Assassin’s Creed: Brotherhood [2010]

Como bem se lembram (ou não) nestes últimos meses tenho andado a percorrer a série Assassin’s Creed. Se o primeiro jogo foi uma desilusão que mostrava boas ideias, o segundo foi genuinamente bom, construindo bases solidas nas promessas do jogo original. Passados uns meses é altura de passar para o terceiro jogo da série, Assassin’s Creed: Brotherhood.

Já estava preparado para que este jogo não fosse uma sequela “a sério” e funcionasse mais como uma expansão, e a realidade é mesmo essa, mesmo que a única cidade do jogo, Roma, seja enorme e maior do que qualquer outra das cidades da série (pelo menos é o que me pareceu) a escala do jogo é muito inferior à do Assassin’s Creed II onde andávamos por todo norte de Itália e havia uma clara progressão. Aqui, visto estarmos limitados a apenas uma cidade, nunca consegui afastar a ideia de que estava a jogar apenas um dos capítulos do jogo anterior, estendido por horas e horas.

Mas isso não significa obrigatoriamente que seja um mau “capitulo”, tudo o que gostei no anterior jogo está de regresso, especialmente o setting histórico e toda a minuciosa atenção ao detalhe típica da série. Mecânicamente manteve o mesmo nível, melhorando mesmo alguns aspectos  o que seria de esperar tendo em conta que é uma sequela. Este é o claro exemplo de “mais do mesmo” que basicamente é uma faca de dois gumes, é bom para quem tem fome de mais Assassin’s Creed 2 e não tão bom para quem quer ver coisas novas. Eu estou incluído mais ou menos a meio desses dois campos por isso, embora tenha gostado de voltar à Itália renascentista, a partir de certo ponto já estava cansado e comecei a ignorar muitos objectivos secundários.

Se o primeiro jogo não sabia bem o que fazer com o facto de ser open world, o segundo conseguiu focar mais o jogador através duma experiência mais linear. Brotherhood a meu ver começa a tornar as missões ainda mais lineares, o que em alguns casos tornou-se bastante incomodativo, especialmente na forma como dá a mão ao jogador e limita a sua liberdade de progressão. Algumas missões, especialmente as centrais na história, são tão restritivas que isto quase deixa de parecer um Assassin’s Creed. Tanta vez que eu tentei fazer as coisas duma determinada forma só para levar com um grande estaladão do jogo a dizer “Oi, não é por aí! Tens que ir por aqui onde está a setinha a brilhar!”. A ideia da série não era um assassino, livre numa cidade à procura do seu alvo? Felizmente o jogo está carregado de objectivos secundários e alguns deles, como as torres do Borgias, ainda nos dão quase total liberdade na forma como abordar o desafio.

Por falar nas carradas de desafios secundários, são obviamente uma mais valia já que estendem a duração do jogo em dezenas de horas para além das cerca de 13 que dura a história principal, mas chega a um ponto que se torna uma enorme distracção. Se as faço durante a história, ela perde todo o ritmo, mas se esperar pelo final do jogo (como fiz) já estava tão cansado que nem um terço delas fiz. Foi mais ou menos o que me aconteceu com o jogo anterior, no entanto estava tão agarrado na altura que fiz muito mais desses objectivos opcionais.

Isto leva-me à história. A série sempre foi muito segmentada em duas vertentes, a parte histórica e a futurista com o Desmond. A história do Ezio é de longe a mais interessante, mais não seja porque foi porreiro reencontra-lo e a todos os seus camaradas e família, mas vendo bem as coisas…. foi tudo bastante desnecessário, basicamente Brotherhood em nada avançou a história porque foi tudo para voltar a encontrar a mesma maçã que já estava em poder do Ezio no final do Assassin’s Creed 2. Não posso deixar passar a forma como o ultimo acto da história está montado. Houve ali cortes evidentes e enormes saltos narrativos que deram um ar apressado à narrativa. Mas o problema desta série é a parte do Desmond… eu juro que não percebo nada da história. Praticamente 60 horas de jogo espalhadas por três jogos e não faço ideia do que se passa, é tão pateta e confusa. Era tão, mas tão melhor se a série Assassin’s Creed fosse apenas sobre assassinos aleatórios em períodos históricos sem a parte sci-fi agarrada.

Sendo uma espécie de expansão do Assassin’s Creed 2, a jogabilidade e mecânicas de jogo permanecem praticamente inalteradas, como tal os defeitos e virtudes pouco mudam. O combate continua lento e pesado com os contra-ataques a resultarem quase sempre em mortes instantâneas, enquanto o grupinho de inimigos espera pela sua vez de atacar. O sistema parkour continua muito bom (se bem que o Ezio tem a mania de se colar a paredes que eu não quero) e foram adicionados novos movimentos e funcionalidades como os assassinatos indirectos através da nossa equipa de assassino, o que é muito cool.

Brotherhood tem multiplayer, uma novidade na série. Como sabem não ligo a isso e pouco joguei. Mas do que vi pareceu-me pelo menos bastante original o que é obviamente positivo. Mas como é obvio não me posso pronunciar muito mais para além disso.

E pronto, é isto. Como disse antes, o prazer que vão retirar de Brotherhood é directamente proporcional à vossa fome por mais Assassin’s Creed 2. Na sua raiz é um bom jogo que é prejudicado pelo facto de ser uma sequela desnecessária.

Positivo:
+ Roma e todo o detalhe histórico
+ Boa duração e conteúdo
+ Jogabilidade e mecânicas melhoradas

Negativo:
– Alguns sinais preocupantes de restrição de liberdade
– História
– Combate

Sai do templ… do PixelHunt com:

Comments
One Response to “Assassin’s Creed: Brotherhood [2010]”
  1. V diz:

    Boa análise, vou estar a espera do Revelations e do 3😛

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