, e torna-las futuramente especialistas em vários parâmetros, o que por si só é sinónimo de qualidade e quantidade, o que agradece-se neste tipo de jogo. O sistema de level up é desencadeado pelas almas que recebemos após vencermos os inimigos, com a grande dificuldade a prender-se com o facto de termos que permanecer vivos até chegar a uma bonfire de modo a poder fazer nestas o level up. É certo que em caso de morte, poderemos resgatar as almas entretanto caídas nessa zona, mas convém evitar ao máximo essa situação, pois em caso de invasão por parte de um outro jogador, poderemos ficar sem estas definitivamente, a menos que consigamos encontrar esse mesmo jogador e vence-lo num duelo. E sim, eu falei bem em invasão, pois este jogo possui também um modo online, que fica apenas activo caso a consola ou PC esteja ligado à Internet. Neste modo online podemos oferecer ajuda a outros jogadores para ultrapassar situações de jogo e por conseguinte ganhar algumas almas extra, embora também existe o reverso da medalha que são as invasões que eu anteriormente referi. Aproveito também para destacar a ausência de um voice-chat no jogo, o que impossibilita uma ajuda completa por parte de alguém que já tenha passado o jogo ou a zona em que estamos encalhados. Em detrimento disso, a produtora ofereceu aos jogadores uma ferramenta que permite escrever mensagens muito básicas no chão, para que quando outros jogadores passarem por elas pudessem ficar um pouco avisados dos perigos que poderiam encontrar. Aproveito para avisar também que essas mensagens poderão ser falsas, pelo que todo o cuidado é pouco, visto que é frequente ver muitos jogadores a usa-las de modo a criar armadilhas para outros jogadores, o que por si só é algo bastante desafiante e muito bem idealizado por parte dos produtores.

Mas falar de Dark Souls e não referir os bosses é um sacrilégio. Estas criaturas que têm a particularidade de serem ou incrivelmente grandes, ou mesmo muito fortes, são sem dúvida o prato forte do jogo, e também o maior desafio. Posso confessar que existem alguns cuja dificuldade consegue roçar o ridículo, não tendo eu vergonha em admitir que tive que recorrer à ajuda de alguns jogadores em modo online, para os poder superar. E acreditem que mesmo assim deram mesmo muito trabalho, embora a satisfação aquando a sua derrota, seja algo que aconselho a qualquer jogador descobrir. Neste jogo o grinding vale um pouco a pena, mas mais importante que isso é conhecer bem os pontos fracos dos bosses, e ter um total controlo da personagem que criaram, por isso invistam tempo em aprender tudo o que a vossa personagem vos permite fazer, e tentem olhar para estes inimigos antes como um desafio, ao invés de uma obrigação. Não irão ficar defraudados…

Graficamente, o jogo é superior ao anterior título, e apresenta-se como um produto interessante e bem conseguido em algumas situações. Pena é a quebra de framerate em certas partes do jogo, que juntamente com a dificuldade deste, tornam essa zona um autentico inferno para os jogadores. Aproveito para referir que joguei a versão PlayStation 3, pelo que não sei como será nesta versão que saiu à poucos dias para PC, mas também não acreditem muito nas análises que dizem que Dark Souls é injogavél nessa zona, pois isso não é verdade. Custa um pouco, admito, mas não é nada de muito significativo.  Já em termos de jogabilidade, o jogo responde bem aos controlos, e acreditem que nunca irão morrer por causa de uma acção que não ocorreu aquando a vossa selecção pelo que neste campo a produtora recebe os meus parabéns.

Não irei alongar-me muito mais nesta análise, pois não pretendo estragar a experiência a quem decidir avançar neste título. Caso decidam jogar Dark Souls (e eu recomendo especialmente pela grande experiência que proporciona), tenham em conta que irão morrer muitas vezes, sendo que em muitas situações até poderão desesperar, mas caso consigam tirar proveito a 100% deste titulo, irão estar perante uma  das melhores e mais desafiantes experiências que alguma vez irão enfrentar num videojogo. É excelente ver que numa época em que as produtoras cada vez mais investem em ajudas aos jogadores de modo a tornar os jogos mais acessíveis, existe ainda outras que preferem abordar os jogos num método antigo em que era a habilidade dos jogadores que suplantava o próprio jogo em si. E isso para mim tem muito, mas mesmo muito valor…

Parabéns From Software…

Positivo:
+ Bosses desafiantes
+ Mecânica de jogo agradável
+ Sensação de perigo constante…

Negativo:
– Dificuldade de alguns inimigos a roçar o ridículo
Framerate instável numa área avançada do jogo

Sai do templ… do PixelHunt com:

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