Suspiria [1977]

Ontem foi altura de rever o Suspiria, já não o via à tanto tempo, foi muito fixe recordar e redescobrir muita coisa que entretanto se tinha desvanecido com o passar do tempo.

Eu ganhei um novo interesse pelo Argento quando há dois anos vi pela primeira vez o Profondo Rosso que hoje em dia é um dos meus filmes favoritos, até então só tinha visto precisamente o Suspiria numa noite na RTP2, mas entretanto muito coisa ficou esquecida pelo tempo. A principal motivação para rever Suspiria foi ver como se comportava em comparação com o Profondo Rosso (e já agora o Tenebrae que vi no ano passado mas que não gostei lá muito) e a resposta é bastante clara, Suspiria é bom, mas não tão bom.

Grande parte dessa conclusão deve-se ao facto de que pessoalmente sou muito mais adepto do lado policial e realista do Profondo Rosso, que recordo não tem qualquer aspecto sobrenatural e funciona basicamente como um filme de investigação. O Suspiria pelo contrário é suportado por um forte lado sobrenatural, não que isso seja mau longe disso, mas prefiro o lado mais plausível do primeiro filme. Mas se há algo que Suspiria bate Profondo Rosso ou mesmo qualquer outro filme de terror é na sua composição visual, jogos de cores e a sua atmosfera de pesadelo que é simplesmente única e dá ao filme uma identidade impossível de copiar. Os jogos de cores berrantes dominada pelo vermelho vivo, a arquitectura surrealista que parece saída do expressionismo alemão dos anos 20 e a forma como tudo é conduzido pela musica dos Goblin é simplesmente fenomenal. Vejam-me só isto:

Mas nem tudo é perfeito, a história é superficial, não tem um grande fio de ligação e só no ultimo terço é que ela realmente se desenrola, no entanto o seu final é extremamente anti-climático (se bem que os últimos 15 minutos são fantásticos). As personagens não tem grande carisma e não ajudam o espectador a criar grande ligação com aquele mundo surreal, nunca me senti realmente dentro daquele pesadelo, senti-me sempre como um espectador. No final do dia,para quem não liga ao aspecto visual, Suspiria é uma experiência que mais parece uma montagem de diferentes sequências interligadas por uma fina e frágil linha condutora.

Caso não o tenham e queiram vê-lo já, o filme está disponível por exemplo AQUI com uma qualidade razoável. Para o próximo filme (é já o antepenúltimo!) continuamos na Europa com o remake de Nosferatu do Werner Herzog.

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