Les Lèvres Rouges [1971]

Mais um filme que não consigo encontrar a tradução oficial portuguesa, fico na dúvida se algum vez foi publicado por cá… é possível que não, não estou a ver o regime Marcelista a ver com bons olhos um filme com esta carga erótica. Claro que hoje em dia Les Lèvres Rouges é bem inofensivo, mas para altura acredito que ver mamas e beijos lésbicos, ainda por cima num filme de terror meio obscuro seria meio caminho andado para não passar por cá.

Les Lèvres Rouges ou em inglês The Daughters of Darkness é um filme de vampiros, no entanto não são os vampiros clássicos que todos associamos, são vampiras lésbicas!😀 Estou a brincar, na verdade a vampira antagonista é bastante reminiscente do Dracula, na medida em que é inspirada por uma personalidade real, a condessa Elisabete Bathory que no século XVII foi condenada por práticas de tortura, envolvendo o sangue de virgens, que ela acreditava que a mantinham eternamente jovem. Tal como o príncipe Vlad, aqui aproveitaram os factos e lendas históricas para criar um vampiro moderno. A condessa é de longe a figura do filme, rouba todas as cenas onde aparece e a sua presença, voz, carisma e sedução são quase hipnóticos.

Mas os reais protagonistas são um casal em núpcias que se deslocam para Londres, mas no caminho acabam por se instalar num enorme hotel belga que nos meses de inverno fica completamente vazio. Nessa mesma noite a condessa e a sua assistente instalam-se no mesmo hotel e inicia-se um longo processo de sedução e conquista por parte da condessa que vê neles seres fisicamente perfeitos. Mas se no exterior o casal é bonito e perfeito, por dentro são um caco de imperfeições que a condessa manipula com mestria.

Vendo à primeira vista e reparando nas temáticas góticas, sensualidade e nos fortes jogos de cores (em especial o vermelho vivo) parece um filme com fortes inspirações do cinema da Hammer, no entanto o ambiente com tonalidades quase surreais que parecem retiradas dum sonho, em contraposição com a decadência do hotel (não em termos físicos mas nos fantasmas que a ausência de vida trás) transforma Les Lèvres Rouges num filme bastante peculiar. Mas mesmo com estas particularidades, não é propriamente um grande filme, pelo menos não posso dizer que me tenha causado grande impacto. Em termos narrativos é inconstante (a personagem do policia nada trás de relevante) e o desfecho das personagens é deveras desapontante. O que me fica na memória para o futuro é a sua enorme sensualidade às vezes quase roçando o erótico, mas sempre com muito bom gosto e classe.

Se não se importarem de o ver em baixa resolução, podem-no fazer AQUI, mas como sempre, aconselho arranjarem uma cópia decente. Segunda-feira (ou amanhã, não sei) passamos a fronteira franco-belga para ver o derradeiro capitulo da trilogia do apartamento do Polanski com Le Locataire (O Inquilino). Bons filmes!

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