Tales of Graces f [2010]

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Os rpg japoneses, mais conhecidos por  jrpg são cada vez mais um produto em vias de extinção, não por culpa do género onde se inserem, mas sim pela pouca inovação que apresentam nestes últimos anos. É certo que temos bons casos de séries que ultrapassaram o teste do tempo, como Final Fantasy e Dragon Quest, mas acho que é correcto afirmar que perante as inovações em rpg do calibre de The Witcher, Knights of the Old Republic e porque não Dragon Age, os jrpg estão caminhando para um abismo que infelizmente é triste para os fãs deste género  nos quais incluo-me.

Mas lá de vez em quando, aparece um ou outro título que consegue desafiar este destino, e a saga Tales apresenta-se na pole-position como uma das que melhor consegue superar este teste do tempo e apresentar-nos um jogo com um argumento muito interessante, adulto e bastante condizente com a época actual dos videojogos.

Tales of Graces f, apresenta-nos a história de Asbel Lhant, um rapaz que depois de encontrar uma jovem de seu nome Sophie que sofre de amnésia, decide ser o tutor dela e ajuda-la a recuperar a sua memória e por conseguinte descobrir mais sobre o seu passado e sobre as razões que a fazem estar naquele local e naquele estado. Só que quando esta entretanto morre nos seus braços, depois de uma emboscada que por seu turno esconde uma plot bastante mais complexa do que aquilo que parece ser à primeira vista, Asbel acaba por ver-se envolvido numa teia de situações que obrigam-no a tomar certas atitudes que vão contra os princípios e  regras pelos quais foi educado. Entretanto, a história desenvolve, e passado sete anos deste acontecimento, Asbel Lhant é-nos apresentado como um jovem mais maduro e ciente das suas responsabilidades, mas que vai ter que deparar-se com uma série de problemas resultantes das suas acções nos tempos de criança, longe de imaginar que a sua história vai interligar-se directamente com a história de várias personagens, e vai ter até influência directa num sem numero de situações que poderão por em causa não só o futuro da sua família e amigos, mas também do próprio reino em que vive, que entretanto está envolto num enorme rol de politiquices e tragédias a que nenhuma das personagens principais é alheia, inclusive a jovem Sophie que entretanto “regressa” envolta em muito mistério.

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Como podem reparar no pequeno resumo que fiz do inicio do jogo, Tales of Graces f apresenta-nos um argumento que no que diz respeito aos jrpg é digno de figurar no top dos melhores. Para quem acompanha a série Tales, este tipo de argumento não é invulgar, pois trata-se apenas e só do ponto mais forte do jogo, não só pela enorme quantidade de situações pelo qual passamos, mas igualmente pela excelente mecânica de interacção entre as personagens do jogo. Cada personagem, seja principal ou secundária, está dotada de um história coerente e condizente com o mundo de jogo, e os diálogos que acontecem entre elas, além de serem importantes para o bom conhecimento de toda a plot do jogo, serve igualmente para mostrar a grande mestria com que a Namco Tales Studio dotou este capitulo da sua série de rpg de maior sucesso (especialmente no Japão). Aproveito para dizer que quem é fã de animes, vai adorar não só o estilo gráfico do jogo, mas igualmente as sequências de vídeo que decorrer durante o mesmo, visto que esta são feitos com o mesmo nível de qualidade que alguns animes de sucesso que muita gente conhece.

E já que falo em grafismo, aproveito para referir o excelente trabalho da Namco na criação dos cenários onde o jogo decorre. É frequente andarmos por locais que parecem ter saído directamente de uma pintura dos melhores artistas japoneses, sendo que vários deste cenários possuem alguns pontos de iteração  o que só por si demonstra o quão criteriosos foram neste parâmetro. Os modelos das personagens não são tão bons como os cenários, mas as suas acções durante os combates estão muito bem conseguidos, especialmente se tivermos em conta a grande variedade de golpes e habilidades que cada personagem possui.

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No campo da jogabilidade, e tal como já referi, o ponto forte ocorre durante os combates. Nestes, temos um controlo bastante consistente da personagem que escolhemos (podemos a qualquer momento alternar em tempo real, o controlo das personagens), com destaque para a introdução de atalhos de habilidades para cada movimento que façamos nos analógicos. Na prática temos quatro direcções em cada analógico, e ao todo podemos configurar um máximo de oito para cada personagem, escolhidas de um leque que perto do final do jogo ascende à dezena de habilidades que temos ao nosso dispor. Em cada combate podemos ter um máximo de quatro personagens, e o grande ponto forte deste jogo, é que enquanto podemos ter controlo total dos movimentos e habilidades de uma personagem, podemos configurar previamente as outras três para actuar consoante as nossas necessidades. Aliás, será frequente fazerem algo como configurar uma personagem para ser o healer do grupo, outra para usar magias de ataque, e uma terceira para poder ser uma espécie de tank, enquanto nós controlamos a quarta personagem conforme o estilo de jogo que mais gostemos de fazer. Só que isto não é algo que possa ser considerado uma regra base, pois são tantas as possibilidades de configuração para os combates, que podem actuar da maneira que quiserem, e ultrapassar as dificuldades do jogo, conforme mais gostam de jogar, embora recomende testarem várias alternativas, pois a longevidade do jogo permite-vos isso e em certo ponto até incentiva-vos a isso. Outra das várias possibilidades que possuem neste jogo são os titles que podem configurar nas vossas personagens, que servem não só para aprenderem habilidades novas, como para poderem modificar certos parâmetros dessas mesmas personagens (temos mais de 150 titles para cada personagem, que vão desde a descoberta de novas magias e skills, até à possibilidade de conseguirem novos fatos e roupas, passando até pela capacidade de conseguirem um upgrade momentâneo). Pensem nestes titles, como uma forma mais interessante de fazerem grinding (o level up destes vai até cinco, e ocorre mediante o que fazem em combate e fora do combate), visto que é através destes que vocês podem construir o tipo de personagem que quiserem, e da maneira que acharem mais adequada à vossa forma de jogar.

Já falei na jogabilidade, e já abordei por alto um pouco da inicio da história do jogo, mas admito que a parte mais interessante deste jogo ocorre com os diálogos entre as personagens, que além de desvendar-nos mais profundamente a história de todos e do mundo de jogo, serve igualmente para comprovar o grau de excelência com que a Namco produziu este jogo. Pessoalmente passei o jogo com as vozes em japonês, pois acho que dá um aspecto mais original ao jogo, mas seja em japonês ou em inglês, é de louvar o excelente trabalho de voz com que o jogo foi produzido. Em todos os momentos parece que os actores que deram voz à personagens estavam mesmo dentro do próprio mundo, o que acaba por dar um sinal de mais realismo e satisfação a quem está a jogar, e por isso acho que é digno louvar todo este parâmetro do jogo. Já na parte da banda sonora, podem contar com a mescla habitual no género  embora aqui o nível atingido não seja tão elevado como nas vozes, pese embora a excelente introdução do jogo que possuí uma música bastante interessante de apreciar.

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Tales of Graces f é acima de tudo uma excelente lufada de ar fresco neste género em vias de extinção. Pessoalmente, como enorme fã de Final Fantasy, depois do 13º capítulo acho que a Square Enix deveria olhar para este trabalho da Namco (e também para Tales of Vesperia para a Xbox 360, jogo que entretanto comecei recentemente) e tirar algumas anotações de como um jrpg pode ser um género que pode sofrer alterações para melhor sem mexer nas bases do sucesso que este tipo de jogo teve num passado bem recente. Tales of Graces f é além de um excelente jogo, um óptimo rpg, e possui a particularidade de ter conseguido rever bases, modificando-as e melhorando-as, tendo sempre presente a satisfação do jogador. Na minha sincera opinião, conseguiu-o com distinção…

Positivo:
+ Plot excelente que mistura vários elementos e temáticas bem actuais
+ Diálogos entre personagens
+ Combate interessante e muito configurável
+ Grafismo estilo anime, de boa qualidade (…)

Negativo:
– (…)Embora os modelos de personagens pudessem ser algo melhores
– Enorme leque de titles e respectivas habilidades que pode afastar os jogadores mais “casuais”

Sai do templ… do PixelHunt com:

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