The Innocents – Os Inocentes [1961]

Decidi colocar o The Innocents na lista porque sempre tive muita curiosidade em compara-lo com um dos meus filmes favoritos de terror, o The Haunting. Os dois são quase sempre referidos como os melhores filmes dentro do sub-género de histórias de fantasmas/casas assombradas.

É engraçado que ambos partilham bastantes semelhanças, desde logo a incerteza se há realmente fantasmas e assombrações ou se tudo não passa de criações das protagonistas. Pessoalmente acho que essas são as melhores histórias porque na prática acabam por ser dois filmes num só e o The Innocents acho que ainda faz isso melhor que o The Haunting, há duas histórias distintas de acordo com a interpretação do espectador e as duas teorias (assombração vs loucura) são perfeitamente válidas.

The Haunting tinha uma protagonista reprimida, instável e com profundas marcas psicológicas que naturalmente cedeu perante os acontecimentos da mansão. Aqui a protagonista partilha algumas semelhanças, ela é uma típica mulher sexualmente reprimida da era vitoriana e a sua busca pelos mistérios e história da casa onde trabalha vai leva-la a mexer com memórias que trazem ao de cima as suas  instabilidades. The Innocents tem uma forte conotação sexual com temáticas “freudianas” bastante ousadas para a altura, até porque mete crianças pelo meio. O argumento é excelentemente bem montado (o Truman Capote esteve envolvida na adaptação!) e o ritmo quase perfeito, fiquei com muita curiosidade em ler o livro original, The Turn of the Screw.

O ambiente é muito bom, mas a meu ver perde para o The Haunting cujas cenas de tensão são simplesmente imbatíveis, mas aqui há um par de cenas igualmente muito boas e uma delas até me assustou. Se no filme do Robert Wise NUNCA vimos nada de sobrenatural, já que era tudo montado através do som e do trabalho de câmera, aqui o espectador consegue ver algumas assombrações, se bem que ficamos sempre na duvida se são reais ou apenas imaginação da protagonista. Fica ao critério de cada um se preferem um filme que se veja ou não os hipotéticos fantasmas.

As interpretações são de elevadíssimo nível, se bem que num registo teatral. Até as duas crianças conseguem transmitir uma certa maturidade (especialmente o rapaz) essencial para passar a ideia de que podem estar realmente a ser possuídos ou então de estarem a emular os comportamentos da antiga governanta e do seu amante. Mas a protagonista (Deborah Kerr) é a estrela do filme e consegue transmitir na perfeição o seu conflito interno.

The Innocents é realmente um filme fantástico, um dos melhores de terror que já vi. Mas é melhor que o The Haunting? Não sei… até pode ser, mas ainda prefiro o The Haunting, como um todo acho-o mais… entertaining. De qualquer das formas estes dois filmes são a nata deste sub-género e são completamente obrigatórios. Se quiserem vê-lo online podem-no fazer AQUI, mas aconselho seriamente a arranjarem uma cópia de boa qualidade porque a fotografia é fantástica e merece ser vista com a maior qualidade possível.

Quinta feira fechamos a década de 60 com o clássico The Night of the Living Dead do Romero e abandonamos definitivamente o preto e branco. Fiquem bem!

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